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Seca na África Oriental reduz a produção de leite e o Quênia recorre a Uganda

Uma estação seca prolongada está reduzindo ao mesmo tempo a produção de leite no Quênia e em Uganda. O Quênia amplia as compras de leite ugandense para cobrir um déficit interno, enquanto a Jesa Farm Dairy anunciou falta temporária de seus produtos no mercado ugandense.

Seca na África Oriental reduz a produção de leite e o Quênia recorre a Uganda

Uma estação seca prolongada na África Oriental está reduzindo os volumes de leite cru dos dois lados da fronteira entre Quênia e Uganda: o Quênia entra em déficit de oferta e um dos maiores processadores ugandenses alerta para a falta temporária de suas próprias marcas.

Quênia entra em déficit de leite

O Quênia recorre cada vez mais a Uganda para se abastecer de leite, à medida que a estação seca prolongada continua a deprimir a produção interna e leva o país a um déficit de oferta. O leite está entre as proteínas animais mais consumidas no país, e os processadores têm pouca margem quando a captação cai: leite cru não pode ser estocado, e a lacuna só se fecha comprando mais dos produtores, importando ou reconstituindo leite em pó.

A produção nos dois países depende em grande parte de pastagens de sequeiro, de modo que a produtividade dos rebanhos acompanha o clima, e não as decisões de compra de ração. Quando a pastagem seca, a produção por vaca cai em poucas semanas e permanece baixa até que as chuvas voltem e o capim se recupere. Por causa dessa defasagem, os déficits da estação seca costumam persistir por algum tempo após as primeiras chuvas.

Jesa Farm Dairy anuncia falta temporária

A Jesa Farm Dairy anunciou falta temporária de seus produtos lácteos no mercado ugandense, citando a redução da produção provocada pela estação seca prolongada. Em comunicado da diretoria, a empresa vinculou a lacuna diretamente à menor disponibilidade de leite cru, e não a restrições de processamento ou distribuição.

O anúncio diz mais sobre o estado da base de matéria-prima do que sobre uma única empresa. Um processador desse porte compra de um amplo conjunto de produtores e, se não consegue manter as linhas cheias, plantas menores que trabalham com os mesmos fornecedores dificilmente estarão em situação melhor. Enquanto durar a escassez, os compradores em Uganda encontrarão menos leite fresco e menos produtos de maior valor agregado nas prateleiras.

Os fluxos transfronteiriços apertam

Os dois fatos estão ligados. Uganda costuma ser o produtor superavitário da região e fornecedor regular dos processadores quenianos, de modo que os compradores do Quênia ampliam volumes em um mercado que já está apertado. Compradores ugandenses e quenianos disputam os mesmos caminhões-tanque de leite cru, o que sustenta os preços pagos ao produtor em Uganda e ao mesmo tempo encarece a matéria-prima para as fábricas no Quênia.

A logística amplifica o efeito. O leite que sai dos postos de coleta ugandenses rumo às fábricas quenianas passa mais tempo em trânsito, o que aumenta a necessidade de refrigeração, o risco de cargas recusadas por qualidade e o custo por litro entregue. Um período em que o Quênia precisa de volumes ugandenses enquanto Uganda tem falta em casa também recoloca em foco a regulação do comércio transfronteiriço de lácteos.

O que acompanhar

O rumo do mercado nas próximas semanas depende menos da capacidade de processamento do que das chuvas e da rapidez com que os rebanhos se recuperam quando a pastagem volta. Alguns indicadores mostrarão se o déficit diminui ou se aprofunda:

  • o início e a regularidade das próximas chuvas nas zonas leiteiras do Quênia e de Uganda;
  • os preços do leite cru pagos ao produtor em Uganda, que refletem a competição entre compradores internos e exportadores;
  • a disponibilidade e o preço do leite fresco no varejo de Kampala e Nairóbi;
  • uma eventual migração dos processadores quenianos para o leite em pó importado para cobrir a falta.

Análise completa do mercado

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