Produção de durião do Vietnã atinge recorde de 2,08 milhões de toneladas
A produção vietnamita de durião deve atingir o recorde de 2,08 milhões de toneladas em 2026, após a área plantada crescer para 200.000 hectares. A China continua sendo o principal mercado, enquanto o aumento da oferta já pressiona os preços ao produtor.
Produção quase triplica com expansão da área
A produção de durião do Vietnã é estimada no recorde de 2,08 milhões de toneladas em 2026. As autoridades alertam que o rápido aumento da oferta pode superar a capacidade de processamento, comercialização e exportação do setor. Segundo o VietNamNet, a área cultivada cresceu de 85.000 hectares em 2021 para 200.000 hectares em 2026. No mesmo período, a produção passou de cerca de 674.000 toneladas para 2,08 milhões de toneladas.
A expansão ganhou força após o início das exportações oficiais de durião para a China, em julho de 2022. Em menos de cinco anos, a área aumentou 2,4 vezes e a produção quase 3,1 vezes. Apenas 129.500 hectares estão atualmente produzindo frutos. Com rendimento médio de 16 toneladas por hectare, o Ministério da Agricultura e Meio Ambiente estima que o volume poderá superar 3,2 milhões de toneladas quando toda a área plantada entrar em produção.
China impulsiona exportações, mas concentra riscos
A receita de exportação subiu de US$ 180 milhões em 2021 e US$ 421 milhões em 2022 para US$ 2,24 bilhões em 2023. Depois, chegou a US$ 3,3 bilhões em 2024 e US$ 3,86 bilhões em 2025. Segundo o ministério, o durião respondeu por 45% da receita total do Vietnã com exportações de frutas e hortaliças em 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, as vendas externas somaram quase US$ 951 milhões, alta anual de 31%. Os embarques para a China geraram US$ 871,8 milhões, avanço de 36,9%.
O durião vietnamita é vendido para 21 países e territórios, mas a China recebe cerca de 90% do volume exportado. Essa dependência expõe produtores e exportadores a mudanças nas exigências técnicas, nas condições comerciais e nos procedimentos de fronteira chineses. O Vietnã também concorre nesse mercado com Tailândia, Malásia, Filipinas e Camboja. O ministério informou que 1.201 códigos de áreas de cultivo foram concedidos, enquanto outros aguardam aprovação chinesa. As exportações de durião congelado cresceram 45% nos primeiros sete meses de 2026 ante o mesmo período de 2025, criando um canal adicional para a safra.
Pico da colheita pressiona preços no campo
O Vietnã havia colhido 768.000 toneladas até o fim de julho e prevê outras 1,31 milhão de toneladas nos últimos cinco meses de 2026. Só o Planalto Central deve produzir 850.000 toneladas, com o pico da colheita entre agosto e outubro. A concentração da oferta já derruba preços nessa região e no delta do Mekong. Em julho, o Ri6 de alta qualidade custou em média 44.476 dong por quilograma, queda mensal de 1.286 dong. O Monthong alcançou 70.762 dong por quilograma, recuo de 8.524 dong em relação a junho. O diretor-presidente de uma exportadora disse ao VietNamNet que os preços de compra de algumas categorias caíram entre 10.000 e 15.000 dong por quilograma.
O ministério alertou que o plantio desordenado e a fraca coordenação entre produtores, compradores, empacotadores, processadores e distribuidores elevam os riscos de infrações técnicas, cargas rejeitadas e perda de acesso aos mercados. A orientação é não incentivar o cultivo fora das áreas adequadas e priorizar produtividade, qualidade, segurança alimentar, rastreabilidade e processamento. A província de Dak Lak iniciou uma campanha de 30 dias para digitalizar dados de áreas de cultivo e unidades de embalagem. O ministério também negocia questões técnicas com a Administração Geral das Alfândegas da China e prevê que uma delegação de alto nível se reúna com autoridades da GACC na China entre 20 e 22 de agosto para discutir aprovações, capacidade de testes e desembaraço aduaneiro.