Uso industrial de arroz na Coreia do Sul cresce 22%
Os fabricantes sul-coreanos de alimentos e bebidas utilizaram 1,07 milhão de toneladas de arroz em 2025, alta de 22,0% em um ano. O consumo anual por habitante caiu para o mínimo histórico de 53,9 kg, enquanto as importações podem atender parte da demanda industrial adicional.
Demanda por arroz migra das cozinhas para as fábricas
O mercado de arroz da Coreia do Sul está se deslocando do consumo direto pelas famílias para o processamento industrial. Segundo uma análise do EToday baseada na Pesquisa de Consumo de Grãos de 2025 do Escritório Nacional de Dados, o consumo anual por habitante caiu 3,4% em 2025, para o mínimo histórico de 53,9 kg. A média diária recuou para 147,7 g.
A queda prolonga uma tendência de vários anos. O consumo per capita diminuiu de 56,7 kg em 2022 para 56,4 kg em 2023 e 55,8 kg em 2024, antes de chegar a 53,9 kg. O Escritório Nacional de Dados não apresentou uma causa específica para o último recuo. O EToday relacionou a tendência geral ao aumento das famílias com apenas uma pessoa, às mudanças nos hábitos alimentares e ao maior uso de restaurantes e serviços de entrega, que reduzem a frequência de preparo de arroz em casa.
A demanda industrial seguiu na direção oposta. Os fabricantes de alimentos e bebidas utilizaram 1.065.324 toneladas de arroz em 2025, alta de 22,0% ante o ano anterior. Apenas na fabricação de alimentos, o uso cresceu 35,4%, para 791.656 toneladas, indicando que os produtos processados estão se tornando um canal mais importante para o cereal.
Bolos de arroz, refeições prontas e álcool lideram a demanda
Os fabricantes de bolos de arroz responderam pela maior parcela do uso industrial, com 24,9%. A produção de álcool representou 20,3%, enquanto os fabricantes de refeições processadas e preparadas, incluindo arroz instantâneo e marmitas, ficaram com 14,3%. A demanda está cada vez mais ligada aos alimentos de conveniência e ao processamento especializado, e menos à compra de arroz ensacado para preparo doméstico.
A mudança também aparece nas vendas externas. O Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais informou que as exportações de produtos processados de arroz alcançaram $149,8 milhões no primeiro semestre do ano, avanço de 7,9% em relação ao mesmo período anterior. Os embarques para a Europa cresceram 17,4%, para $14,8 milhões.
A pauta exportadora agora inclui gimbap congelado, arroz instantâneo, tteokbokki e snacks de arroz. Esses produtos combinam preparo simples com o interesse pela culinária coreana estimulado pelo conteúdo cultural do país. O arroz também ganha espaço como ingrediente de alimentos sem glúten entre consumidores que buscam alternativas à farinha de trigo.
Um exportador de produtos agroalimentares citado pelo EToday afirmou que o mercado externo para a venda direta de arroz coreano como matéria-prima é limitado. Produtos como gimbap congelado e tteokbokki são mais acessíveis porque combinam o alimento com uma forma de preparo reconhecível e um contexto cultural, além de poderem ser consumidos diretamente como refeição ou lanche.
Produtores locais podem não capturar todo o crescimento
O governo está ampliando a política para o arroz além do produto de mesa. O Ministério da Agricultura pretende elevar o mercado de processados de arroz de 8,4 trilhões de wones em 2022 para 17 trilhões de wones em 2028. A meta de exportação também deve subir de $182 milhões para $400 milhões.
O maior uso industrial, porém, não gera automaticamente mais demanda por arroz cultivado na Coreia do Sul. As estatísticas de consumo empresarial reúnem arroz nacional e importado. Se os processadores atenderem à expansão com importações, as vendas e a renda dos agricultores locais podem crescer menos do que sugerem os números totais da indústria.
Os processadores escolhem o arroz de acordo com preço, variedade, qualidade, textura e adequação às linhas de produção. Bolos de arroz, arroz pronto e snacks exigem características diferentes, enquanto as fábricas precisam de volumes regulares e qualidade uniforme. Representantes do setor agrícola defendem, por isso, contratos de cultivo que conectem processadores e produtores antes do plantio. As empresas especificariam variedade, qualidade e quantidade, enquanto os agricultores receberiam compromissos de preço e compra. Esses acordos podem garantir matéria-prima às fábricas e determinar quanto do mercado crescente retornará aos produtores nacionais de arroz.