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EUA retiram do Brasil 56 mil toneladas de cota de açúcar bruto

Washington confirmou a redistribuição de 56 mil toneladas de cota de importação de açúcar bruto do Brasil para outros fornecedores. O país poderá exportar 100 mil toneladas com tarifa reduzida no próximo ano fiscal, e República Dominicana e Filipinas ficaram com as maiores parcelas realocadas.

EUA retiram do Brasil 56 mil toneladas de cota de açúcar bruto

O governo dos Estados Unidos confirmou na quarta-feira, 23 de setembro, uma nova redistribuição de 56 mil toneladas de cota de importação de açúcar bruto do Brasil para outros países fornecedores, informou o mundoba.com.br. Com a decisão, o Brasil poderá exportar 100 mil toneladas ao mercado americano com a tarifa reduzida dentro da cota no próximo ano fiscal, volume 35,9% menor do que no ciclo anterior. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) formalizou a lista de países que recebem o montante retirado dos produtores brasileiros.

República Dominicana e Filipinas ficam com as maiores parcelas

A República Dominicana obteve a maior parcela individual, com 11.931 toneladas, seguida pelas Filipinas, com 9.151 toneladas; o restante foi distribuído entre outros países com acesso à cota americana. A medida não surpreendeu o mercado. A gestão do presidente Donald Trump havia previsto a redução em julho para o ano fiscal de 2027 e, em agosto, um alto funcionário em Washington condicionou a devolução da cota a “propostas comerciais satisfatórias”. As novas cotas tarifárias americanas entram em vigor em outubro, com validade de um ano.

O que o açúcar brasileiro paga agora

O corte se soma a tributos que já haviam subido. Segundo o mundoba.com.br, o açúcar bruto brasileiro enfrenta os seguintes encargos:

  • tarifa fora da cota de aproximadamente US$ 340 por tonelada;
  • sobretaxas cumulativas de 37,5% sobre o volume fora da cota, resultado de duas investigações do USTR;
  • taxa extra de 25% que também incide sobre o volume dentro da cota tarifária, referente a uma dessas apurações.

Cota de 1,14 milhão de toneladas fixada na OMC

A cota global de importação de açúcar bruto de cana nos EUA é de 1,14 milhão de toneladas por ano, patamar estipulado pelos compromissos do país na Organização Mundial do Comércio. O volume que entra dentro desse limite paga tarifa reduzida; o excedente paga a alíquota cheia. Como o total está travado pelo compromisso na OMC, a redistribuição não altera quanto açúcar bruto chega às refinarias americanas em condições preferenciais — altera a origem do produto. Para os compradores, muda a composição de fornecedores, não o volume disponível; para os exportadores, é uma transferência direta de margem de uma origem para outra.

Usinas do Nordeste preenchem o volume da cota

O Brasil exportou 292,4 mil toneladas de açúcar bruto ao mercado americano no ano passado, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia). É quase o triplo do volume que estará disponível com tarifa reduzida no próximo ano fiscal, o que mostra que a maior parte do açúcar brasileiro vendido aos EUA já segue pagando a alíquota cheia.

A divisão é regional. Os produtores do Nordeste preenchem o volume beneficiado pela cota, enquanto o fornecimento excedente vem do Sudeste. O corte atinge, portanto, de forma mais direta as usinas nordestinas, para as quais a parcela preferencial tem sido a base do acesso ao mercado americano. As usinas do Sudeste, responsáveis pela oferta fora da cota, absorvem as sobretaxas acumuladas em cada tonelada embarcada.

Com as novas cotas valendo apenas doze meses a partir de outubro e Washington vinculando qualquer devolução a concessões comerciais, a parcela brasileira passa a depender do andamento das negociações bilaterais, e não da safra ou do frete.

Análise completa do mercado

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