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Ucrânia eleva previsão de safra, trigo russo recua e colheita polonesa acelera

A Ucrânia elevou para 84,6 milhões de toneladas sua previsão para a safra de grãos e oleaginosas de 2026, enquanto os preços de exportação do trigo russo recuaram. Os ataques à infraestrutura do mar Negro ainda provocam oscilações curtas, mas a maior oferta limita altas sustentadas.

Ucrânia eleva previsão de safra, trigo russo recua e colheita polonesa acelera

Ataques no mar Negro geram apenas altas breves

Os ataques à infraestrutura russa e ucraniana no mar Negro continuam movimentando os contratos futuros de trigo, mas não produziram uma alta duradoura. Segundo a Top Agrar, os portos dos dois países respondem por 45% dos embarques mundiais de trigo para exportação. Os ataques, portanto, elevam as cotações na MATIF, enquanto dias mais tranquilos trazem novas quedas.

No mercado físico, os volumes crescentes da safra de 2026 ganham peso. A projeção de produção ucraniana foi elevada, os preços russos nos portos caíram e a colheita acelerou em grande parte da Polônia. Esses sinais de oferta compensam parte do prêmio de risco associado aos ataques repetidos contra portos e navios.

Ucrânia eleva projeções de produção e exportação

A Associação Ucraniana de Grãos aumentou em 1 milhão de toneladas sua previsão para a safra de grãos e oleaginosas de 2026, para 84,6 milhões de toneladas. A revisão foi atribuída ao clima favorável e à umidade adequada do solo, que proporcionaram produtividade acima do esperado nas regiões colhidas mais cedo.

A associação estima que a Ucrânia poderá exportar quase 52 milhões de toneladas em 2026/27, ante 41 milhões de toneladas no ano comercial anterior. O resultado depende da retomada integral das operações marítimas na região da Grande Odesa. Os ataques russos continuam prejudicando a infraestrutura portuária e os navios que fazem escala nos terminais ucranianos.

A safra ucraniana de trigo é estimada em 23,7 milhões de toneladas, com potencial de exportação de 18 milhões, 4 milhões acima do ano anterior. A produção de cevada pode chegar a 5,5 milhões de toneladas, com exportações de 2,3 milhões. Para o milho, a projeção é de 32,1 milhões de toneladas, das quais até 27 milhões poderão ser exportadas.

Mesmo com as restrições logísticas, os embarques já superam os do ano passado. Até o fim de julho, a Ucrânia exportou 2,6 milhões de toneladas de grãos e leguminosas, ante 1,68 milhão no mesmo período anterior. As vendas de trigo alcançaram 1 milhão de toneladas, alta de 250 mil toneladas. A cevada avançou 27 mil toneladas, para 294 mil, enquanto o milho, com 1,24 milhão de toneladas, ficou quase 50% acima do ano anterior.

Ofertas russas recuam com exportações mais lentas

O trigo russo se estabilizou inicialmente em 235 dólares por tonelada FOB após a primeira fase da escalada. Uma semana depois, o IKAR avaliou o trigo com 12,5% de proteína, para entrega no início de setembro, em 226 dólares por tonelada, queda semanal de 9 dólares. A SovEcon indicou entre 228 e 230 dólares por tonelada. Na Rússia, o aumento do custo do frete foi citado como causa da queda dos preços portuários.

Segundo a União Russa de Grãos, a Rússia exportou 1,8 milhão de toneladas de trigo em julho, ante quase 2,2 milhões em julho de 2025. O atraso na colheita e a situação nos mares de Azov e Negro limitaram os embarques. Os exportadores russos planejam vender entre 3 e 3,5 milhões de toneladas em agosto.

Colheita polonesa avança com grandes diferenças regionais

O tempo quente e ensolarado acelerou fortemente a colheita na Polônia, embora a produtividade varie de 3–4 a 6–8 toneladas por hectare, com alguns relatos de 10 toneladas. Opole e Silésia ultrapassaram 90% da área, a Baixa Silésia chegou a 80%, Lubusz alcançou até 90% e a Grande Polônia, 95%. No norte, o avanço foi menor: cerca de 20–30% na Masúria e aproximadamente 20% em partes da Pomerânia.

Em 6 de agosto, o trigo para setembro na MATIF era cotado a 219,75 euros por tonelada, 10 euros abaixo da semana anterior, enquanto dezembro valia 228,25 euros. Na Polônia, o trigo para moagem teve média de 823 zlotys por tonelada após cair 6 zlotys em 14 dias, com ofertas de 770–870 zlotys. O trigo para ração ficou em 772 zlotys. O milho registrou a maior alta quinzenal, de 13 zlotys, para 844 zlotys por tonelada, apoiado por contratos portuários e pela demanda dos processadores.

Análise completa do mercado

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