Rússia reduz 2,4 vezes importações de manteiga do Cazaquistão após suspensão de certificações
O valor das importações russas de manteiga do Cazaquistão caiu 2,4 vezes em termos anuais, para US$ 1,9 milhão, no primeiro semestre de 2026. A queda ocorreu após a suspensão da certificação de determinados exportadores de laticínios, fortemente dependentes do mercado russo.
Comércio de manteiga cai para US$ 1,9 milhão
A Rússia reduziu 2,4 vezes o valor das importações de manteiga do Cazaquistão no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo dados da alfândega cazaque citados por Infox e News.ru, os embarques de janeiro a junho somaram US$ 1,9 milhão, ou cerca de 161 milhões de rublos.
Os números divulgados mostram a variação em valor, mas não informam o volume físico nem os preços médios. Portanto, não é possível determinar quanto da queda resultou de menores quantidades e quanto decorreu de mudanças nos preços ou na composição dos produtos. Ainda assim, a dimensão da retração indica uma interrupção relevante em uma relação comercial particularmente importante para os fornecedores de laticínios do Cazaquistão.
Suspensão de certificações afeta exportadores
Finance Mail.ru e News.ru atribuíram a queda à suspensão da certificação de exportadores cazaques de determinados produtos lácteos destinados a compradores russos. As reportagens não identificaram as empresas atingidas nem os produtos específicos abrangidos. Também não informaram quando o processo de certificação poderá ser retomado.
A Infox afirmou que a interrupção pode estar relacionada a exigências de qualidade e segurança dos alimentos ou à necessidade de cumprir normas regulatórias modificadas. O veículo apresentou essa explicação como uma possibilidade, e não como motivo oficialmente confirmado. Também não foram divulgados números sobre cargas rejeitadas, custos adicionais de conformidade ou capacidade produtiva afetada.
Outras categorias de laticínios também recuam
A fraqueza não ficou restrita à manteiga. O valor dos embarques cazaques de queijo e coalhada para a Rússia caiu 25% entre janeiro e junho, para US$ 2,1 milhões, segundo a Finance Mail.ru. As vendas de leite condensado e creme de leite recuaram 4,3 vezes, para US$ 1,23 milhão. A News.ru converteu esses valores para aproximadamente 178 milhões e 104 milhões de rublos, respectivamente.
Em conjunto, os dados mostram que o problema de certificação coincidiu com quedas em várias categorias de laticínios processados. A retração foi mais forte em leite condensado e creme de leite, enquanto queijo e coalhada registraram uma queda menor, mas ainda relevante. As fontes não esclarecem se todos os recuos foram causados pelas mesmas restrições ou se demanda, preços e outros fatores comerciais também contribuíram.
Dependência da Rússia amplia o risco
Apesar da redução dos fluxos, a Rússia continuou sendo o principal destino dos produtos cazaques afetados. No primeiro semestre de 2026, o país respondeu por 94% das exportações de manteiga do Cazaquistão, 53,3% das vendas externas de queijo e coalhada e 41,1% das exportações de leite condensado, informou a Finance Mail.ru.
Essa concentração deixa pouco espaço para os processadores cazaques redirecionarem rapidamente a manteiga caso o acesso aos compradores russos continue restrito. Os mercados de queijo, coalhada e leite condensado são mais diversificados, mas a Rússia ainda absorve uma parcela expressiva das vendas externas. Se as certificações não forem restabelecidas, os produtores terão de buscar outros destinos, ajustar a produção ou vender mais no mercado interno.
Para os importadores russos, o impacto imediato dependerá da capacidade de processadores locais ou de outros fornecedores estrangeiros substituírem os produtos. As fontes não apresentaram dados sobre preços no atacado, estoques ou compras alternativas na Rússia. A duração e o alcance da suspensão serão decisivos: uma interrupção curta tende a atrasar o comércio, enquanto uma restrição prolongada pressionará os exportadores cazaques a diversificar sua base de clientes.