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Ucrânia corre risco de falta de cebola na primavera de 2027 após corte nas áreas plantadas

Muitas fazendas ucranianas reduziram a área de cebola nesta safra e parte dos grandes produtores abandonou totalmente a cultura, informou a UkrAgroConsult citando especialistas do setor. A produtividade caiu de 20 a 30 toneladas por hectare e os preços já não ficam abaixo de 10 hryvnias por quilo, ante 2 a 2,5 hryvnias na colheita do ano passado.

Ucrânia corre risco de falta de cebola na primavera de 2027 após corte nas áreas plantadas

A Ucrânia pode enfrentar falta de cebola e alta expressiva de preços na primavera de 2027, informou a UkrAgroConsult citando especialistas do setor. Muitas fazendas reduziram a área da cultura nesta safra e parte dos grandes produtores deixou de plantá-la por completo. A queda de produtividade, preços de colheita várias vezes superiores aos do ano passado e exportações ativas para mercados vizinhos apertam ainda mais a oferta interna.

Grandes produtores saem da cultura

A saída de produtores consolidados é a mudança mais relevante do lado da oferta. Algumas empresas armazenaram até 15 mil toneladas de cebola no ano passado, mas nesta safra não cultivaram o produto, segundo a UkrAgroConsult. Surgiram poucos produtores novos capazes de repor esses volumes, o que restringe ainda mais a oferta disponível para processadores, atacado e redes varejistas.

Para os compradores, a composição da oferta remanescente pesa tanto quanto o número da área. Quem abastece o mercado do inverno até a primavera são sobretudo as operações grandes com capacidade de armazenagem, enquanto os pequenos produtores vendem o grosso da colheita logo após a retirada. Quando os detentores de armazéns saem da cultura, o volume disponível na parte final da safra cai mais do que a área plantada.

Tempestades de poeira e geadas tardias reduzem a produtividade

Ao corte de área somou-se a piora do desempenho no campo. A produtividade recuou cerca de 20 a 30 toneladas por hectare em relação à safra anterior, informou a UkrAgroConsult. No sul, as lavouras foram danificadas por tempestades de poeira, enquanto nas regiões central e oeste pesaram as geadas tardias e as chuvas intensas prolongadas.

As condições difíceis de armazenagem são apontadas como pressão adicional sobre o balanço interno. O estresse climático durante o ciclo e a armazenagem comprometida costumam resultar em perdas maiores e deterioração mais rápida do produto guardado ao longo do inverno, de modo que o volume efetivamente disponível na primavera pode ficar abaixo do que a colheita sugere.

Preços várias vezes acima do ano passado

O mercado já se reprecificou. Na colheita do ano passado a cebola era vendida a 2 a 2,5 hryvnias por quilo, enquanto nesta safra os preços em geral não caem abaixo de 10 hryvnias por quilo, segundo a UkrAgroConsult. No oeste da Ucrânia, os preços no atacado chegaram a 18 a 20 hryvnias por quilo em alguns períodos.

  • Preço na colheita do ano passado: 2 a 2,5 hryvnias por quilo
  • Piso da safra atual: em geral não inferior a 10 hryvnias por quilo
  • Picos no atacado do oeste da Ucrânia: 18 a 20 hryvnias por quilo

Uma diferença dessa magnitude no início da temporada de armazenagem é típica de uma cultura que perdeu área e produtividade ao mesmo tempo. O período de colheita costuma marcar o piso anual; um piso de 10 hryvnias por quilo deixa pouco espaço para o desconto sazonal habitual e fixa uma base alta para a curva de inverno e primavera.

Exportações para Moldávia, Romênia e Bulgária aumentam a pressão

A cebola ucraniana, junto com outras hortaliças, já é embarcada para a Moldávia, a Romênia e a Bulgária, informou a UkrAgroConsult. Com produção reduzida, a continuidade das exportações consome mais cedo os estoques internos e pode aprofundar o déficit no mercado doméstico na primavera.

O resultado da primavera depende da velocidade com que os estoques forem escoados. Se acabarem antes da nova safra, a lacuna terá de ser coberta por importações ou por preços que racionem a demanda. Para processadores e varejistas que planejam contratos do primeiro semestre de 2027, a questão prática é garantir volumes agora nos níveis atuais ou assumir o risco de um mercado mais apertado e mais caro na primavera.

Análise completa do mercado

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