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Cerveja sem álcool ultrapassa 6% da receita cervejeira global

A cerveja sem álcool responde por pouco mais de 6% da receita cervejeira mundial e cresce entre 6% e 17% ao ano há cinco anos. A Statista Market Insights projeta vendas globais de US$ 49 bilhões até 2030. Na UE, a produção do segmento chegou a 2,1 bilhões de litros em 2025, enquanto a produção total de cerveja caiu 0,7%.

Cerveja sem álcool ultrapassa 6% da receita cervejeira global

A cerveja sem álcool deixou de ser uma linha marginal e virou um dos poucos motores de crescimento de um mercado cervejeiro global com demanda fraca. O segmento responde por pouco mais de 6% da receita mundial com cerveja, mas avança entre 6% e 17% ao ano há cinco anos. A Statista Market Insights projeta que as vendas globais de cerveja sem álcool cheguem a US$ 49 bilhões até 2030, quase o dobro do patamar de 2021.

O que muda não é a frequência dos encontros, e sim o que se bebe neles. A demanda por ocasiões sociais se mantém, enquanto o volume de álcool consumido nelas cai de forma clara.

Europa: produção em queda, fatia sem álcool em alta

Dados do Eurostat mostram que a produção total de cerveja na União Europeia somou 34,4 bilhões de litros em 2025, queda de 0,7% em relação ao ano anterior. A cerveja sem álcool e a de teor inferior a 0,5% alcançaram 2,1 bilhões de litros, mais de 6% da produção total do bloco.

A Alemanha é a maior produtora de cerveja sem álcool da UE, enquanto a Espanha lidera o consumo. A Cerveceros de España registrou alta de 4,6% nas vendas espanholas de cerveja sem álcool em 2025, com recorde de 330 milhões de litros, equivalente a 14% de toda a cerveja consumida no país — mais que o dobro do peso do segmento na produção europeia.

No Reino Unido, pesquisa citada pela The Drinks Business apontou que 60% dos consumidores já consideram a qualidade da cerveja sem álcool equivalente à da cerveja tradicional. Na rede de pubs independentes Craft Locals, a cerveja sem álcool responde por 4,6% da receita total com bebidas. «Os clientes estão pedindo essa linha de forma ativa», afirma o presidente-executivo Mitch Adams. «Garantimos que cada unidade tenha uma opção sem álcool de verdade, e não um item apenas para constar».

A tecnologia fechou a diferença de sabor

A convergência de qualidade se explica principalmente pela tecnologia de produção. As cervejarias foram além do simples aquecimento para evaporar o álcool, e três técnicas concentram a maior parte do ganho:

  • cepas de levedura específicas que limitam a formação de álcool durante a fermentação
  • osmose reversa, que separa o álcool da cerveja pronta
  • destilação a vácuo, que retira o álcool em baixa temperatura

Juntos, esses métodos eliminaram as notas de grão cru que marcavam a categoria e preservaram o sabor característico da cerveja. «As cervejarias são obrigadas a se concentrar mais na cerveja sem álcool porque as vendas de cerveja alcoólica caem em vários mercados», avalia a degustadora de cerveja Anikó Lehtinen. «Essa linha ganhou melhor espaço nas prateleiras dos supermercados, e até os restaurantes passaram a colocar várias cervejas sem álcool no cardápio em vez de oferecer uma única opção simbólica».

O consumidor jovem dita o ritmo

O sinal mais forte vem dos consumidores jovens. As vendas no varejo de cerveja sem álcool nos Estados Unidos chegaram a US$ 583 milhões, e 51% das pessoas de 18 a 25 anos consomem regularmente produtos sem álcool ou de baixo teor alcoólico.

A Ásia mostra movimento semelhante. Dados citados pelo The Korea Times indicam que sul-coreanos na faixa dos 20 anos consomem em média 64,8 gramas de álcool por dia, abaixo dos 66,8 gramas registrados entre os maiores de 60. A parcela de pessoas de 19 a 29 anos que não bebe álcool algum ou escolhe apenas cerveja sem álcool atingiu recorde de 56%. A mudança levou grandes grupos como a Heineken a reorganizar o portfólio em direção a linhas sem álcool, sem açúcar e de baixa caloria.

Apelo nutricional e risco de rotulagem

O perfil nutricional começa a integrar o argumento de venda. Estudo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry analisou 65 cervejas e concluiu que uma lata comum de lager fornece 20% da ingestão diária recomendada de vitamina B6, enquanto a versão sem álcool fornece perto de 59%. Esses produtos também têm bem menos calorias.

Especialistas em saúde alertam contra tratar a categoria como suplemento nutricional. Sonya Angelone, nutricionista em São Francisco, observa que essas bebidas continuam sem nutrientes centrais como proteína e fibra. Testes também mostraram que cerca de 30% das cervejas sem álcool no mercado contêm mais álcool do que o declarado no rótulo — um risco relevante para gestantes, pessoas com doença hepática e quem precisa evitar álcool por completo.

Análise completa do mercado

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