Vendas de chocolate Lindt na Rússia crescem 65% apesar da saída da marca
As vendas no varejo de barras Lindt na Rússia cresceram 65% em termos anuais no primeiro semestre de 2026, embora o mercado tenha encolhido em volume. Importadores locais mantêm a entrada de produtos suíços e franceses após o fim dos fornecimentos diretos da Lindt em 2022.
Vendas avançam enquanto o mercado recua
As vendas no varejo de barras de chocolate Lindt na Rússia cresceram 65% em termos anuais entre janeiro e junho de 2026, segundo dados da NTech publicados pelo Izvestia e reproduzidos pela Sfera.fm. No mesmo período, o mercado russo de barras de chocolate encolheu 9% em volume. Os números indicam que a marca premium suíça ganha participação a partir de uma base relativamente pequena, enquanto parte dos consumidores direciona a procura para produtos específicos de maior preço.
A Lenta registrou uma tendência semelhante. Nos primeiros nove meses de 2026, as vendas de Lindt nos hipermercados da rede aumentaram 40% em unidades e 20% em valor, embora a empresa não tenha divulgado os volumes absolutos. O crescimento mais rápido das unidades em relação à receita pode refletir mudanças no mix de produtos ou no preço médio realizado. No conjunto do país, o mercado de barras continuou crescendo em valor apesar da queda do volume físico.
Importadores locais sustentam o abastecimento
A Lindt & Sprüngli fechou suas lojas russas e suspendeu os fornecimentos em março de 2022, antes de anunciar a retirada completa em agosto. A liquidação da entidade jurídica russa foi concluída em fevereiro de 2024. A fabricante afirma que não exporta diretamente para a Rússia desde 2022, mas importadores registrados no país continuam levando seus chocolates ao mercado local.
Somente em setembro de 2026, as declarações nos registros da Rosaccreditation abrangeram 383.200 barras Lindt fabricadas em unidades da empresa na Suíça e na França, segundo a Sfera.fm. A Grand-Trade respondeu por declarações de 174.400 barras suíças e também registrou documentos relativos a produtos fabricados em série nos dois países. Uma das declarações classificou a Grand-Trade como entidade autorizada pela fabricante. Advogados citados pela publicação disseram que essa condição, isoladamente, não comprova vendas diretas da Lindt a uma contraparte russa, mas pode indicar relações contratuais na cadeia e um canal estável de importação.
A RVI, ou Russian Venture Investments, declarou outras 194.100 barras em setembro. Sua organização gestora é identificada como o centro corporativo da X5. Os lotes incluíam chocolate amargo francês com 85% de cacau, além de barras com frutos secos e passas. As declarações mostram que grandes varejistas e importadores especializados conseguem manter a disponibilidade sem a antiga subsidiária russa da marca e sem seu sistema de distribuição direta.
Importados premium preservam seu espaço
A Sfera.fm relacionou o crescimento da Lindt à menor variedade nas prateleiras e à migração de alguns consumidores para o segmento premium. Os embarques regulares da Suíça e da França sustentam essa posição. Ao mesmo tempo, estima-se que os produtos nacionais representem 93% do mercado russo de confeitaria em 2026. As marcas premium importadas ocupam, portanto, um segmento limitado, mas comercialmente resistente.
O mercado russo de confeitaria atingiu 3,55 milhões de toneladas e 2,15 trilhões de rublos em 2025, com altas de 1% em volume e 16% em valor. A Rússia também amplia as exportações: nos primeiros sete meses de 2026, os embarques cresceram 12% em valor, para 1,1 bilhão de dólares. Cazaquistão e Belarus continuaram como os principais compradores, enquanto a procura aumentou na Ásia e no Oriente Médio.
Os produtos de confeitaria de chocolate lideraram as exportações, com 510 milhões de dólares, 13% acima do ano anterior. Em todo o ano de 2025, as exportações russas de produtos de chocolate já haviam alcançado o recorde de 985 milhões de dólares, uma alta anual de 16%. A expansão da Lindt ocorre, assim, ao lado de duas tendências: produção doméstica forte e exportações crescentes, de um lado, e procura persistente por determinadas marcas premium estrangeiras, de outro.