Botsuana recebe segundo lote de gado leiteiro brasileiro para a Milk Valley Farm
A Botswana Development Corporation recebeu do Brasil um segundo lote de 205 bovinos leiteiros Girolando para a Milk Valley Farm, em Lobatse. O projeto prevê um rebanho de aproximadamente 3.000 animais e produção anual de cerca de 15 milhões de litros de leite, reduzindo a dependência das importações sul-africanas.
Segundo lote acelera a expansão da fazenda
A Botswana Development Corporation (BDC) recebeu do Brasil um segundo lote de 205 bovinos leiteiros Girolando para ampliar a Milk Valley Farm, em Lobatse. Segundo o The Voice, o carregamento chegou no sábado, após uma primeira remessa de 186 vacas entregue em julho. Outros 206 animais são esperados nos próximos dias.
As três remessas elevarão para perto de 600 o número de animais recebidos do Brasil. A BDC comprou 1.000 bovinos por meio de um programa de importação em etapas. O restante chegará à medida que a propriedade se transformar em uma operação leiteira comercial de grande escala. A raça Girolando foi escolhida por seu potencial de produção, resistência e adaptação ao clima mais quente de Botsuana.
Meta anual chega a 15 milhões de litros
Em plena capacidade, a Milk Valley Farm pretende manter aproximadamente 3.000 bovinos e produzir cerca de 15 milhões de litros de leite por ano. O investimento busca preencher uma lacuna considerável no mercado lácteo de Botsuana. A produção nacional ainda está em estágio inicial, e a maior parte da demanda é atualmente atendida por importações da vizinha África do Sul.
O ministro do Comércio e Empreendedorismo, Tiroeaone Ntsima, afirmou que a fazenda atende a prioridades nacionais como segurança alimentar, menor dependência das importações e desenvolvimento de uma indústria doméstica competitiva. Ele também destacou a possibilidade de reter mais valor econômico em Botsuana com atividades além da produção primária. O diretor-geral da BDC, Oteng Keabetswe, apontou possíveis ganhos em empregos, qualificação, empresas nacionais e oportunidades em toda a cadeia leiteira.
Infraestrutura sustenta a escala comercial
A BDC investiu em uma sala de ordenha rotativa com 72 postos, instalações modernas para os animais, ampliação da infraestrutura hídrica e sistemas de alimentação e forragem. O projeto também inclui sistemas modernos de manejo e reprodução do rebanho e instalações reforçadas de biossegurança. Em junho de 2026, o Departamento de Serviços Veterinários de Botsuana concedeu à Milk Valley Farm o status de compartimento leiteiro livre de febre aftosa, fortalecendo sua base sanitária.
A fazenda pode gerar demanda por ração e forragem locais, serviços veterinários, transporte, logística, manutenção de equipamentos e capacidade de cadeia fria. Reprodução, distribuição de gado e processamento de laticínios também podem se beneficiar com o aumento do volume. O efeito comercial dependerá da velocidade com que a BDC concluirá a formação do rebanho e converterá a nova capacidade em produção estável. Ainda assim, os animais importados e a infraestrutura instalada já formam uma base produtiva mensurável para substituir parte das importações de laticínios de Botsuana.