Tarifas e fiscalização trabalhista dos EUA pressionam exportações dominicanas
Os Estados Unidos impuseram tarifas de 10% a 12,5% sobre importações dominicanas após uma investigação da Seção 301 sobre controles de bens produzidos com trabalho forçado. Outras constatações americanas atingem cana-de-açúcar, produtos de panificação, café, arroz e tomate, enquanto uma proibição fitossanitária fechou o mercado americano para mangas dominicanas.
Duas medidas dos EUA elevam barreiras para fornecedores dominicanos
Os exportadores dominicanos enfrentam simultaneamente tarifas americanas mais altas e maior fiscalização sobre produtos agrícolas e industriais associados ao trabalho forçado ou infantil. O Listín Diario informou que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos anunciou, em 23 de julho de 2026, tarifas contra 60 economias, após concluir que elas não haviam criado ou aplicado de forma eficaz proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Iniciada em março sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a investigação incluiu audiências públicas, consultas com governos e mais de 2.100 manifestações de organizações, empresas e cidadãos.
A República Dominicana está entre as economias afetadas. Segundo o AlMomento, o governo do presidente Donald Trump definiu tarifas de 10% a 12,5% sobre importações dominicanas e de outros países, vigentes desde 24 de julho. O El Dinero informou uma alíquota de 12,5% para o país. Os resultados detalhados da investigação não foram publicados, deixando os exportadores sem uma explicação pública, produto a produto, sobre o cálculo da tarifa.
Cadeia do açúcar concentra a maior exposição
A lista americana de 2024 de bens produzidos por trabalho infantil ou forçado inclui produtos dominicanos de panificação, café, arroz, tomate e cana-de-açúcar. A cana permanece na lista desde 2009. O AlMomento afirmou que o relatório identifica trabalhadores de origem ou ascendência haitiana como os mais afetados pelas condições de trabalho forçado e amplia a preocupação para açúcar bruto e refinado, melaço, rum, bagaço e furfural.
A exposição comercial é altamente concentrada. Citando dados da alfândega dominicana, o El Dinero informou que os Estados Unidos recebem 92,5% das exportações de açúcar de cana do país, enquanto Porto Rico recebe 7,2%. Como Porto Rico segue a legislação americana, as medidas podem afetar destinos responsáveis por 99,7% dessas exportações. As constatações americanas também abrangem mercadorias que podem conter insumos da indústria açucareira dominicana, como bebidas, doces, ração animal, papel, materiais de construção, biocombustíveis, produtos químicos industriais, medicamentos e álcool medicinal.
O Escritório de Assuntos Trabalhistas Internacionais afirmou que os indícios foram observados em plantações de empresas privadas, entidades públicas e pequenos produtores independentes. As conclusões também apontam especificamente trabalho infantil na produção de itens de panificação, café, arroz, cana-de-açúcar e tomate. O AlMomento informou que o órgão classificou como mínimos os avanços dominicanos, citando número insuficiente de inspetores, ausência de fiscalizações direcionadas e exclusão de muitas crianças sem documentos de identidade dos programas educacionais e sociais.
Governo reage enquanto comércio de manga é interrompido
O presidente Luis Abinader respondeu com o Decreto 502-26, que estabelece um procedimento administrativo para prevenir, identificar e restringir a entrada na República Dominicana de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado. Segundo o El Dinero, as regras também alcançam mercadorias já embarcadas, presentes em portos ou submetidas a um regime aduaneiro antes da entrada definitiva no território dominicano.
Os exportadores também enfrentam uma restrição fitossanitária separada. O El Dinero informou que os Estados Unidos proibiram mangas dominicanas depois que o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal alertou, desde 2023, sobre riscos da mosca-das-frutas identificados em auditorias de propriedades. O mercado americano recebe 26,7% das exportações dominicanas de manga. Entre 2021 e 2025, o setor exportou US$200,6 milhões, incluindo US$53,6 milhões em vendas aos Estados Unidos, segundo o Ministério da Agricultura dominicano.
Custos de conformidade avançam além das propriedades rurais
As medidas criam riscos simultâneos para produtores, processadores e fabricantes de zonas francas. O setor açucareiro depende fortemente de poucos destinos, enquanto empresas alimentícias e industriais que usam derivados da cana podem precisar de documentação mais robusta sobre condições de trabalho e origem dos insumos. Os produtores de manga precisam resolver separadamente o problema fitossanitário antes de recuperar um mercado responsável por mais de um quarto de suas vendas externas. A previsibilidade do acesso dependerá de a fiscalização, a rastreabilidade e os controles fitossanitários satisfazerem as autoridades americanas.
Análise completa do mercado