Trigo-sarraceno sobe 11% na Rússia com menor plantio e seca em Altai
O preço de varejo do trigo-sarraceno na Rússia subiu 11%, para quase 86 rublos por quilograma, segundo a Pravda.ru. A área plantada caiu 9%, enquanto a seca em Altai e a redução dos estoques apertaram a oferta.
Preço de varejo se aproxima de 86 rublos por quilograma
O trigo-sarraceno processado ficou 11% mais caro nas lojas russas, chegando a quase 86 rublos por quilograma, segundo a Pravda.ru. A alta ocorre após vários anos em que grandes estoques mantiveram os preços baixos, apesar da mudança nas condições de rentabilidade enfrentadas pelos agricultores.
Boa parte desses volumes acumulados já foi absorvida pelo mercado. Arkadi Zlochevski, presidente da União Russa de Grãos, afirmou que o mercado praticamente digeriu os estoques, criando as condições para a elevação dos preços. Com essa reserva menor, o setor fica mais exposto à safra atual, às decisões de plantio e aos custos operacionais em toda a cadeia.
Agricultores migram para culturas mais rentáveis
A baixa rentabilidade levou produtores a reduzir o plantio de trigo-sarraceno e direcionar terras para oleaginosas e grãos mais lucrativos. Dados da Rosstat citados pela Pravda.ru mostram que a área agrícola total da Rússia diminuiu 3,4% em 2026. A área de grãos e leguminosas encolheu 6,6%, enquanto a de trigo-sarraceno registrou queda mais acentuada, de 9%.
A mudança reflete a reação dos agricultores à volatilidade dos preços e às margens reduzidas. Viktor Smirnov classificou a alteração da estrutura de plantio como um processo econômico normal: quando o trigo-sarraceno deixa de gerar lucro suficiente, os produtores escolhem alternativas mais estáveis. A consequente redução da oferta pode elevar os preços pagos por processadores, varejistas e consumidores.
Seca amplia o impacto da redução da área
O clima acrescentou pressão na região de Altai, principal polo produtor de trigo-sarraceno da Rússia. A região colheu cerca de 600 mil toneladas em 2025 e manteve a liderança nacional, mas a seca na temporada atual agravou o efeito da redução da área plantada.
A combinação de menos hectares e condições desfavoráveis na principal região produtora aumenta a dependência dos rendimentos em outras áreas e dos estoques remanescentes. As reservas agora têm menor capacidade de compensar uma safra fraca do que nos anos anteriores. A fonte disponível não apresenta uma previsão atual para a produção nacional nem informa o volume ainda armazenado.
Custos e comportamento do consumidor elevam o risco
As pressões inflacionárias também contribuem para o aumento. Gastos maiores com combustível, logística, processamento e mão de obra são repassados das propriedades rurais às indústrias e ao varejo. Com uma reserva menor, esses custos podem aparecer nos preços das lojas mais rapidamente do que em períodos de oferta abundante.
Especialistas também alertam para possíveis distorções provocadas pela demanda. Na Rússia, o trigo-sarraceno é tradicionalmente visto como um alimento para estocar em momentos de crise. Uma onda de compras preventivas pode criar escassez temporária ou artificial mesmo quando ainda há mercadoria nos armazéns. A trajetória dos preços dependerá, portanto, não apenas da safra e da área plantada, mas também da reação de consumidores e distribuidores às notícias de oferta mais apertada.