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Ucrânia torna-se importadora líquida de lácteos após alta de 39% nas compras

A Ucrânia tornou-se importadora líquida de lácteos em valor entre janeiro e agosto de 2026. As importações cresceram 39%, para 56,2 mil toneladas, com os queijos representando 58%, enquanto a receita de exportação caiu 17%.

Ucrânia torna-se importadora líquida de lácteos após alta de 39% nas compras

Conta de importação supera receita de exportação

A Ucrânia tornou-se importadora líquida de produtos lácteos em valor entre janeiro e agosto de 2026, revertendo a posição de exportadora líquida registrada um ano antes. Segundo a Associação de Produtores de Leite, citada pela Ukrinform e pela Mezha, o país importou 56,2 mil toneladas de lácteos nos oito meses, alta anual de 39%. O valor das compras aumentou 23%, para US$ 253,13 milhões.

As exportações continuaram maiores em volume, com 86,92 mil toneladas, mas tiveram valor inferior, de US$ 248,79 milhões. O volume exportado caiu 7% em relação ao ano anterior e a receita recuou 17%. A diferença mostra o peso de produtos com margens relativamente baixas, como leite em pó desnatado e soro de leite, nas vendas ucranianas, enquanto o país importa categorias de maior valor. Apenas em agosto, o déficit no comércio de lácteos foi de US$ 3,34 milhões.

Queijos concentram a pressão competitiva

Os queijos representaram 58% de todas as importações de lácteos, tornando-se a principal fonte de pressão sobre os processadores ucranianos. A associação do setor destacou o aumento da concorrência dos produtos poloneses e observou que os fabricantes da Polônia recebem apoio estatal. O queijo também está entre os produtos lácteos ucranianos de maior margem no exterior, mas os fornecedores locais não conseguiram ampliar de forma significativa sua participação nas exportações.

A Ucrânia importou 8,23 mil toneladas de lácteos em agosto. O volume foi 6% menor que o de julho, porém 59% superior ao de agosto de 2025. No mesmo mês, os exportadores embarcaram 10,86 mil toneladas no valor de US$ 30,51 milhões. Em comparação com julho, o volume caiu 11% e a receita, 18%; ante agosto de 2025, o volume avançou 7%, mas o faturamento recuou 2%. As exportações de queijo cresceram 8% no mês, para 1,21 mil toneladas, e geraram US$ 5,24 milhões. A manteiga registrou a maior queda mensal, de 42%.

Acesso aos mercados torna-se decisivo

Entre janeiro e agosto, os sorvetes responderam por 26% das exportações, o leite e o creme de leite concentrados por 25%, os queijos por 17%, a manteiga por 11% e o soro de leite por 7%. Em agosto, na comparação anual, as exportações de leite e creme concentrados cresceram 22%, para 2,76 mil toneladas; as de soro avançaram 18%, para 1,35 mil toneladas; e as de sorvete subiram 37,3%, para 2,17 mil toneladas. A Ukrinform informou que a menor produção de leite cru na União Europeia e a alta das cotações de commodities podem sustentar a demanda externa por lácteos ucranianos.

A manutenção do acesso ao mercado da UE dependerá do cumprimento das exigências europeias de bem-estar animal. A Ucrânia comprometeu-se a implementá-las integralmente até 1º de janeiro de 2028, incluindo as disposições da Ordem nº 224, em vigor desde 1º de janeiro de 2026. Fazendas ou fábricas irregulares podem enfrentar restrições da UE, que também dificultariam reexportações para terceiros países. Moldávia e Cáucaso do Sul continuam sendo mercados importantes, embora a Moldávia esteja alinhando suas regras aos padrões europeus e os riscos marítimos ligados à Rússia compliquem a logística para o Cáucaso. No Cazaquistão, destino relevante para o queijo ucraniano, cresce a concorrência de produtos russos e bielorrussos. A infraestrutura do Azerbaijão foi proposta como rota alternativa para a Ásia Central e o Oriente Médio.

Análise completa do mercado

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