Observações de relatórios anteriores
Entre 2018 e 2021, o mercado brasileiro de resíduos de papel e papelão passou por flutuações moderadas, inicialmente limitadas pela infraestrutura de coleta inadequada e baixa conscientização dos consumidores. A entrada de novos players privados, como a nova fábrica de embalagens de papelão ondulado da Mazurky, começou a expandir a capacidade de reciclagem. A pandemia de COVID-19 em 2020 interrompeu a coleta em centros comerciais, mas simultaneamente impulsionou a demanda por materiais de embalagem, elevando a taxa de reciclagem de papel para 70% e criando uma escassez que pressionou os preços para cima. Essa maior demanda sustentou o volume de mercado, que atingiu 5,1 milhões de toneladas em 2021, com taxas de reciclagem mantidas acima de 68% e a coleta de papel ondulado alcançando uma taxa de recuperação de 91,4%.
A trajetória do mercado mudou a partir de 2022 com a introdução do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) e do Decreto Federal 10.936/2022, que estabeleceu o programa Recicla+ para estimular a reciclagem. Apesar desses incentivos regulatórios, grandes produtores como Klabin e Westrock expandiram seus projetos de kraft liner de fibra virgem, reduzindo a demanda interna por papel reciclado. Em 2023, a Klabin inaugurou novas máquinas de celulose virgem e suspendeu temporariamente unidades de papel reciclado, priorizando a fibra primária. Combinado com restrições governamentais à importação de resíduos e uma queda de 60% nos preços do papel de resíduo devido a um excesso de oferta de celulose virgem, o volume total coletado pelos processadores caiu aproximadamente um terço, levando a uma forte contração no tamanho do mercado para 4,3 milhões de toneladas.
Nos anos seguintes, o mercado continuou a enfrentar desafios, com a taxa de reciclagem caindo para 59,7% em 2024. Discussões legislativas sobre isenções fiscais para papel reciclado e o iminente Decreto 12.688/2025—que estabeleceu metas progressivas para reciclagem e conteúdo reciclado em embalagens—influenciaram o planejamento das empresas. Em 2025, o decreto entrou em vigor, determinando o aumento das taxas de recuperação e conteúdo reciclado até 2040, enquanto o mercado viu um aumento nas importações de papel reciclado pronto, refletindo distorções regulatórias e a volatilidade contínua de preços.
Sumário
- 1. Aviso legal
- 2. Termos de uso do relatório
- 3. Códigos de produtos nas classificações estatísticas usadas no relatório
-
4. Principais indicadores e tendências do mercado
-
4.1. Principais indicadores do mercado
-
4.1.1. Em espécie
- 4.1.1.1. Produção, 2018-2023
- 4.1.1.2. Importações, 2018-2025
- 4.1.1.3. Exportações, 2018-2025
- 4.1.1.4. Tamanho do mercado, 2018-2023
-
4.1.1. Em espécie
- 4.2. Tendências e fatores do mercado
-
4.1. Principais indicadores do mercado
-
5. Produção
-
5.1. Produção no Brasil
- 5.1.1. Dinâmica anual da produção no Brasil em espécie, 2018-2023, mil t
- 5.1.2. Dinâmica anual da produção no Brasil em valor, 2018-2023, $ US
-
5.2. Produção global por país, 2018-2023
- 5.2.1. Dinâmica anual da produção por macrorregiões em espécie, 2018-2023, mil t
- 5.2.2. Dinâmica da estrutura de produção por macrorregiões em espécie, 2018-2023
- 5.2.3. Dinâmica anual da produção por país em espécie, 2018-2023, mil t
- 5.2.4. Estrutura da produção por países em espécie, 2018-2023
- 5.2.5. Dinâmica da estrutura de produção por países em espécie, 2018-2023
-
5.1. Produção no Brasil
-
6. Exportações
-
6.1. Exportações (Dados diretos)
- 6.1.1. Exportações - Informações gerais
-
6.1.2. Exportações em espécie, mil t
- 6.1.2.1. Dinâmica anual de exportações do produto do Brasil em espécie, 2018-2025, mil t
- 6.1.2.2. Dinâmica de exportações do produto em espécie do Brasil por países, 2018-2025, mil t
- 6.1.2.3. Estrutura de exportações do produto em espécie por países, 2018-2025
-
6.1.3. Exportações em valor, mil $ US
- 6.1.3.1. Dinâmica anual de exportações do produto do Brasil em valor, 2018-2025, mil $ US
- 6.1.3.2. Dinâmica de exportações do produto em valor do Brasil por países, 2018-2025, mil $ US
- 6.1.3.3. Estrutura de exportações do produto em valor por países, 2018-2025
-
6.1.4. Preço médio de exportações do produto, $ US/t
- 6.1.4.1. Dinâmica anual do preço médio de exportações do produto do Brasil, 2018-2025, $ US/t
- 6.1.4.2. Dinâmica do preço médio de exportações do produto do Brasil por países, 2018-2025, $ US/t
-
6.2. Exportações (Dados espelho)
- 6.2.1. Exportações - Informações gerais
-
6.2.2. Exportações em espécie, mil t
- 6.2.2.1. Dinâmica anual de exportações do produto do Brasil em espécie, 2018-2025, mil t
- 6.2.2.2. Dinâmica de exportações do produto em espécie do Brasil por países, 2018-2025, mil t
- 6.2.2.3. Estrutura de exportações do produto em espécie por países, 2018-2025
-
6.2.3. Exportações em valor, mil $ US
- 6.2.3.1. Dinâmica anual de exportações do produto do Brasil em valor, 2018-2025, mil $ US
- 6.2.3.2. Dinâmica de exportações do produto em valor do Brasil por países, 2018-2025, mil $ US
- 6.2.3.3. Estrutura de exportações do produto em valor por países, 2018-2025
-
6.2.4. Preço médio de exportações do produto, $ US/t
- 6.2.4.1. Dinâmica anual do preço médio de exportações do produto do Brasil, 2018-2025, $ US/t
- 6.2.4.2. Dinâmica do preço médio de exportações do produto do Brasil por países, 2018-2025, $ US/t
-
6.1. Exportações (Dados diretos)
-
7. Importações
-
7.1. Importações (Dados diretos)
- 7.1.1. Importações - Informações gerais
-
7.1.2. Importações em espécie, mil t
- 7.1.2.1. Dinâmica anual de importações do produto para o Brasil em espécie, 2018-2025, mil t
- 7.1.2.2. Dinâmica de importações do produto em espécie para o Brasil por países, 2018-2025, mil t
- 7.1.2.3. Estrutura de importações do produto em espécie por países, 2018-2025
-
7.1.3. Importações em valor, mil $ US
- 7.1.3.1. Dinâmica anual de importações do produto para o Brasil em valor, 2018-2025, mil $ US
- 7.1.3.2. Dinâmica de importações do produto em valor para o Brasil por países, 2018-2025, mil $ US
- 7.1.3.3. Estrutura de importações do produto em valor por países, 2018-2025
-
7.1.4. Preço médio de importações do produto, $ US/t
- 7.1.4.1. Dinâmica anual do preço médio de importações do produto para o Brasil, 2018-2025, $ US/t
- 7.1.4.2. Dinâmica do preço médio de importações do produto para o Brasil por países, 2018-2025, $ US/t
-
7.2. Importações (Dados espelho)
- 7.2.1. Importações - Informações gerais
-
7.2.2. Importações em espécie, mil t
- 7.2.2.1. Dinâmica anual de importações do produto para o Brasil em espécie, 2018-2025, mil t
- 7.2.2.2. Dinâmica de importações do produto em espécie para o Brasil por países, 2018-2025, mil t
- 7.2.2.3. Estrutura de importações do produto em espécie por países, 2018-2025
-
7.2.3. Importações em valor, mil $ US
- 7.2.3.1. Dinâmica anual de importações do produto para o Brasil em valor, 2018-2025, mil $ US
- 7.2.3.2. Dinâmica de importações do produto em valor para o Brasil por países, 2018-2025, mil $ US
- 7.2.3.3. Estrutura de importações do produto em valor por países, 2018-2025
-
7.2.4. Preço médio de importações do produto, $ US/t
- 7.2.4.1. Dinâmica anual do preço médio de importações do produto para o Brasil, 2018-2025, $ US/t
- 7.2.4.2. Dinâmica do preço médio de importações do produto para o Brasil por países, 2018-2025, $ US/t
-
7.1. Importações (Dados diretos)
-
8. Balança comercial
-
8.1. Balança comercial (Dados diretos)
- 8.1.1. Em espécie, mil t
- 8.1.2. Em valor, mil $ US
-
8.2. Balança comercial (Dados espelho)
- 8.2.1. Em espécie, mil t
- 8.2.2. Em valor, mil $ US
-
8.1. Balança comercial (Dados diretos)
-
9. Principais países compradores e vendedores, 2018-2025
-
9.1. Dados diretos
- 9.1.1. Importação em valor por países-compradores
- 9.1.2. Exportação em valor por países-fornecedores
-
9.2. Dados espelho
- 9.2.1. Importação em valor por países-compradores
- 9.2.2. Exportação em valor por países-fornecedores
-
9.1. Dados diretos
Produção de desperdícios e aparas de papel ou cartão no Brasil
Em espécie, 2018-2021, mil t
O Brasil esteve entre os principais produtores mundiais de resíduos de papel e papelão no período de 2018 a 2021, ocupando a 10ª posição em termos de volume de produção.
Maiores produtores de de desperdícios e aparas de papel ou cartão, 2018-2021
Mapa mundial da produção de de desperdícios e aparas de papel ou cartão, 2018-2021
Em 2021, o Brasil produziu 4 890 mil toneladas de resíduos de papel e papelão, mantendo-se praticamente estável em comparação com o ano anterior. No período de 2018 a 2021, a produção registrou uma queda de 3,4%, com uma taxa de crescimento anual composta de 1,2%. O menor valor foi observado em 2019, com 4 868 mil toneladas. A maior redução ocorreu em 2019, de 3,9%, enquanto o maior aumento foi registrado em 2020, de 0,5%.
Dinâmica anual da produção no Brasil em espécie, 2018-2021, mil t
| Parâmetro | 2019 | 2020 | 2021 | CAGR | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Variação em relação ao ano anterior | (3.9%) | 0.5% | (0.1%) | (1.2%) |
Exportações de desperdícios e aparas de papel ou cartão do Brasil
Exportações em espécie, mil t
Após dois anos de queda, as exportações brasileiras de resíduos de papel e papelão apresentaram crescimento. Em 2021, as exportações atingiram 21,7 mil toneladas, refletindo um aumento significativo de 24,9% em relação a 2020. No período de 2018 a 2021, as exportações caíram 51,5%, o que equivale a uma taxa anualizada de 21,4%. O menor valor foi registrado em 2020, com 17,4 mil toneladas, e a maior queda ocorreu em 2019, de 46,0%.
Dinâmica anual de exportações do produto do Brasil em espécie, 2018-2021, mil t
| Parâmetro | 2019 | 2020 | 2021 | CAGR | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Variação em relação ao ano anterior | (46.0%) | (28.1%) | 24.9% | (21.4%) |
No período de 2018 a 2021, o Paraguai (53,3% das exportações em volume), a China (16,6% das exportações em volume) e a Bolívia (14,8% das exportações em volume) formaram o núcleo das exportações em volume, representando juntos 84,7% do total dos fluxos.
Estrutura de exportações do produto em espécie por países, 2018-2021
Mapa mundial de exportações do produto do Brasil em espécie, 2018-2021
Exportações em valor, mil $ US
Após dois anos de declínio, as exportações brasileiras de resíduos de papel e papelão em valor aumentaram. Em 2021, o Brasil exportou 2 793 mil dólares americanos de resíduos de papel e papelão, mostrando um crescimento de 9,8% em comparação com 2020. No período de 2018 a 2021, as exportações caíram 74,8%, o que equivale a uma taxa anualizada de 36,9%. O menor valor foi registrado em 2020, com 2 545 mil dólares americanos, e a maior queda ocorreu em 2019, de 63,6%.
Dinâmica anual de exportações do produto do Brasil em valor, 2018-2021, mil $ US
| Parâmetro | 2019 | 2020 | 2021 | CAGR | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Variação em relação ao ano anterior | (63.6%) | (37.0%) | 9.8% | (36.9%) |
No período de 2018 a 2021, a Bolívia (25,5% das exportações em valor), o Paraguai (25,0% das exportações em valor) e a Venezuela (22,5% das exportações em valor) representaram a maior parcela das exportações em valor, totalizando juntas 73,0% dos fluxos totais.
Estrutura de exportações do produto em valor por países, 2018-2021
Mapa mundial de exportações do produto do Brasil em valor, 2018-2021
Importações de desperdícios e aparas de papel ou cartão para o Brasil
Importações em espécie, mil t
Os dados revelam mudanças irregulares, indicando um ambiente de mercado volátil. O menor volume de importações de resíduos de papel e papelão no Brasil foi registrado em 2019, com 21,4 mil toneladas, enquanto o maior ocorreu em 2021, com 189,0 mil toneladas, representando um aumento acentuado de 676,5% em relação ao ano anterior. A diferença entre esses anos foi de 8,8 vezes. A maior queda foi observada em 2019, de 15,0%.
Dinâmica anual de importações do produto para o Brasil em espécie, 2018-2021, mil t
| Parâmetro | 2019 | 2020 | 2021 | CAGR | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Variação em relação ao ano anterior | (15.0%) | 13.9% | 676.5% | 95.9% |
No período de 2018 a 2021, os Estados Unidos foram o principal mercado para as importações de resíduos de papel e papelão no Brasil, representando 77,0% do total das importações em volume, enquanto outros destinos formaram uma parcela menos significativa.
Estrutura de importações do produto em espécie por países, 2018-2021
Mapa mundial de importações do produto para o Brasil em espécie, 2018-2021
Importações em valor, mil $ US
O mercado mostrou sinais de volatilidade ao longo do período observado. O menor valor das importações de resíduos de papel e papelão no Brasil foi registrado em 2019, com 4 221 mil dólares americanos, enquanto o pico ocorreu em 2021, com 51 793 mil dólares americanos, equivalente a um aumento acentuado de 982,3% em relação ao ano anterior. A diferença entre esses anos foi de 12,3 vezes. A maior queda foi observada em 2019, de 21,6%.
Dinâmica anual de importações do produto para o Brasil em valor, 2018-2021, mil $ US
| Parâmetro | 2019 | 2020 | 2021 | CAGR | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Variação em relação ao ano anterior | (21.6%) | 13.4% | 982.3% | 112.7% |
No período de 2018 a 2021, os Estados Unidos permaneceram como os principais fornecedores de resíduos de papel e papelão para o Brasil, com 81,8% do total das importações em valor, enquanto o restante foi distribuído por muitos outros países.
Estrutura de importações do produto em valor por países, 2018-2021
Mapa mundial de importações do produto para o Brasil em valor, 2018-2021
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