Produtores de cana sul-africanos enfrentam falta de mão de obra após saída de trabalhadores migrantes
Os produtores de cana-de-açúcar da África do Sul não conseguem formar as turmas de colheita depois que trabalhadores migrantes deixaram as regiões agrícolas em meio a sentimento antimigrante e operações de fiscalização. A cana ainda é cortada majoritariamente à mão, de modo que a perda de cortadores experientes atinge diretamente o volume entregue, a qualidade da matéria-prima e a utilização das usinas.
Os produtores de cana-de-açúcar da África do Sul têm dificuldade para reunir mão de obra suficiente para a colheita depois que trabalhadores migrantes deixaram as regiões agrícolas em meio a sentimento antimigrante e a uma série de operações de fiscalização. Com isso, encolhe a força de trabalho da qual depende uma das culturas mais intensivas em mão de obra do país.
Por que a cana é especialmente exposta
A cana-de-açúcar na África do Sul continua sendo cortada em grande parte à mão. As turmas de colheita trabalham em um calendário apertado: a cana é cortada, carregada e entregue à usina em prazo curto, e a cana queimada precisa sair ainda mais rápido, antes que a sacarose do colmo comece a se degradar. Mão de obra não é um custo acessório nesse sistema; é o mecanismo que leva a safra do campo à usina.
A experiência pesa tanto quanto o número de trabalhadores. Um cortador experiente avança mais linhas por dia do que um recém-contratado e corta mais perto da base do colmo, onde a concentração de sacarose é maior. Quando turmas já formadas se dispersam, os produtores perdem capacidade e qualidade ao mesmo tempo, e nenhuma das duas se recompõe em uma única safra.
O aperto chega à usina
As usinas são operações de custo fixo elevado, projetadas para funcionar de forma contínua durante a safra de moagem. Seus custos unitários caem conforme a moagem aumenta, o que torna um fluxo diário estável de cana mais valioso do que um fluxo grande, porém irregular. A falta de cortadores aparece na usina como capacidade ociosa, safra alongada e custo de processamento mais alto por tonelada de açúcar produzida.
Os produtores que não conseguem completar as turmas têm poucas alternativas:
- elevar salários ou oferecer incentivos para atrair trabalhadores de outras regiões, o que aumenta o custo de uma cultura cujo preço não é definido por eles;
- colher uma área menor e deixar o restante em pé, transferindo o risco para a safra seguinte;
- estender a colheita por mais tempo, empurrando o corte para condições menos favoráveis;
- contratar prestadores de serviço, quando houver algum disponível em um mercado em que todos estão sem gente ao mesmo tempo.
Mecanização não resolve no curto prazo
A colheita mecanizada é a resposta estrutural óbvia e também a mais lenta. Colhedoras são bens de capital com retorno em vários anos, exigem operadores treinados e uma cadeia de manutenção, e têm desempenho ruim em áreas íngremes e recortadas. A restrição é mais dura para os pequenos produtores, cujos talhões são pequenos demais para justificar uma máquina e que dependeriam de prestadores ou de arranjos cooperativos. A mecanização também elimina justamente os empregos que fazem da cana um empregador relevante no meio rural, o que tem custo próprio onde o trabalho agrícola é uma das poucas fontes de salário formal.
Uma questão de mercado de trabalho, não só de lavoura
Trabalhadores migrantes integram há muito tempo a força de trabalho agrícola na África Austral, e as culturas sazonais dependem dessa mobilidade. O que muda a conta para os produtores não é apenas o número de trabalhadores que já foram embora, mas a incerteza que vem depois. Os trabalhadores costumam sair antes da fiscalização, em vez de esperá-la, e as saídas atingem com mais força os empregadores cuja demanda por mão de obra se concentra em poucos meses do ano.
Para a cadeia do açúcar, os efeitos são cumulativos e não imediatos. Uma safra perturbada aparece como menor tonelagem entregue e menor recuperação de sacarose. Uma escassez que se estende por várias safras vai além: menos renovação de canaviais, lavouras envelhecidas, menor utilização das usinas e uma resposta mais lenta da oferta quando os preços melhoram. O açúcar produzido na África do Sul atende tanto o mercado interno quanto compradores regionais, de modo que uma queda sustentada nas entregas de cana seria sentida primeiro no abastecimento local e depois nos volumes disponíveis para exportação.
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