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Trigo sobe com tensões no mar de Azov e início fraco das exportações da UE

Os futuros europeus do trigo atingiram 216,50 euros por tonelada, com os riscos de navegação no mar de Azov elevando o prêmio do grão do mar Negro. As exportações de trigo mole da UE abriram a temporada 2026/27 com queda de 62%, enquanto a grande safra romena criou uma janela limitada de vendas.

Trigo sobe com tensões no mar de Azov e início fraco das exportações da UE

Riscos no mar de Azov elevam as cotações

Os mercados globais de trigo avançaram, pois restrições e riscos de segurança no mar de Azov levantaram dúvidas sobre a logística de exportação da Rússia e da Ucrânia. Segundo a Agrointel, o trigo para moagem com entrega em setembro na Euronext fechou a terça-feira com alta de 0,8%, a 216,50 euros por tonelada. A publicação afirmou que cerca de um quarto das exportações russas de grãos passa pelo mar de Azov. Autoridades e exportadores russos, porém, dizem que as cargas podem ser desviadas para outros terminais, especialmente Novorossiysk.

O mercado incorpora a possibilidade de custos maiores com transporte rodoviário e ferroviário, combustível e seguro marítimo na região do mar Negro. As ofertas de trigo para moagem do mar Negro, com entrega no Sudeste Asiático em agosto e setembro, subiram cerca de 10 dólares por tonelada ante o mês anterior. A cotação FOB chegou a 233 dólares por tonelada, o maior nível desde 24 de junho. Compradores asiáticos passaram a avaliar o trigo australiano, cotado a 271 dólares por tonelada FOB na categoria premium e a 266 dólares na categoria padrão.

Os mercados dos Estados Unidos também avançaram. A Money.ro informou que os futuros de setembro atingiram 247,17 dólares por tonelada em Chicago e 248,48 dólares em Kansas City após altas superiores a 3%. Em um retrato posterior do mercado, a Agrointel indicou cerca de 237 dólares por tonelada em Chicago. A Money.ro atribuiu a alta às tensões no mar Negro e à redução da estimativa do USDA para os estoques mundiais de trigo, para 272,84 milhões de toneladas, quase 2,8 milhões de toneladas abaixo da previsão anterior.

Temporada de exportação da UE começa devagar

Dados da Comissão Europeia citados pela Agrointel mostram que as exportações de trigo da UE somaram apenas 214.904 toneladas até 12 de julho, queda de 62% em relação ao mesmo período da temporada passada. As exportações de cevada caíram 75%, para 187.408 toneladas, enquanto as importações de milho da UE cresceram 55%, para 590.301 toneladas. A campanha exportadora de 2026/27 começou fraca apesar da alta dos preços internacionais.

A Romênia ficou em terceiro lugar entre os exportadores de trigo da UE informados, com 53.834 toneladas, atrás da Polônia, com 66.627 toneladas, e da Lituânia, com 57.249 toneladas. O país importou 429 toneladas de trigo. Sua posição foi muito mais forte na cevada: as exportações alcançaram 185.944 toneladas, bem acima das 870 toneladas da Dinamarca e das 517 toneladas da Hungria, embora os dados da Comissão para a França estivessem incompletos.

O Parlamento da Ucrânia também ratificou um acordo de livre comércio com a Turquia. Segundo a Agrointel, cereais e óleo de girassol representam atualmente cerca de 77% das exportações ucranianas para o país. O acesso facilitado pode desviar parte da oferta ucraniana da UE, mas também intensificar a concorrência com a Romênia nos mercados do mar Negro.

Romênia ganha uma janela estreita de vendas

O trigo romeno subiu para cerca de 247 dólares por tonelada FOB Constanța, 11 dólares acima do nível anterior e bem acima do trigo russo, em torno de 233 dólares. A Money.ro informou que a safra romena de trigo em 2026 é estimada entre os 11 milhões de toneladas previstos pelo USDA e quase 14 milhões de toneladas calculados pelo setor agrícola do país. Cerca de 2,25 milhões de hectares foram plantados; propriedades irrigadas alcançam até 8 toneladas por hectare, contra 3–4 toneladas nas áreas sem irrigação.

A vantagem de preço continua dependente da logística e da geopolítica. O redirecionamento de cargas russas por Novorossiysk ou uma redução das tensões no mar de Azov pode eliminar rapidamente o prêmio de risco do mar Negro. A grande safra e os embarques romenos limitados no início da temporada deixam mais volume disponível aos exportadores, mas os importadores podem escolher a oferta russa mais barata ou alternativas australianas. O preço FOB atual representa, portanto, uma possível janela curta de vendas, e não um novo equilíbrio duradouro do mercado.

Análise completa do mercado

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