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Costa do Marfim prepara projeto de US$ 46 milhões para ampliar a indústria de moagem

A Costa do Marfim desenvolve um projeto de US$ 46 milhões para fortalecer sua indústria de moagem de trigo, informa a Agence Ecofin. O país é o segundo mercado de trigo importado da UEMOA, atrás do Senegal, e não cultiva trigo, o que faz da moagem o único elo com valor agregado local.

Costa do Marfim prepara projeto de US$ 46 milhões para ampliar a indústria de moagem

A Costa do Marfim prepara um projeto de US$ 46 milhões para fortalecer sua indústria de moagem de trigo, informa a Agence Ecofin. A iniciativa ainda está em fase de desenvolvimento e mira um setor que abastece um dos mercados de alimentos à base de trigo que mais crescem na África Ocidental francófona. Não há cronograma público de entrada em operação.

Segundo mercado de trigo da UEMOA

Dentro da União Econômica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA), a Costa do Marfim é o segundo mercado de trigo importado, atrás do Senegal, segundo a Agence Ecofin. A publicação associa o projeto ao apetite crescente da população marfinense por alimentos feitos com trigo — a base de demanda sobre a qual operam os moinhos locais.

A Costa do Marfim não cultiva trigo em escala comercial, já que o clima tropical inviabiliza a cultura, de modo que cada tonelada processada no país chega por via marítima. A moagem é, portanto, a única etapa da cadeia em que se captura valor local: farinha, sêmola, farelo e demais subprodutos são produzidos internamente, enquanto o grão é comprado no mercado internacional em moeda forte. Nessa estrutura, os ativos estratégicos do setor são a capacidade de processamento, o acesso portuário e a armazenagem, e não a área plantada ou a produtividade.

O que US$ 46 milhões compram

As informações divulgadas se limitam ao valor do projeto, US$ 46 milhões, e ao objetivo declarado de reforçar a indústria de moagem. Nessa escala, o orçamento corresponde a linhas de moagem novas ou modernizadas, silos e armazenagem e à logística entre porto e fábrica, e não a uma reformulação do setor. O resultado para os processadores dependerá da divisão dos recursos entre capacidade de moagem e armazenagem, porque a armazenagem define a flexibilidade de compra de um grão negociado em grandes cargas faturadas em dólar.

Um investimento em moagem em país dependente de importação tem efeitos além da farinha. Farelo e farinhas secundárias abastecem a avicultura e a pecuária locais, e uma moagem interna maior reduz a importação separada desses insumos. Panificação e fabricantes de massas e macarrão instantâneo ganham uma cadeia de suprimento mais curta e previsível.

Para os participantes do setor, algumas variáveis definirão se a nova capacidade se paga:

  • a utilização da capacidade nos moinhos marfinenses existentes, que sustenta a justificativa comercial de novas linhas;
  • a capacidade portuária e de silos, que determina quanto trigo pode ser comprado por embarque e por quanto tempo pode ser mantido;
  • o spread entre o custo do trigo importado e os preços do pão, politicamente sensíveis nos mercados da África Ocidental;
  • a demanda por subprodutos como o farelo, que abastece a nutrição animal local e melhora a economia do moinho.

Concorrência regional e fluxos de comércio

A UEMOA funciona como união aduaneira com tarifa externa comum, e por isso a farinha moída em um país-membro concorre com a moída em outro. O Senegal, maior mercado de trigo importado do bloco, sustenta há tempos sua indústria moageira nessa posição. A capacidade marfinense adicional entraria em um mercado regional em que os fluxos transfronteiriços de farinha já são possíveis, o que significa que decide o custo por tonelada posta no destino, e não apenas a proximidade.

Para os exportadores de trigo, o projeto sinaliza um comprador com necessidade de importação estrutural, e não cíclica: acrescentar capacidade de moagem em um país sem safra própria se traduz diretamente em demanda permanente por grão importado e, com ela, em frete, movimentação portuária e financiamento comercial. Para processadores e indústrias de alimentos locais, aponta para uma oferta interna mais profunda de farinha e subprodutos. A estrutura de financiamento, os investidores por trás dos US$ 46 milhões e o cronograma de obras não foram divulgados até agora.

Análise completa do mercado

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