UE detecta material transgênico em pelo menos cinco remessas de produtos de arroz chineses
O sistema europeu de alerta rápido RASFF registrou neste ano material geneticamente modificado em pelo menos cinco remessas chinesas de palitos de arroz, biscoitos, macarrão e farinha de arroz hidrolisada. Os achados surgem enquanto Pequim rejeita arroz importado por presença de transgênicos, com um recorde de 146 remessas entre janeiro e junho.
O Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações da União Europeia (RASFF) registrou neste ano material geneticamente modificado em pelo menos cinco remessas de produtos à base de arroz procedentes da China, segundo notificações relatadas pelo Dainik Jagran. Os achados envolvem palitos de arroz, biscoitos de arroz, macarrão de arroz e farinha de arroz hidrolisada, e aparecem no momento em que Pequim rejeita arroz importado alegando presença de transgênicos.
Cinco alertas entre março e setembro
As notificações foram emitidas em 12 de março, 6 e 12 de julho, 3 de agosto e 8 de setembro. Todas partiram de duas autoridades nacionais.
- 12 de março — os Países Baixos notificaram Cry1Ab/Ac em macarrão de arroz.
- 6 de julho — os Países Baixos notificaram material transgênico em remessas de farinha de arroz hidrolisada.
- 12 de julho — os Países Baixos detectaram Cry1Ab/Ac em pasta de missô de origem chinesa, um condimento tradicional japonês feito de soja fermentada, sal e o fungo koji.
- 3 de agosto — a Itália notificou a presença de OGM em biscoitos de arroz.
- 8 de setembro — a Itália detectou um terminador OGM 35 S não autorizado em palitos de arroz.
O terminador 35 S é uma sequência de DNA derivada da bactéria do solo Agrobacterium tumefaciens que sinaliza o fim da transcrição gênica em organismos geneticamente modificados. Os cientistas a utilizam no desenvolvimento de plantas transgênicas, combinada a um promotor, para que as células vegetais expressem corretamente os genes inseridos. O Cry1Ab/Ac é um gene Bt fundido, empregado primeiro no algodão e hoje usado em culturas como arroz e juta. Os alertas do RASFF sobre produtos de arroz chineses concentram-se em linhagens de arroz transgênico não autorizadas, como Bt-63, KeMingDao e Cry1Ab/Ac, encontradas em macarrão de arroz, aletria e farinha de arroz.
Mais de 275 notificações desde 2002
Entre 2002 e 2025 a UE emitiu mais de 275 notificações relacionadas a OGM contra as exportações de alimentos da China. Somente os produtos à base de arroz somaram mais de 125 alertas entre 2006 e 2025. Em comparação, há registro de apenas uma notificação por presença de OGM em exportações de alimentos da Índia. Entende-se que o material transgênico não autorizado encontrado nos produtos de arroz chineses resulta do vazamento de variedades em fase de testes, e não de cultivo comercial aprovado.
As rejeições de Pequim em nível recorde
A China suspendeu neste ano vários exportadores indianos de arroz alegando presença de OGM e rejeita remessas indianas desde março. Também devolveu cargas do Cazaquistão, da Rússia, da Ucrânia, de Belarus e do Japão — países onde o cultivo de lavouras transgênicas é proibido. Entre janeiro e junho, a China rejeitou um recorde de 146 remessas, quase quatro vezes as 38 rejeitadas em 2025.
O custo da verificação ganha destaque
Fred Gale, economista aposentado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, escreveu em seu blog Dim Sums que a China nega cultivar arroz transgênico, mas que houve escândalos no passado em que arroz GM cultivado em testes científicos chegou ao mercado chinês. É esse histórico que dá peso ao registro do RASFF: as mesmas linhagens não autorizadas reaparecem em produtos processados, e não em embarques de arroz em grão.
Para os importadores europeus, a consequência imediata é a análise laboratorial. As regras da UE não admitem eventos transgênicos não autorizados em alimentos, de modo que um resultado positivo não gera desconto no lote: retira-o do mercado. Para os processadores chineses de farinha de arroz, macarrão e snacks, cada nova notificação eleva a probabilidade de amostragem na entrada e alonga o desembaraço mesmo das remessas em conformidade. Para os exportadores indianos, a diferença entre uma notificação europeia e mais de 275 contra produtos chineses vira argumento documental na disputa sobre as suspensões impostas pela China em março.