Produção de carne de ovino e caprino na UE continua a cair enquanto os preços do borrego superam os do ano passado
Dados da Comissão Europeia mostram que os abates de ovinos na UE caíram 1,9% e os de caprinos 1,2% nos primeiros quatro meses de 2026, com o efetivo ovino mais de 14% abaixo do nível de 2015. O borrego pesado ficou em 903,1 euros por 100 quilos de carcaça, mais 4,5% face a um ano antes, enquanto o grau de autoaprovisionamento da UE recuou para 83,6%. A Grécia mantém-se como maior produtora comunitária de carne de caprino, com 34% do total.
Os preços elevados não travaram a contração de longo prazo do setor ovino e caprino da União Europeia. Segundo o boletim semanal da Comissão Europeia Sheep Meat Dashboard, com dados atualizados a 12 de agosto e citados pelo meio agrícola grego ypaithros.gr, os abates de ovinos na UE recuaram 1,9% em termos homólogos nos primeiros quatro meses de 2026, enquanto os abates de caprinos caíram 1,2%. As cotações do borrego, por seu lado, mantêm-se claramente acima das do ano anterior.
Grécia lidera nos caprinos e é terceira nos ovinos
Os abates de ovinos na Grécia atingiram 17.100 toneladas até abril de 2026, mais 2% do que no mesmo período de 2025, o que coloca o país no quarto lugar da UE, atrás de Espanha, França e Irlanda. Na carne de caprino a Grécia continua a ser, com larga margem, a maior produtora da União, com 7.100 toneladas até abril, apesar de uma quebra de 1% em termos homólogos. Seguem-se a França com 2.800 toneladas e Espanha com 2.600 toneladas.
As quotas relativas ao conjunto de 2025 confirmam essa posição: a Grécia representa 15% da produção comunitária de carne de ovino, o terceiro lugar, e 34% da de caprino, bem à frente da Roménia com 19% e de Espanha com 18%.
Preços firmes, produção em queda
O preço do borrego pesado, com mais de 13 quilos de carcaça, situou-se em 903,1 euros por 100 quilos de carcaça, menos 0,1% na semana e menos 1,4% no mês, mas mais 4,5% do que há um ano. O borrego leve, até 13 quilos de carcaça, foi cotado a 947,3 euros por 100 quilos, mais 0,6% na semana, 0,2% no mês e 5,3% no ano. A Grécia não comunica preços desde a semana 22 de 2026, o que deixa uma lacuna sobre o seu mercado interno de borrego leve precisamente quando as cotações europeias estão em níveis particularmente altos. Na Grã-Bretanha e na Irlanda do Norte os preços ultrapassaram por períodos os 1.000 euros por 100 quilos de carcaça, antes de recuarem nas últimas semanas, enquanto a Nova Zelândia, a Austrália e o Uruguai operam em níveis mais baixos.
Os volumes de abate contam outra história. Até abril de 2026:
- Espanha: 30.500 toneladas, menos 8%, ainda a maior produtora da UE
- França: 23.400 toneladas, mais 2%
- Irlanda: 17.800 toneladas, menos 1%
- Grécia: 17.100 toneladas, mais 2%
- Itália: 10.500 toneladas
- Alemanha: 5.800 toneladas
- Roménia: 5.500 toneladas
Os abates de caprinos caíram na Grécia, em França e em Espanha, com quebras especialmente acentuadas na Áustria e em Portugal. Por trás destes fluxos está a erosão da base reprodutora. Os dados de dezembro de 2025 colocam o efetivo ovino dos 17 Estados-membros abrangidos em 52,42 milhões de cabeças, contra 60,92 milhões em 2015, uma quebra superior a 14% numa década. O efetivo caprino de 16 Estados-membros desceu para 9,72 milhões de cabeças, face a 12,17 milhões. Os custos de produção, a dificuldade em renovar os animais e o envelhecimento dos produtores limitam a capacidade do setor de responder ao sinal de preço.
Dependência das importações no máximo da década
As exportações comunitárias de carne de ovino e caprino caíram 4% entre janeiro e abril de 2026, para 35.035 toneladas equivalente carcaça, face a 36.435 toneladas um ano antes, enquanto as importações subiram 6%, para 67.580 toneladas. A Nova Zelândia forneceu 31.846 toneladas, mais 13%, e o Reino Unido 30.184 toneladas. Os envios da Austrália aumentaram 18% e os da Macedónia do Norte 9%.
Do lado das exportações, a Argélia aumentou em 65% as compras de carne de ovino e caprino à UE, para 15.667 toneladas, com subidas também nos envios para Israel e para o Reino Unido, enquanto os volumes para a Jordânia e a Arábia Saudita recuaram de forma significativa.
A produção líquida da UE está prevista em 471.200 toneladas em 2026, face a 572.000 toneladas em 2016, uma quebra de quase 18%. O consumo também desceu no mesmo período, de 701.200 para 621.900 toneladas, mas mais devagar. O grau de autoaprovisionamento da UE caiu assim para 83,6%, face a 88,9% em 2016 e 95,5% em 2021, o nível mais baixo da década analisada.
O comércio com o Reino Unido mostra o desequilíbrio com clareza. Nos primeiros quatro meses de 2026 a UE exportou 4.087 toneladas de carne de ovino e caprino para o mercado britânico e importou 29.566 toneladas. Nos animais vivos a diferença é ainda maior: as exportações da UE para o Reino Unido totalizaram 10 cabeças, contra importações de 795.369 cabeças, quase todas provenientes da Irlanda do Norte.