Vietnã lidera produção de pimenta, mas importa US$ 257,7 milhões
O Vietnã colheu cerca de 267.300 toneladas de pimenta no primeiro semestre de 2026, alta anual de 5%. Mesmo assim, suas empresas importaram 45.198 toneladas por US$ 257,7 milhões, sobretudo do Camboja e do Brasil, para processamento, exportação e diversificação de matérias-primas.
Colheita cresce 5% no primeiro semestre
O Vietnã colheu cerca de 267.300 toneladas de pimenta nos primeiros seis meses de 2026, segundo um relatório de produção e mercado do Ministério da Agricultura e Meio Ambiente citado pelo VietnamNet. O volume aumentou 5% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a posição do país como maior produtor e exportador mundial de pimenta.
A safra sustenta uma ampla indústria de processamento e comércio que atende compradores nacionais e estrangeiros. Dados alfandegários mostram que as empresas vietnamitas exportaram quase 156.200 toneladas até meados de julho de 2026. Os embarques renderam aproximadamente US$ 1,02 bilhão, mantendo a pimenta como um produto relevante da pauta agroexportadora do país.
Importações superam todo o volume de 2025
A grande produção doméstica não eliminou a necessidade de matéria-prima importada. A Associação de Pimenta e Especiarias do Vietnã informou que as empresas importaram 45.198 toneladas no primeiro semestre de 2026, ao custo de US$ 257,7 milhões. O total incluiu 41.342 toneladas de pimenta-do-reino preta e 3.856 toneladas de pimenta branca.
O volume importado cresceu 59,7% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o valor avançou 48%. Em apenas seis meses, as compras já haviam ultrapassado as 42.688 toneladas importadas durante todo o ano de 2025. A comparação aponta uma aceleração das aquisições externas para fornecer matéria-prima adicional a processadores e exportadores.
Camboja e Brasil foram as principais origens da pimenta importada. O VietnamNet relatou que o presidente-executivo de uma grande exportadora vietnamita reconheceu que sua companhia havia se tornado uma das grandes compradoras de pimenta brasileira. A empresa importa o produto do Brasil e depois o vende para mercados importantes, como Estados Unidos, Alemanha e Oriente Médio.
Processadores diversificam o abastecimento
Os números de produção, importação e exportação mostram que o Vietnã atua tanto como centro produtor quanto como plataforma internacional de processamento e distribuição. A pimenta importada complementa a safra local, amplia a seleção de matérias-primas e ajuda os exportadores a manter os embarques quando a oferta doméstica ou suas especificações não atendem às exigências dos clientes.
Esse modelo de abastecimento também reduz a dependência da colheita vietnamita. Para fornecedores do Camboja e do Brasil, a demanda das empresas do Vietnã dá acesso à capacidade industrial e às redes comerciais do maior exportador mundial. Para compradores nos Estados Unidos, na Alemanha e no Oriente Médio, a origem da pimenta bruta pode, portanto, ser diferente do país responsável pelo processamento e pela reexportação.
Preços domésticos e de exportação seguem elevados
Os processadores vietnamitas operam com preços relativamente altos para a matéria-prima. Nas principais regiões produtoras, as cotações de compra variaram entre 137.000 e 140.500 dongs por quilograma. No mercado internacional, a pimenta-do-reino preta vietnamita de 500 g/l era oferecida a US$ 5.970 por tonelada, enquanto a variedade de 550 g/l estava em US$ 6.050 por tonelada.
Como o valor das importações cresceu menos do que o volume, o custo médio por tonelada importada parece ter recuado na comparação anual, embora a fonte não tenha detalhado os preços por origem. As empresas precisam equilibrar custos de importação, preços domésticos, exigências de processamento e valores alcançáveis na exportação. Com as compras externas já acima de todo o ano de 2025, o fornecimento importado ganha importância na indústria vietnamita de pimenta em 2026, mesmo com o crescimento da produção nacional.