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Romênia anuncia medidas para criadores de ovinos após protesto violento em Bucareste; exportações dependem da Comissão Europeia

Depois que o protesto de pastores de 15 de setembro na praça Victoriei, em Bucareste, degenerou em confrontos, o governo romeno divulgou um pacote de medidas para criadores de ovinos e caprinos. As exportações de ovinos e caprinos vivos só poderão ser retomadas após a Comissão Europeia aprovar o plano de ação enviado pela autoridade veterinária ANSVSA. As indenizações por seca e por custos de alimentação continuam sem financiamento e dependem do Parlamento.

Romênia anuncia medidas para criadores de ovinos após protesto violento em Bucareste; exportações dependem da Comissão Europeia

O governo da Romênia apresentou um pacote de medidas para criadores de ovinos e caprinos depois que o protesto de terça-feira, 15 de setembro, na praça Victoriei, em Bucareste, degenerou em confrontos com a gendarmaria. O primeiro-ministro Ilie Bolojan tomou conhecimento das reivindicações entregues ao governo pela Associação Profissional dos Pastores (Asociația Profesională a Ciobanilor – APC) e discutiu as respostas com o vice-primeiro-ministro Tánczos Barna, ministro interino da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, segundo comunicado emitido pela sede do governo, Palatul Victoria, e divulgado pela B1 TV.

Retomada das exportações depende de Bruxelas

O ponto mais relevante para o setor é a suspensão das exportações de animais vivos. A Autoridade Nacional Sanitária Veterinária e de Segurança Alimentar (ANSVSA) enviou à Comissão Europeia um plano de ação para desbloquear as exportações de ovinos e caprinos, informou o Adevărul, citando o comunicado do governo. As exportações só poderão ser retomadas após a aprovação desse plano pela Comissão, destacou o Monitorul de Cluj ao noticiar a resposta do primeiro-ministro.

O bloqueio das exportações decorre de restrições sanitárias. Sobre a peste dos pequenos ruminantes e a varíola ovina e caprina, o governo afirmou que o abate sanitário foi aplicado “de forma excepcional e apenas em situações em que não existiam outras soluções alternativas viáveis”, e que as autoridades procederão da mesma maneira no futuro, conforme a situação sanitário-veterinária, segundo o Sibiu 100%, que citou a Mediafax. A atividade da ANSVSA é coordenada por Tánczos Barna na condição de vice-primeiro-ministro e ministro interino da Agricultura.

Indenizações redigidas, financiamento em aberto

Duas medidas financeiras centrais nas reivindicações dos pastores permanecem incompletas. O Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural declarou apoiar o pedido de indenização pelos danos da seca nas pastagens e ter elaborado uma proposta, mas alertou que a medida tem impacto orçamentário significativo e exige a identificação dos recursos financeiros necessários.

Um segundo projeto de lei, elaborado em conjunto com as associações representativas de criadores de ovinos, compensaria os custos adicionais de alimentação dos rebanhos. “No contexto atual, na ausência de um governo com plenos poderes, o projeto precisa ser aprovado pelo Parlamento”, afirmou o Executivo. O governo acrescentou que parte significativa das ações sanitário-veterinárias já é financiada pelo orçamento do Estado e que qualquer ampliação exigiria recursos orçamentários suplementares e uma análise prévia de impacto financeiro e orçamentário.

Arrendamento de pastagens e rastreabilidade dos transportes

O comunicado lista outros compromissos relativos ao acesso à terra, à fiscalização e ao diálogo com o setor:

  • O arrendamento de pastagens é feito pelas unidades administrativo-territoriais; o ministério iniciou um controle temático após petições de produtores, para identificar procedimentos de arrendamento em que as disposições legais em vigor não foram respeitadas.
  • O ministério começou a desenvolver um sistema informatizado de rastreabilidade em tempo real dos transportes de animais, a ser construído pela ANSVSA, com o objetivo de combater os transportes ilegais de animais.
  • Desde 9 de julho de 2026 foram realizadas seis reuniões entre representantes dos criadores de ovinos, a ANSVSA e o ministério, na sede do governo, nas sedes das duas instituições e junto às autoridades locais de Brașov e Sibiu.

Governo contesta a representatividade do protesto

O Executivo afirmou que nenhuma associação representativa de produtores do setor de criação de ovinos participou do protesto de terça-feira. “O governo da Romênia respeita o direito legal ao protesto pacífico de todos os cidadãos, mas o protesto na praça Victoriei ultrapassou esse limite e degenerou em lamentáveis atos de violência”, diz o comunicado, que apela à calma e ao fim da violência.

Os gendarmes usaram gás lacrimogêneo depois que alguns participantes — que, segundo as autoridades, não pertencem ao setor agrícola — atiraram pedras e peças de mobiliário urbano e tentaram forçar a entrada na sede do governo, informou o Adevărul. Os incidentes bloquearam o tráfego em várias vias principais da capital, foram aplicadas multas no valor de 11.000 lei e várias pessoas foram levadas a delegacias. Vários manifestantes precisaram de atendimento médico. O Sibiu 100% informou que o protesto dos pastores continuava na praça Victoriei e que uma delegação foi convidada a Cotroceni.

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