Vietnã desenvolve marca premium de carne bovina H’Mong
O Vietnã pretende desenvolver o gado H’Mong como raça de corte premium e agregar valor aos produtos pecuários locais. O plano inclui seleção genética, classificação da carne e gestão digital do rebanho, com meta de US$ 1–1,5 bilhão em exportações até 2030.
Vietnã troca volume por maior valor
O Vietnã quer levar sua pecuária além do simples crescimento da produção, criando marcas reconhecidas de carne premium e outros produtos locais. Criado em várias províncias montanhosas do norte, o gado H’Mong tornou-se um projeto central para testar essa estratégia.
Após mais de 20 anos de desenvolvimento, o setor atende amplamente à demanda doméstica por carne, ovos e leite. Segundo o Công Thương, carne de frango, laticínios, ração animal, vacinas veterinárias e outros produtos pecuários também chegaram a mercados externos exigentes. O Vietnã possui um dos maiores rebanhos suínos do mundo e ocupa a segunda posição global em aves aquáticas, atrás da China. Suas indústrias de ração, medicamentos veterinários e processamento de leite também estão entre as maiores da ASEAN.
No entanto, Nguyễn Xuân Dương, presidente da Associação de Pecuária do Vietnã, afirmou que as importações estão crescendo, enquanto a produção doméstica avança apenas cerca de 2–3%. A concorrência de grandes grupos aumenta a pressão sobre produtores familiares e empresas locais. O governo, portanto, quer gerar mais valor com genética, padrões, processamento e marcas, em vez de depender principalmente da expansão dos rebanhos.
Gado H’Mong é escolhido para o segmento premium
Especialistas internacionais convidados pelo Departamento de Produção Pecuária e Saúde Animal avaliaram a genética, o porte e a condição física do gado H’Mong. Segundo o VnExpress, o vice-diretor Phạm Kim Đăng disse que o ponto de partida da raça foi considerado potencialmente superior ao do Hanwoo, o gado premium coreano, antes dos grandes investimentos da Coreia do Sul em seleção e tecnologia de criação.
O Vietnã já começou a testar tecnologias de produção no gado H’Mong e incluiu o desenvolvimento de uma raça de corte de alta qualidade em seu programa de tecnologias estratégicas. O trabalho exigirá institutos de pesquisa, universidades, organizações veterinárias, profissionais qualificados e equipamentos especializados. As autoridades também pretendem elaborar orientações para transferir a tecnologia às regiões produtoras.
Um sistema nacional de avaliação e classificação da carne é outra parte do plano. O Vietnã estudará os modelos adotados na Coreia do Sul e no Japão, onde a qualidade da carne bovina é classificada com critérios definidos. As autoridades avaliam que categorias mensuráveis dariam a pesquisadores, geneticistas e pecuaristas metas mais claras do que descrições informais que apenas qualificam a carne como boa ou saborosa.
Tecnologia, rastreabilidade e posicionamento
O gado H’Mong está adaptado às condições locais do norte do Vietnã. Alguns produtos já são vendidos por cerca de 1,2 milhão de dongs por quilograma, e várias redes de restaurantes em Hanói começaram a oferecer essa carne, informou o VnExpress. Para garantir qualidade constante, as autoridades estudam controles mais rígidos sobre genética, alimentação e criação, inclusive por meio de chips para gestão dos animais.
A iniciativa não se limita à carne bovina. O Vietnã também analisa o veludo de chifre de cervo de Hương Sơn, ninhos de ave comestíveis, mel e produtos processados de aves como possíveis marcas de maior valor. O país ainda importa cervos e seus derivados para produzir suplementos, embora Hương Sơn, em Hà Tĩnh, tenha uma tradição consolidada nessa criação. A maior parte dos ninhos de ave vietnamitas continua sendo exportada em estado bruto, limitando o valor agregado retido no país.
O mel vietnamita já foi selecionado para a iniciativa “Um País, Um Produto Prioritário” da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Para as autoridades, isso mostra que o potencial exportador não depende apenas de grandes rebanhos, mas também da origem e das características diferenciadas dos produtos.
Meta de exportação exige cadeia integrada
As autoridades de agricultura e meio ambiente estabeleceram a meta de exportar US$ 1–1,5 bilhão em produtos pecuários até 2030. O objetivo exigirá coordenação entre seleção genética, zonas de produção, processamento, rastreabilidade, logística e promoção comercial. Dados setoriais melhores também serão necessários para prever oferta e demanda e evitar os excedentes observados na suinocultura chinesa.
Os planos serão discutidos dentro do tema da pecuária sustentável na AAAP 2026, em Hanói, de 28 a 31 de outubro. Cerca de 1.400 delegados se inscreveram, incluindo aproximadamente 600 participantes internacionais de 42 países e territórios. Para a carne H’Mong, o desafio comercial é transformar potencial genético e preço premium em qualidade estável, oferta escalável e uma marca capaz de avançar além do mercado regional.