Coreia e Brasil retomam negociações do ALC com o Mercosul e abrem acesso para carne bovina e suína
Os presidentes Lee Jae-myung e Lula acordaram em Brasília retomar em dezembro as negociações do ALC entre a Coreia e o Mercosul após onze anos de paralisia. Seul iniciará uma revisão das importações de carne bovina brasileira com uma inspeção em agosto e ampliará as regiões autorizadas de suínos, ao lado de um pacto de minerais críticos.
Seul e Brasília reativam as negociações comerciais com o Mercosul
A Coreia do Sul e o Brasil acordaram retomar as negociações de livre comércio entre Seul e o bloco do Mercosul após onze anos de paralisia, com as conversações formais previstas para dezembro. O compromisso seguiu-se a uma cúpula entre os presidentes Lee Jae-myung e Luiz Inácio Lula da Silva realizada em Brasília em 27 de julho, segundo a agência Yonhap e os veículos brasileiros Opera Mundi e Compre Rural.
O gabinete presidencial da Coreia divulgou uma declaração conjunta que descreve o objetivo como alcançar resultados concretos e mutuamente satisfatórios em tempo oportuno. O Mercosul, o mercado comum sul-americano, reúne o Brasil e seus vizinhos, e as negociações estavam paralisadas havia mais de uma década antes de a cúpula devolvê-las à agenda.
Começa o procedimento de revisão da carne bovina
O acesso agrícola foi o prêmio central para o Brasil. Seul concordou em iniciar o procedimento formal de revisão exigido antes que a carne bovina brasileira possa entrar no mercado coreano, um objetivo antigo do Brasil. Segundo Asiatoday e Yonhap, uma inspeção in loco no Brasil está prevista para agosto, um passo rumo à abertura do mercado. Autoridades brasileiras manifestaram a expectativa de que a Coreia admita sua carne bovina.
O comércio de suínos está mais avançado. A carne suína brasileira já chega à Coreia a partir do estado de Santa Catarina, e as duas partes acordaram acelerar os procedimentos para ampliar a lista de regiões habilitadas a exportar suínos para a Coreia além de Santa Catarina. Essa ampliação pode elevar os volumes sem começar do zero, já que o canal de fornecimento já existe.
Minerais e segurança na declaração conjunta
Para além dos alimentos, os governos assinaram um pacote mais amplo que, segundo o gabinete presidencial, cresceu para um total de oito acordos, incluindo um memorando de entendimento sobre minerais críticos e estratégicos como as terras raras, com a transferência de tecnologia entre as áreas abrangidas. O pacto integra o esforço de Seul para diversificar as fontes de materiais centrais para baterias e eletrônicos, enquanto o Brasil busca tecnologia e capacidade de processamento.
A declaração conjunta também abordou a geopolítica. Manifestou preocupação com a situação no Estreito de Ormuz, apelou a uma paz duradoura na Ucrânia e reafirmou o apoio à desnuclearização da península coreana e aos esforços da Coreia do Sul.
O que vem a seguir
O calendário imediato apoia-se em duas datas: a inspeção de agosto das instalações de carne bovina brasileiras e a retomada em dezembro das negociações Coreia-Mercosul. Uma mesa-redonda empresarial coreano-brasileira ocorreu separadamente em São Paulo em 28 de julho, onde o presidente Lee se reuniu com o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin, segundo a cobertura do pool de imprensa coreano. Para exportadores e importadores de ambos os lados, o resultado prático depende de a revisão da carne bovina e a ampliação das zonas de suínos se converterem em novos embarques, e da rapidez com que avançam as negociações reativadas com o Mercosul.