UE quer mais soja própria, mas as suas regras ameaçam o plano
A UE quer cultivar mais soja e importar menos. Mas novas regras europeias ameaçam tornar o cultivo interno pouco atrativo, minando a meta de autossuficiência e mantendo a dependência da soja e do farelo importados.
A Europa quer menos soja importada e mais soja própria
A União Europeia procura cultivar mais soja nas suas próprias terras e depender menos das importações. O objetivo é reduzir a dependência do bloco em relação à soja que chega de fora das suas fronteiras, boa parte da qual alimenta o setor pecuário europeu. No entanto, um conjunto de novas regras da UE ameaça tornar o cultivo interno pouco atrativo justamente para os produtores que a política pretende incentivar.
A contradição é simples. Bruxelas propôs-se ampliar a área de soja na Europa para encurtar as cadeias de abastecimento e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. Ao mesmo tempo, as novas exigências vindas de Bruxelas podem atuar em sentido contrário e desencorajar os agricultores de semear a cultura.
Para importadores e exportadores, não se trata de uma questão abstrata. A indústria europeia de rações e de esmagamento depende há muito de um fluxo constante de soja e farelo de soja, e o equilíbrio entre o abastecimento próprio e o importado determina as decisões de compra, os volumes contratados e a direção dos preços no mercado.
Por que esta contradição importa para o comércio
A soja é uma das matérias-primas agrícolas mais negociadas no mercado europeu e é usada sobretudo como ração na produção de suínos, aves e leite. Qualquer mudança entre o que a Europa cultiva e o que importa repercute-se nos fluxos comerciais e afeta os fornecedores que hoje descarregam grandes volumes nos portos da UE.
Se a UE conseguir ampliar o cultivo interno, a procura por importações deverá ceder com o tempo e alterar as contas dos exportadores que contam com compradores europeus. Se, em vez disso, as novas regras enfraquecerem o incentivo para semear soja na Europa, o bloco continuará dependente das importações e o objetivo de maior autossuficiência ficará ainda mais distante.
O atrito regulatório
O cerne do problema é que o próprio conjunto de regras da Europa joga contra a ambição declarada. As novas regras da UE podem tornar o cultivo de soja em solo europeu pouco rentável e minar a estrutura de incentivos necessária para o expandir. Os agricultores têm de ponderar se a soja compensa sob as novas regras ou se é melhor manter as culturas habituais.
O que importadores e exportadores acompanham
Para as empresas que movimentam soja e farelo de soja para a Europa e dentro dela, o quadro de curto prazo mantém-se inalterado: a UE continua a ser um destino importante para a soja importada. A questão de mais longo prazo é se Bruxelas resolverá o choque entre a meta de autossuficiência e a sua agenda regulatória. Até lá, o incentivo para os agricultores europeus destinarem terras à soja continuará incerto, e as cadeias dependentes de importações terão poucas razões para se reorganizar.