Arroz jasmim tailandês perde espaço na China com preços elevados
As exportações de arroz da Tailândia para a China caíram 44,84%, para 139.460 toneladas, entre janeiro e maio de 2026. Preços altos, variedades chinesas melhores e mudanças no consumo estão reduzindo a demanda.
Embarques para a China caem com força
O setor tailandês de arroz premium enfrenta menor demanda na China devido aos preços altos, à melhora das variedades locais e às mudanças na alimentação. Segundo a Thai PBS, a Tailândia exportou cerca de 139.460 toneladas de arroz para a China nos primeiros cinco meses de 2026, queda de 44,84% ante as aproximadamente 252.817 toneladas do mesmo período do ano anterior. O arroz branco respondeu pelo maior volume, seguido pelo arroz glutinoso, o Hom Mali tailandês, outros tipos de arroz aromático tailandês e o arroz integral.
A retração contrasta com a meta nacional de exportação. A Tailândia embarcou 3,5 milhões de toneladas de arroz nos primeiros seis meses de 2026 e manteve o objetivo de 7 milhões de toneladas no ano. Historicamente, as exportações anuais para a China variaram de 440.000 a 750.000 toneladas, no valor aproximado de 10 bilhões a 13,6 bilhões de bahts, ou $300 milhões a $400 milhões. Esses embarques representaram cerca de 7% a 12% das importações chinesas de arroz.
Posição premium amplia desvantagem de preço
Os consumidores chineses reconhecem o sabor e a qualidade do arroz tailandês, considerado um produto premium e usado inclusive como presente em festividades. Seu preço, porém, supera o do arroz do Vietnã, Paquistão e Índia, além do produto chinês. De acordo com a Thai PBS, o preço tornou-se um fator decisivo de compra e os fornecedores tailandeses estão perdendo participação de mercado.
O balanço doméstico da China aumenta a pressão competitiva. O país produz aproximadamente 180 milhões a 185 milhões de toneladas de arroz por ano e consome cerca de 145 milhões a 148 milhões de toneladas. O excedente anual disponível para exportação é estimado em 1 milhão a 2 milhões de toneladas. A demanda total chinesa caiu de cerca de 154 milhões para aproximadamente 145 milhões de toneladas, à medida que consumidores mais jovens comem menos arroz, optam por outros cereais ou os misturam ao arroz. A China também desenvolve variedades mais produtivas, com melhor sabor, qualidade e diversidade, a preços mais acessíveis.
O acesso ao mercado permanece rigidamente controlado. A China importa arroz por um sistema de cotas, enquanto exportadores, produtores e processadores estrangeiros precisam de registro na Administração Geral das Alfândegas da China antes de embarcar. Atualmente, 115 exportadores tailandeses estão registrados. Cerca de 80% do arroz tailandês que entra na China é distribuído nas regiões do sul, principalmente por atacadistas e varejistas que atendem restaurantes, hotéis, lojas de departamentos, supermercados e pontos de venda modernos dos segmentos médio e alto.
Tailândia aposta em qualidade e demanda especializada
As autoridades tailandesas procuram defender o mercado por meio da diferenciação, não da concorrência direta por preço. A promoção destaca sabor, padrões, qualidade e diversidade, com foco em consumidores jovens e de meia-idade com poder de compra. As vendas por transmissões ao vivo são usadas para chegar a esse público. O arroz glutinoso oferece uma oportunidade específica porque é empregado em zongzi, bolinhos doces de arroz e bebidas alcoólicas, com maior procura durante festividades tradicionais.
As operações entre governos são outro canal. A Tailândia e a COFCO concluíram a entrega de 40.000 toneladas de arroz branco da nova safra com 5% de grãos quebrados, referente à nona parcela de um acordo. Em 24 de junho, a Tailândia apresentou um preço de entrega para uma décima parcela proposta de 60.000 toneladas, ainda em análise pela COFCO.
O Departamento de Comércio Exterior e a agência tailandesa de apoio às pequenas e médias empresas também levaram 28 companhias de arroz e derivados à Thai Rice Roadshow realizada em Guangzhou de 17 a 19 de julho de 2026. Depois de ações em Hong Kong, Japão e Coreia do Sul, missões de exportadores estão previstas para as Filipinas e a Malásia em agosto. Como há pouco espaço para competir por preço na China, a preservação da demanda premium dependerá de qualidade comprovada, usos especializados e acesso a compradores dispostos a pagar mais.