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Cacau da Costa do Marfim enfrenta risco duplo de qualidade e de oferta

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, entra na fase mais intensa da safra principal 2026/2027 com déficit de chuvas nas zonas centrais de produção. Os produtores relatam dificuldade para secar as amêndoas já colhidas e queda de frutos pequenos. Análises divulgadas pela Reuters estimam agora a produção marfinense entre 1,7 e 1,8 milhão de toneladas, ante cerca de 2,2 milhões em 2025/2026.

Cacau da Costa do Marfim enfrenta risco duplo de qualidade e de oferta

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, entra na fase mais intensa da colheita da safra principal 2026/2027 com déficit de chuvas em várias de suas principais regiões produtoras. Os produtores relatam dificuldades para secar as amêndoas já colhidas e o surgimento de uma nova leva de frutos pequenos, preocupações divulgadas pela Reuters em 21 de setembro e detalhadas pelo La Tribune.

Chuvas bem abaixo do normal nas principais bacias

O déficit ocorre durante a estação chuvosa, que normalmente vai de abril até meados de novembro e se caracteriza por precipitações abundantes. Na semana passada não houve qualquer chuva em Soubré e Divo, duas áreas importantes do cinturão produtor marfinense. Em Agboville e Abengourou, as precipitações ficaram nitidamente abaixo da média. Em Daloa, chegaram a apenas 3,6 mm, ou seja, 26,1 mm a menos do que o normal.

O quadro segue em movimento. Em Daloa, uma boa chuva registrada na segunda-feira reacendeu a expectativa de precipitações mais regulares depois de uma semana com apenas 3,6 mm.

Secagem comprometida e frutos caindo

O primeiro risco diz respeito às amêndoas já colhidas. Em várias regiões, os produtores afirmam que o tempo encoberto impede a secagem adequada, o que gera receio de perda de qualidade. O calendário pesa: os volumes coletados devem crescer fortemente a partir da próxima semana e até dezembro.

O segundo risco é uma nova leva de frutos pequenos. Parte deles já cai das árvores, segundo os produtores, embora devessem alimentar a safra principal prevista entre setembro e fevereiro.

  • Em Soubré, produtores avaliam que chuvas irregulares até meados de outubro poderiam encerrar a colheita já em dezembro.
  • Em Agboville, Abengourou e Divo, os produtores relatam condições semelhantes.
  • Em Bongouanou e Yamoussoukro, também consideram necessário o retorno das precipitações.

Vendas antecipadas freadas e projeção reduzida

O Conseil du Café-Cacao já reduziu fortemente as vendas antecipadas da safra principal 2026/2027 para refinar suas estimativas. Cerca de 1,15 milhão de toneladas havia sido vendido. O objetivo é evitar fechar mais contratos do que o país conseguiria efetivamente entregar às multinacionais e às tradings.

Análises divulgadas pela Reuters estimam agora a produção marfinense entre 1,7 e 1,8 milhão de toneladas em 2026/2027, ante quase 2,2 milhões de toneladas em 2025/2026. Esses números continuam sendo projeções e sua evolução dependerá sobretudo das condições meteorológicas das próximas semanas; os produtores apontam meados de outubro como prazo decisivo para manter a colheita.

Expectativas de preço em revisão

O alerta chega a um mercado que já havia incorporado as colheitas da África Ocidental às suas projeções. O cacau atingiu 12.906 dólares por tonelada em dezembro de 2024 e recuou desde o início de 2026 para a faixa de 3.000 a 4.000 dólares, na expectativa de um retorno ao superávit graças às melhores perspectivas de safra na Costa do Marfim e em Gana para 2025/2026. Em 9 de julho, porém, as cotações chegaram a 6.094 dólares em Nova York e 4.521 libras esterlinas em Londres, os maiores níveis em seis meses.

O desenvolvimento esperado do El Niño no segundo semestre de 2026 reacendeu as preocupações em uma região que fornece mais de 60% da oferta mundial de cacau. Depois de duas safras difíceis, o mercado contava com um retorno à abundância na África Ocidental. A seca em plena estação chuvosa, somada a uma projeção marfinense reduzida, deixa essa recuperação longe de garantida.

Análise completa do mercado

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