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Acordo UE-Austrália abre quota de 25.000 toneladas de carne de ovino sem tarifas e provoca revolta dos criadores

O acordo de livre comércio UE-Austrália, assinado a 24 de março, abre o mercado europeu a 25.000 toneladas de carne de ovino sem tarifas. A espanhola Interovic alerta que o acordo pode apagar cerca de 770.000 hectares de pastagens e pede que o ovino seja declarado "setor sensível", enquanto a interprofissional da carne francesa interpelou Emmanuel Macron.

Acordo UE-Austrália abre quota de 25.000 toneladas de carne de ovino sem tarifas e provoca revolta dos criadores

Acordo UE-Austrália abre acesso sem tarifas para o ovino

O novo acordo de livre comércio da União Europeia com a Austrália, assinado a 24 de março, abre o mercado do bloco a 25.000 toneladas de carne de ovino livres de tarifas, segundo a imprensa regional francesa. A disposição desencadeou oposição em todo o setor ovino europeu, onde as organizações do setor e os criadores alertam para a pressão sobre os preços, as pastagens e os pequenos produtores. O acordo segue-se a pactos comerciais anteriores da UE com o bloco Mercosul e a Índia.

Organizações do setor pedem o estatuto de "setor sensível"

Em Espanha, a Interovic, a organização interprofissional da carne de ovino e caprino, alertou que o acordo pode apagar cerca de 770.000 hectares de pastagens. A organização pediu que a criação de ovinos seja declarada "setor sensível", um estatuto que permitiria uma gestão mais rigorosa das importações em vez de um fluxo aberto sem tarifas. A Interovic coloca a preocupação em termos de uso do solo: o pastoreio extensivo mantém em produção grandes áreas de pastagens marginais, e uma maior concorrência das importações poderia expulsar rebanhos da atividade.

Interprofissional francesa interpela Macron

Em França, a associação interprofissional da pecuária e das carnes apelou na quinta-feira ao presidente Emmanuel Macron para que se pronuncie publicamente sobre o projeto de acordo UE-Austrália e exigiu que o setor seja excluído das concessões do pacto. O apelo coloca a quota de ovino ao lado do mal-estar mais amplo do setor agrícola francês face às sucessivas aberturas comerciais, depois dos acordos com o Mercosul e a Índia. Segundo a imprensa francesa, o setor quer que o governo defenda os produtores nacionais antes de o acordo avançar.

Pequenos produtores alertam para perdas irreversíveis

A preocupação é mais aguda entre as pequenas explorações. No departamento de Ariège, no sul de França, duas criadoras que trabalham em circuito curto deram o alarme sobre o acordo. "Se as pequenas explorações desaparecerem, não será possível recuar", alertaram, segundo a imprensa local, sustentando que uma exploração ovina de pequena escala, uma vez encerrada, dificilmente se reconstrói.

O que significa para os fluxos comerciais

Para os importadores, o acordo cria um novo canal de baixas tarifas para a carne de ovino australiana na UE. Para os produtores e exportadores europeus, acrescenta concorrência direta em borrego e carneiro num mercado já sensível aos preços. A questão central em aberto é se Bruxelas concederá ao setor ovino o estatuto de "sensível" reivindicado pela Interovic, o que determinará com que rigor a quota de 25.000 toneladas será gerida quando o acordo entrar em vigor.

Análise completa do mercado

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