Receita russa com exportações de carne suína à China cresce 1,4 vez no primeiro semestre
A Rússia exportou US$ 50,2 milhões em produtos suínos para a China entre janeiro e junho de 2026, 1,4 vez o valor de um ano antes. O país manteve a quarta posição entre os fornecedores chineses e se aproximou do Reino Unido, embora junho tenha registrado queda mensal e anual.
Receita russa alcança US$ 50,2 milhões
A Rússia exportou US$ 50,2 milhões em produtos suínos para a China entre janeiro e junho de 2026, 1,4 vez os US$ 35,7 milhões registrados um ano antes. A Interfax divulgou os dados com base em informações da Administração-Geral das Alfândegas da China. O avanço prolonga o crescimento de um canal comercial aberto somente em abril de 2024.
A Rússia manteve a quarta colocação entre os principais fornecedores de carne suína da China no semestre. Sua receita se aproximou da obtida pelo Reino Unido, que forneceu US$ 53,7 milhões em produtos. A diferença ficou em US$ 3,5 milhões, deixando o país ao alcance dos três primeiros em valor caso consiga sustentar o ritmo recente.
Espanha e Brasil seguem na liderança
A China comprou produtos suínos de 17 países entre janeiro e junho. A Espanha liderou com vendas de US$ 241,1 milhões, seguida pelo Brasil, com US$ 125,8 milhões. Os dois países permaneceram muito à frente da Rússia e do Reino Unido, mostrando que fornecedores consolidados ainda dominam o mercado importador chinês apesar do rápido crescimento russo.
Os US$ 50,2 milhões da Rússia equivaliam a cerca de um quinto das vendas espanholas e a menos da metade do resultado brasileiro. Para produtores e comerciantes russos, a comparação mostra tanto o progresso desde a recuperação do acesso ao mercado quanto a distância que ainda os separa dos dois maiores fornecedores.
Junho fica abaixo de maio e do ano anterior
O crescimento semestral não foi acompanhado por uma alta contínua a cada mês. A receita russa com embarques de produtos suínos para a China caiu para US$ 9,2 milhões em junho, ante US$ 10,2 milhões em junho de 2025. O resultado também ficou abaixo dos US$ 10,8 milhões de maio de 2026, o maior valor mensal do ano.
A queda de junho indica que a forte comparação semestral foi sustentada pelos ganhos acumulados nos meses anteriores. Para os exportadores, a receita mensal no segundo semestre será um indicador importante para saber se a expansão continuará ou se o mercado começará a se estabilizar após o aumento inicial dos embarques.
Outra fábrica russa recebe autorização
A carne suína russa entrou pela primeira vez no mercado chinês em abril de 2024, depois que a China suspendeu a proibição às importações no outono de 2023. A autorização inicial foi concedida a três empresas: Miratorg, Tambovsky Bacon, do grupo Rusagro, e Velikoluksky Meat Processing Plant. A Miratorg foi a primeira exportadora a iniciar os embarques.
Em julho de 2026, a Kursk Meat Processing Plant foi incluída na lista de exportadores habilitados. A nova autorização amplia o grupo de processadores russos capazes de atender a China e pode intensificar a disputa por contratos. Contudo, os dados aduaneiros apresentados medem o valor comercial, não o volume físico embarcado.
Em 2025, a Rússia exportou US$ 86,5 milhões em produtos suínos para a China, 1,6 vez os US$ 53,3 milhões de 2024. Os US$ 50,2 milhões obtidos nos primeiros seis meses de 2026 já superam metade do total de 2025. O próximo teste será verificar se a capacidade recém-autorizada consegue compensar a perda de ritmo mensal observada em junho.