Ucrânia alerta que produção de cereais e oleaginosas pode cair para 40 milhões de toneladas
A produção ucraniana de cereais e oleaginosas pode cair de 80 milhões para 40 milhões de toneladas no ano seguinte se o bloqueio dos portos da Grande Odesa continuar. A redução do plantio, os limites das rotas alternativas e um possível déficit de armazenagem ameaçam os produtores e a futura oferta exportável.
Áreas não plantadas podem reduzir a produção
A produção conjunta de cereais e oleaginosas da Ucrânia pode cair pela metade no ano seguinte, para 40 milhões de toneladas, se persistirem as difíceis condições provocadas pelo bloqueio dos portos. O Delo.ua noticiou o alerta após o ministro da Política Agrária e Alimentação, Taras Vysotsky, explicar a jornalistas a pressão financeira e logística enfrentada pelos produtores rurais.
O risco não envolve a perda de uma safra já colhida, mas culturas que podem nem chegar a ser plantadas. Segundo Vysotsky, uma área agrícola significativa pode ficar sem semeadura caso os produtores não consigam escoar os produtos e obter os recursos necessários para o próximo ciclo. Pequenas empresas agrícolas e propriedades próximas à linha de frente enfrentam as maiores dificuldades.
Vysotsky afirmou que a Ucrânia possui 28.500 entidades empresariais na categoria correspondente de produtores agrícolas. Ainda não é possível estimar quantas podem interromper as atividades no ano seguinte. Uma suspensão não significaria necessariamente falência, mas poderia retirar uma área considerável da produção.
Capacidade de exportação concentra o risco
O ministério havia previsto anteriormente que a Ucrânia produziria cerca de 80 milhões de toneladas de cereais e oleaginosas em 2026, das quais aproximadamente 60 milhões de toneladas poderiam estar disponíveis para exportação. Vysotsky alertou que a safra pode ficar em apenas 40 milhões de toneladas se as condições atuais persistirem. Isso representaria uma redução de 50% ante a expectativa anterior do ministério.
A restrição imediata é o bloqueio dos portos da Grande Odesa, que dão à Ucrânia acesso aos mercados agrícolas internacionais. O país pode perder pelo menos 50% de seu potencial exportador se o bloqueio continuar, segundo o Delo.ua. As rotas alternativas movimentam atualmente apenas cerca de 30% do volume necessário, e sua capacidade máxima é estimada em 50%.
Essa diferença afeta o setor antes mesmo do plantio da próxima safra. Quando cereais e oleaginosas não deixam o país no ritmo necessário, os estoques aumentam, os armazéns ficam cheios e os produtores demoram mais para receber. Vysotsky declarou que, em termos puramente matemáticos, a Ucrânia não conseguiria escoar pelo menos 50% da produção nas condições descritas.
Pressão sobre a armazenagem pode surgir em novembro
As restrições às exportações também podem provocar em novembro um déficit na capacidade interna de armazenagem de cereais. A insuficiência potencial é estimada entre 8 milhões e 11 milhões de toneladas. Esse déficit aumentaria a pressão sobre agricultores que mantêm estoques e poderia dificultar o recebimento de novas colheitas.
Para os mercados internacionais, a principal incerteza é quanto cereal e oleaginosa da Ucrânia continuará disponível depois que as limitações logísticas internas influenciarem as decisões de plantio. O alerta não detalha o impacto sobre cada cultura nem apresenta uma nova estimativa de exportação para uma safra de 40 milhões de toneladas. Ainda assim, aponta para uma possível redução de uma importante fonte de abastecimento para compradores estrangeiros.
A dimensão do impacto dependerá da melhora do acesso aos portos e da ampliação dos corredores alternativos. Caso nenhum desses avanços ocorra, os produtores podem deixar terras sem plantio ou suspender temporariamente as operações. O efeito do bloqueio deixaria então de se limitar ao atraso no embarque dos estoques atuais e passaria a reduzir a produção física e a oferta exportável no ciclo comercial seguinte.