Soja atinge máxima de 26 meses com riscos climáticos e demanda chinesa
Os futuros da soja em Chicago chegaram a 12,49 dólares por bushel, maior nível desde maio de 2024 e 18,9% acima do fim de 2025. A seca nos Estados Unidos, o possível impacto do El Niño no Brasil, as compras chinesas e a demanda por biocombustíveis sustentam o mercado.
Soja atinge maior nível desde maio de 2024
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago chegaram a 12,49 dólares por bushel, maior nível em 26 meses, diante das preocupações com a oferta provocadas por tensões geopolíticas e clima seco. Segundo o Haberler.com, o mercado não alcançava patamar semelhante desde maio de 2024, quando a cotação chegou a 12,58 dólares por bushel. O preço atual representa alta de 18,9% em relação ao fim de 2025.
A valorização resulta de várias pressões simultâneas. Conflitos que afetam corredores comerciais do mar Negro ao estreito de Ormuz e ao sul do mar Vermelho aumentaram a incerteza sobre o transporte de commodities. Ondas de calor na Europa e nos Estados Unidos, custos mais altos de energia e fertilizantes e o risco de El Niño em importantes regiões agrícolas acrescentaram um prêmio climático e de custos aos preços agrícolas.
Seca nos EUA e clima no Brasil ameaçam a produtividade
O clima nos Estados Unidos é uma fonte central de risco para a oferta. Regiões agrícolas importantes enfrentam temperaturas elevadas e chuvas irregulares, condições que podem reduzir o potencial de produtividade da soja. O momento é especialmente sensível porque a cultura entra em agosto nas fases de formação e enchimento das vagens. O clima nesse período terá grande influência sobre a produção final e poderá alterar rapidamente as projeções de disponibilidade mundial.
O especialista em mercados futuros e commodities Zafer Ergezen disse à Anadolu Agency que o Brasil ocupa a primeira posição entre os produtores mundiais, seguido pelos Estados Unidos. Segundo ele, as temperaturas no Brasil oscilam sob a influência do El Niño, enquanto o impacto nos Estados Unidos é mais limitado. Ainda assim, as condições devem provocar alguma perda de produtividade e produção. Ergezen afirmou que o El Niño pode continuar até o início de 2027. Um evento forte poderia levar a safra brasileira de soja para baixo das expectativas atuais e manter os preços firmes nos próximos seis meses.
Compras da China reforçam a demanda
A demanda amplia a alta motivada pelo clima. A China, maior importadora mundial de soja, realizou recentemente novas compras nos Estados Unidos. Segundo Ergezen, 812 mil toneladas de soja americana foram vendidas à China em duas semanas. O volume sustenta diretamente o mercado dos Estados Unidos e aumenta a importância das condições das lavouras: uma queda da produtividade encontraria um programa de importação que já absorve oferta adicional.
Os mercados de energia acrescentam outra fonte de demanda. Ergezen afirmou que a alta do petróleo elevou a procura por biodiesel e outros biocombustíveis, apoiando o consumo de soja e seus derivados. Ao mesmo tempo, avaliou que os estoques de soja não são particularmente robustos. Para processadores, compradores de ração e importadores, a combinação de estoques limitados, compras chinesas ativas e incerteza sobre a produtividade aumenta a exposição a novas oscilações de preços. Os produtores se beneficiam da soja mais cara, mas também enfrentam custos maiores de energia e fertilizantes. Os operadores acompanharão as chuvas e temperaturas durante o enchimento das vagens nos Estados Unidos em agosto, a intensidade do El Niño no Brasil e o ritmo de novas compras chinesas. Essas variáveis determinarão se o avanço acima de 12 dólares por bushel será temporário ou se dará origem a um aperto mais prolongado no mercado mundial de oleaginosas.