Vietnã supera Tailândia no mercado chinês de amido de mandioca, enquanto Laos avança
O Vietnã respondeu por cerca de 48,84% das importações chinesas de amido de mandioca em 2025 e ultrapassou a Tailândia. A logística terrestre favorece o país, mas a Tailândia mantém vantagens em qualidade e amidos modificados, enquanto o Laos ganha espaço.
Vietnã assume a liderança na China
O Vietnã respondeu por cerca de 48,84% das importações chinesas de amido de mandioca em 2025 e ultrapassou a Tailândia como principal fornecedor, segundo estudos de mercado citados pelo Dan Viet. A China é a maior importadora mundial do produto, o que transforma o acesso aos compradores chineses em uma medida central da competitividade de produtores e processadores do Sudeste Asiático.
A geografia explica grande parte da vantagem vietnamita. A fronteira comum e as passagens diretas para as províncias do sul da China permitem que as cargas cheguem aos centros consumidores em aproximadamente 10 dias, cerca de metade do prazo de muitas rotas tailandesas. A maior parte do amido da Tailândia segue por via marítima. Prazos menores dão mais flexibilidade aos compradores chineses e reduzem custos de estoque. O Vietnã também aproveita matérias-primas do Camboja e relações comerciais construídas ao longo de anos com clientes chineses.
O comércio é expressivo, mas a Tailândia mantém maior escala
A China consumiu cerca de 3,76 milhões de toneladas de mandioca vietnamita e seus derivados em 2025, gerando US$ 1,17 bilhão em comércio, informou o Dan Viet. Os números mostram o grau de dependência do setor vietnamita em relação a um único destino. Essa concentração aumenta a importância de uma logística fronteiriça confiável, mas também expõe os processadores a mudanças na demanda chinesa, nos padrões de compra e nas exigências de entrega.
A Tailândia continua sendo uma concorrente de peso, apesar de perder a liderança na China. Suas exportações de produtos de mandioca somaram cerca de US$ 2,5 bilhões em 2025, quase o dobro do valor exportado pelo setor vietnamita. A Tailândia já havia ultrapassado o Vietnã como maior fornecedora chinesa de amido de mandioca em 2014, 2018, 2021 e 2022. Sua participação chegou a 52,8% em 2021, mostrando que a liderança pode mudar rapidamente.
Qualidade e processamento redefinem a disputa
Os fornecedores tailandeses preservam vantagens em consistência de qualidade e produtos de maior valor agregado. Segundo o Dan Viet, alguns clientes internacionais trocaram o amido vietnamita pelo tailandês por considerá-lo mais uniforme. Thai Wah, SMS, Siam Starch e Ubon Sunflower desenvolveram amidos modificados para alimentos, medicamentos, papel, têxteis, plásticos e outras indústrias. A SMS, sozinha, oferece centenas de variedades para quase 30 setores industriais, enquanto a maioria das empresas vietnamitas continua concentrada no amido convencional ou apenas começa a entrar no segmento modificado.
O Laos acrescenta uma terceira dimensão à concorrência. A ferrovia China-Laos está integrando o país à cadeia de abastecimento chinesa, enquanto um centro de importação e distribuição de amido laosiano já opera em Neijiang, na província de Sichuan. As importações iniciais devem chegar a cerca de 50 mil toneladas por ano, com valor de produção superior a 500 milhões de yuans. Empresas chinesas também investem em plantações e fábricas no Laos: uma delas desenvolveu uma área de cultivo de 6 mil hectares, e grupos de Sichuan estão acrescentando vários milhares de hectares. Estudos citados pelo Dan Viet indicam que as exportações laosianas de amido de mandioca cresceram mais de 30% em 2025. Para manter a liderança, o Vietnã precisará combinar rapidez logística com qualidade constante, tecnologia de processamento e maior controle sobre o fornecimento de matérias-primas.