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Exportação brasileira de noz-pecã desacelera com logística e novas regras europeias

As exportações brasileiras de noz-pecã perderam ritmo diante da escassez de contêineres, do frete mais caro e de novas exigências sanitárias europeias. Mesmo assim, o IBPecan projeta uma safra de 6,5 mil a 7 mil toneladas em 2026.

Exportação brasileira de noz-pecã desacelera com logística e novas regras europeias

Problemas logísticos limitam os embarques

As exportações brasileiras de noz-pecã desaceleraram nos últimos meses devido a gargalos logísticos, novas exigências sanitárias europeias e incertezas no comércio mundial. A SpaceMoney, citando o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), informou que o setor atravessa um período de ajuste, embora se prepare para uma safra nacional maior em 2026.

O presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, afirmou que os conflitos no Oriente Médio reduziram a disponibilidade de contêineres e elevaram os custos do frete marítimo. O aumento das despesas logísticas dificultou as negociações com compradores estrangeiros e reduziu os volumes embarcados, principalmente para mercados dependentes de rotas marítimas mais longas. Os exportadores perderam capacidade de oferecer preços competitivos e passaram a arcar com custos maiores para manter o produto enquanto aguardam transporte.

Política dos EUA traz risco e possível oportunidade

Os fornecedores brasileiros também acompanham as medidas tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos para produtos sul-americanos. O impacto específico sobre a noz-pecã ainda não foi definido, mas a incerteza já preocupa exportadores que avaliam contratos e condições de acesso. Os Estados Unidos têm peso especial na cadeia mundial por serem um grande produtor e influenciarem diretamente a oferta e os preços internacionais.

Wallauer avalia que esse mesmo mercado pode abrir uma oportunidade para o Brasil. Segundo a análise do IBPecan, Estados Unidos e México registraram safras menores no último ciclo, o que pode manter as cotações internacionais da noz-pecã em níveis elevados. A menor oferta dos principais concorrentes pode sustentar as vendas brasileiras, mesmo que medidas tarifárias mais amplas dos EUA criem custos ou barreiras adicionais para produtos sul-americanos.

O equilíbrio entre esses fatores continua incerto. Preços internacionais elevados podem melhorar a receita de produtores e processadores, mas o frete caro e a falta de clareza tarifária podem consumir parte dessa vantagem. Os exportadores também precisam administrar o risco de a nova produção chegar ao mercado mais rapidamente do que os canais externos conseguem absorvê-la.

Exigências europeias restringem o acesso

A Europa apresenta um desafio regulatório separado. Novas exigências sanitárias e fitossanitárias para a importação de nozes dificultaram os embarques ao continente e, segundo Wallauer, afetam exportadores de todo o mundo. O setor brasileiro espera que as regras sejam revistas para facilitar a retomada das vendas. Enquanto isso, as negociações com compradores asiáticos também avançam em ritmo mais lento, e o IBPecan procura ampliar a presença da noz-pecã brasileira em outros mercados.

Essas restrições externas coincidem com a expectativa de uma safra brasileira robusta em 2026. O IBPecan projeta uma produção entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, impulsionada pela maturação de novos pomares e pela esperada recuperação da produtividade. Processadores e exportadores terão mais produto para comercializar, mas também precisarão garantir compradores e transporte confiável antes que a safra chegue aos canais comerciais.

O instituto prevê que o cenário comece a melhorar entre julho e agosto, quando as negociações internacionais podem se estabilizar. A recuperação da demanda externa, combinada à produção projetada, poderia recolocar o setor em trajetória de crescimento. O resultado dependerá da melhora na oferta de frete, da redução das barreiras europeias e da capacidade dos exportadores de converter a menor oferta dos Estados Unidos e do México em vendas viáveis.

Análise completa do mercado

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