Acordo Índia–Nova Zelândia pode entrar em vigor em 19 de outubro
O acordo de livre comércio entre Índia e Nova Zelândia pode entrar em vigor em 19 de outubro e zerar tarifas para todas as exportações indianas em mais de 8.200 linhas tarifárias. A Índia liberalizará cerca de 70% de suas linhas, mas excluirá laticínios e determinados produtos agrícolas.
Implementação é esperada para outubro
O acordo de livre comércio entre Índia e Nova Zelândia pode entrar em vigor em 19 de outubro, segundo o Aaj Tak. A data efetiva deverá ser definida em comum acordo pelos dois governos. O ministro indiano do Comércio e Indústria, Piyush Goyal, e o ministro neozelandês do Comércio e Investimento, Todd McClay, assinaram o documento em 27 de abril no Bharat Mandapam, em Nova Délhi, na presença do primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon.
O acordo busca ampliar o comércio bilateral de bens e serviços e incentivar investimentos. As negociações começaram em 2010, foram retomadas em março de 2025 e terminaram em dezembro de 2025, após cinco rodadas formais. O tratado dá continuidade à expansão das parcerias comerciais da Índia, depois de acordos com Maurício, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Associação Europeia de Livre Comércio e Reino Unido.
Exportações indianas terão cobertura integral com tarifa zero
Quando o acordo entrar em vigor, a Nova Zelândia concederá acesso sem tarifas a 100% das exportações indianas, abrangendo mais de 8.200 linhas tarifárias. Entre os principais setores beneficiados estão têxteis, vestuário, couro, calçados, produtos de engenharia, alimentos processados e produtos farmacêuticos. Atualmente, a Nova Zelândia aplica tarifas de até 10% a determinadas mercadorias indianas, incluindo cerâmica, tapetes, automóveis e componentes automotivos.
A retirada dessas tarifas deve melhorar a competitividade de preços dos produtos indianos no mercado neozelandês. O efeito comercial dependerá da capacidade dos exportadores de fechar acordos de distribuição e conquistar pedidos maiores. A mudança será particularmente relevante para fabricantes de categorias nas quais uma tarifa de até 10% elevava diretamente o custo do produto importado.
Índia abre a maior parte do mercado, mas protege os laticínios
A Índia liberalizará cerca de 70% de suas linhas tarifárias, que representam aproximadamente 95% das exportações da Nova Zelândia em valor. Cerca de 57% das linhas ficarão imediatamente livres de tarifas, enquanto as reduções para os demais produtos abrangidos serão graduais. A Índia excluiu laticínios e determinados produtos agrícolas de seus compromissos, limitando a pressão sobre setores domésticos sensíveis.
Fornecedores neozelandeses de lã, vinho, carvão, carne ovina e produtos florestais e de madeira devem obter melhores condições de acesso à Índia. Embarques de kiwi, maçã, abacate e mirtilo também podem ser beneficiados. Os países planejam ainda cooperação agrícola, incluindo apoio técnico e de outros tipos para agricultores indianos que cultivem produtos como kiwi e maçã.
O acordo também estabelece uma cota de 5.000 vistos para o emprego temporário de profissionais indianos e medidas destinadas a facilitar a mobilidade de estudantes e trabalhadores qualificados. A Nova Zelândia se comprometeu a investir US$ 20 bilhões na Índia ao longo dos próximos 15 anos. Os países pretendem duplicar o comércio bilateral para US$ 5 bilhões em cinco anos. Segundo o Aaj Tak, o comércio de mercadorias somou cerca de US$ 1,3 bilhão em 2024-25, enquanto o comércio total ficou em aproximadamente US$ 2,4 bilhões em 2024.