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EUA mantêm arroz e uva do Brasil sob sobretaxa de 25 %, apesar de isenções para café, carne e petróleo

As novas tarifas dos EUA deixam o arroz e a uva do Brasil sujeitos à sobretaxa de 25 %, enquanto café, carne bovina, petróleo e outros produtos-chave conseguem isenção. O setor arrozeiro de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul alerta para perda de competitividade em um mercado importante, com margens já negativas.

EUA mantêm arroz e uva do Brasil sob sobretaxa de 25 %, apesar de isenções para café, carne e petróleo

As novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros vão atingir diretamente as exportações de arroz e uva, ainda que vários produtos de destaque do Brasil tenham conseguido alívio. A sobretaxa de 25 % foi anunciada na quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer no dia 22.

Café, carne bovina, petróleo, produtos da aviação civil, celulose, minério de ferro e suco de laranja ficaram fora da lista da sobretaxa, segundo o 4oito.com.br. Washington afirmou que as isenções foram concedidas a produtos considerados essenciais para o abastecimento interno ou que não são produzidos em quantidade suficiente nos Estados Unidos. O arroz não entrou na lista de exceções.

Setor arrozeiro se prepara para perder espaço em um mercado-chave

Walmir Rampinelli, presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz), disse ao 4oito.com.br que a medida vai reduzir a competitividade do arroz brasileiro no mercado norte-americano e diminuir os volumes exportados. Segundo ele, em junho deste ano os Estados Unidos figuraram entre os principais compradores de arroz beneficiado brasileiro, atrás apenas de Peru e Cuba, como terceiro importador.

“O consumidor norte-americano terá que pagar mais caro pelo produto brasileiro. Isso deve reduzir nossas exportações para os Estados Unidos, que já representavam um importante destino para a produção”, afirmou Rampinelli.

Ele acrescentou que, embora os Estados Unidos não fossem o maior destino individual do arroz brasileiro, essas vendas ajudavam a enxugar a oferta do mercado interno. As exportações de arroz em casca para outros países dão suporte e ajudam a regular estoques e consumo, mas não são suficientes para compensar as dificuldades dos produtores.

Margens já sob pressão

O golpe chega com a economia do setor já apertada. Segundo o SindArroz, o custo de produção gira em torno de R$ 75 por saca, enquanto o preço pago aos produtores está na faixa de R$ 60 — uma diferença que compromete a rentabilidade antes mesmo de somar a tarifa.

Rampinelli alertou que Santa Catarina e o Rio Grande do Sul podem estar entre as regiões mais afetadas, e não só pela cadeia do arroz. O Rio Grande do Sul é o maior exportador de arroz do Brasil, e outros segmentos exportadores, como madeira e revestimentos, também podem perder espaço nos Estados Unidos. “Todo o nosso Sul será prejudicado”, disse.

Uva é a maior vítima entre as frutas

No campo das frutas, a maioria das variedades brasileiras enviadas aos Estados Unidos foi isenta da sobretaxa, mas a uva não. A uva é a fruta de maior relevância ausente da lista de isenções, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), citado pelo Globo Rural. Assim, a principal exportação de fruta fresca do país aos Estados Unidos enfrenta os 25 % integrais, enquanto produtos concorrentes conseguiram alívio.

Para o setor arrozeiro, a tarifa é mais um obstáculo em um momento de margens apertadas e de busca por novos mercados para manter o equilíbrio da cadeia produtiva. “Não era um volume tão expressivo, mas já era um volume que ia enxugar mais o nosso mercado”, disse Rampinelli sobre as vendas aos Estados Unidos que absorviam parte da oferta interna.

Análise completa do mercado

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