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Produção de açúcar do Centro-Sul cai 4,8% mesmo com moagem de cana 3,3% maior

As usinas do Centro-Sul do Brasil moeram 51,9 milhões de toneladas de cana na segunda quinzena de agosto, 3,3% mais do que um ano antes, segundo o Globo Rural. A produção de açúcar caiu cerca de 4,8% no mesmo período, para 3,72 milhões de toneladas, informou a Forbes Brasil, com as usinas seguindo destinando cana ao etanol. A diferença entre matéria-prima e açúcar afeta diretamente o balanço global.

Produção de açúcar do Centro-Sul cai 4,8% mesmo com moagem de cana 3,3% maior

As usinas do Centro-Sul do Brasil, maior região produtora de açúcar do mundo, processaram mais cana na segunda quinzena de agosto do que um ano antes, mas converteram menos matéria-prima em açúcar. Os dados oficiais divulgados pela Forbes Brasil e pelo Globo Rural mostram uma diferença crescente entre a oferta de cana e a produção do adoçante.

A moagem no período somou 51,9 milhões de toneladas, alta de 3,3% na comparação anual, segundo o Globo Rural. A produção de açúcar na mesma quinzena chegou a 3,72 milhões de toneladas, queda de cerca de 4,8%, informou a Forbes Brasil, com as usinas mantendo o direcionamento de cana para o etanol.

Mais cana, menos açúcar

A divergência é a marca do período. Volume maior de cana costuma significar mais cristal, mas a produção seguiu na direção oposta. A queda, portanto, não vem da lavoura: a safra entregou mais matéria-prima do que na quinzena equivalente do ciclo anterior, e a diferença resulta de decisões de mix tomadas usina a usina.

As unidades do Centro-Sul são majoritariamente flex. Dentro de limites técnicos e contratuais, podem deslocar caldo e melaço entre a cristalização de açúcar e a destilação de etanol conforme muda a rentabilidade relativa. É essa flexibilidade que torna a oferta brasileira o fator de ajuste do balanço mundial de açúcar — e na segunda quinzena de agosto a escolha pendeu para o combustível.

A tonelada adicional vai para o etanol

Quando as usinas destinam a cana extra à destilação, o efeito sobre o mercado de açúcar é imediato: safra maior não se converte em excedente exportável maior. O Brasil abastece de açúcar bruto refinarias da Ásia, do Norte da África e do Oriente Médio, e os dados quinzenais de mix são acompanhados de perto por traders como leitura quase em tempo real de quanto açúcar chegará de fato aos terminais de exportação.

A decisão também tem dimensão interna. O etanol é absorvido sobretudo dentro do Brasil: o hidratado concorre com a gasolina na bomba e o anidro é misturado a ela. A cana destinada ao combustível sai por completo do mercado internacional do adoçante, ao contrário do açúcar, que é largamente exportado.

O que significa para o balanço global

Para os compradores, a combinação de moagem maior com produção menor de açúcar dificulta o planejamento de suprimento. Projeções de safra dizem pouco sobre disponibilidade quando o mix pode mudar em quinze dias. Os números de agosto mostram a diferença se abrindo no meio da safra, e não no fim, quando a qualidade da cana e a carga das usinas costumam ser mais favoráveis ao açúcar.

  • Cana moída na segunda quinzena de agosto: 51,9 milhões de toneladas, alta de 3,3% na comparação anual, segundo o Globo Rural
  • Açúcar produzido na mesma quinzena: 3,72 milhões de toneladas, queda de cerca de 4,8%, segundo a Forbes Brasil
  • Fator apontado: usinas seguem direcionando cana para o etanol em vez de açúcar

Para os produtores, os dados indicam que a restrição desta safra não é capacidade nem matéria-prima, e sim a alocação. Para importadores e refinarias, a conclusão prática é que o tamanho da safra diz pouco sobre quanto açúcar será ofertado ao exterior. Os próximos relatórios quinzenais vão mostrar se a inclinação ao etanol se mantém até o fim da safra do Centro-Sul ou se inverte com a mudança de rentabilidades.

Análise completa do mercado

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