Dados do Banco Mundial mostram cereais de novo em alta e expõem a dependência tunisina do trigo importado
Os preços internacionais dos cereais sobem desde junho, segundo a atualização do Banco Mundial sobre segurança alimentar publicada em 28 de setembro de 2026. A Tunísia ainda importa mais de metade do seu trigo, embora a FAO estime as necessidades de importação de 2026/2027 em cerca de 1,8 milhão de toneladas, 8% abaixo da média de cinco anos.
Os preços internacionais dos principais cereais voltaram a subir, segundo a mais recente atualização do Banco Mundial sobre segurança alimentar, publicada em 28 de setembro de 2026, com dados fechados em 16 de setembro de 2026. A alta vem desde junho e é acompanhada de perto na Tunísia, onde as importações ainda cobrem mais de metade do abastecimento interno de trigo.
O Banco Mundial descreve os mercados alimentares mundiais como globalmente bem abastecidos. Associa a retomada das cotações dos cereais não à falta de grão, mas a condições de produção mais apertadas e ao encarecimento dos fertilizantes, conforme o relato do L'Economiste Maghrebin.
As interrupções no mar Negro puxam o movimento
A Reuters informou em 23 de setembro que as perturbações nos embarques de trigo da Rússia e da Ucrânia contribuíram para forte avanço dos preços mundiais, com os futuros de trigo em Chicago 40% acima das mínimas de junho. Para a Tunísia, essa trajetória se reflete diretamente no custo do programa de compras, já que Rússia e Ucrânia estavam entre os seus principais fornecedores de trigo.
Boa safra de 2026 reduz a necessidade de importar
No seu último balanço sobre a segurança alimentar na Tunísia, publicado em agosto de 2026, a FAO estima as necessidades de importação de trigo em cerca de 1,8 milhão de toneladas para a campanha 2026/2027, 8% menos do que a média dos últimos cinco anos. A produção cerealífera tunisina de 2026 é avaliada em torno de 1,8 milhão de toneladas, quase 20% acima da média de cinco anos, favorecida sobretudo por chuvas favoráveis a partir de dezembro de 2025. Mesmo com essa melhoria, as importações devem continuar a responder por mais de metade da oferta local de trigo.
Os dados nacionais apontam na mesma direção. A coleta de cereais da campanha 2025-2026 alcançou cerca de 11 milhões de quintais, dos quais 8,1 milhões de quintais de trigo duro, segundo os números divulgados em setembro pelo Office des Céréales.
- Necessidade de importação de trigo em 2026/2027: cerca de 1,8 milhão de toneladas, 8% abaixo da média de cinco anos (FAO)
- Produção cerealífera da Tunísia em 2026: cerca de 1,8 milhão de toneladas, quase 20% acima da média de cinco anos (FAO)
- Coleta de 2025-2026: cerca de 11 milhões de quintais, incluindo 8,1 milhões de quintais de trigo duro (Office des Céréales)
- Importações de trigo mole, trigo comum e mistura de trigo e centeio em 2024: cerca de 1,59 milhão de toneladas por 417,1 milhões de dólares (dados comerciais compilados pelo Banco Mundial)
A conta de 2024 e o canal das licitações
Em 2024, a Tunísia importou cerca de 1,59 milhão de toneladas de trigo mole, trigo comum e mistura de trigo e centeio, no valor de 417,1 milhões de dólares, segundo os dados do comércio internacional compilados pelo Banco Mundial. A Ucrânia e a Rússia figuravam entre os principais fornecedores naquele ano, o que liga diretamente os custos de abastecimento do país à conjuntura do mercado do mar Negro.
A compra é centralizada. O Office des Céréales detém o monopólio da importação de trigo duro e trigo mole, adquire o grão por licitação e atua no abastecimento do mercado interno. Por isso as variações dos preços mundiais passam primeiro pela compra pública, e não por importadores comerciais.
O repasse ao consumidor não é direto
Os dados da FAO mostram a inflação alimentar tunisina desacelerando para 6,6% em julho de 2026, contra 8,2% em abril e maio. As principais pressões vinham então da carne e das frutas frescas, enquanto os preços do óleo alimentar e dos ovos recuavam em termos anuais.
A alta atual das cotações internacionais, portanto, não significa automaticamente um aumento equivalente dos preços do pão, da farinha ou da sêmola na Tunísia. Trata-se sobretudo de um risco potencial para o custo do abastecimento de cereais, em especial se as tensões internacionais se prolongarem. A safra de 2026 funciona como fator de atenuação, e a FAO espera volumes importados abaixo da média histórica em 2026/2027. Mas, para um país que ainda precisa comprar no exterior mais de metade do seu trigo, uma subida duradoura dos preços mundiais pode rapidamente pressionar a conta de importação, as necessidades de financiamento do abastecimento e os equilíbrios alimentares em geral.