Queda do preço do suíno ameaça 111 mil empregos em Sonora, no México
A suinocultura de Sonora alerta que a queda dos preços pagos ao produtor pode fechar granjas e afetar cerca de 111 mil empregos. O setor atribui a crise às importações recordes e à pressão dos mercados internacionais.
Fechamento de granjas ameaça um importante estado produtor
A queda contínua do preço do suíno coloca em risco granjas e empregos em Sonora, o segundo maior estado produtor de carne suína do México. O Dossier Político informou que algumas propriedades podem fechar diante da perda de rentabilidade, afetando potencialmente cerca de 111 mil postos de trabalho ligados à atividade no estado.
A União Pecuária Regional dos Suinocultores de Sonora, UGRPS, afirmou que o governo federal precisa equilibrar o mercado, reduzir as importações e apoiar os produtores nacionais. Sonora produz cerca de 287 mil toneladas de carne suína por ano. Uma retração no estado também poderia afetar o abastecimento nacional.
Preço ao produtor cai muito mais do que ao consumidor
Os dados oficiais apontam uma redução relativamente moderada no varejo. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor publicado pelo instituto de estatística Inegi, o preço da carne suína caiu 2,51% em termos anuais na primeira quinzena de julho. Foi a terceira quinzena consecutiva de queda, enquanto o recuo acumulado nos primeiros seis meses do ano chegou a 4,20%.
Nas granjas, a deterioração é muito maior. A Organização dos Suinocultores Mexicanos, Opormex, afirmou que o preço pago ao produtor caiu cerca de 30% desde dezembro de 2025. A diferença em relação ao comportamento dos preços ao consumidor indica que os criadores estão absorvendo uma pressão consideravelmente maior.
A Opormex atribui a crise ao crescimento das importações de carne suína e à pressão dos mercados internacionais, fatores que ampliaram a oferta disponível no México. A UGRPS informou que as importações atingiram o recorde de 1,53 milhão de toneladas em 2025, das quais 81% vieram dos Estados Unidos. As duas entidades alertam que o volume pode crescer mais de 46% em 2026 na comparação com o ano anterior.
Setor pede ação coordenada do governo federal
O Ministério da Economia do México abriu em dezembro de 2025 uma investigação antidumping sobre as importações de pernil e paleta suína originárias dos Estados Unidos. O procedimento foi publicado no Diário Oficial da Federação, mas os produtores consideram que a medida não foi suficiente para reverter a crise.
A UGRPS aderiu ao pedido da Opormex para a criação imediata de um grupo nacional de trabalho com os ministérios da Agricultura e Desenvolvimento Rural, da Economia e da Fazenda. Para os produtores, a questão central é saber se o governo conseguirá estabilizar os preços antes que os prejuízos provoquem fechamentos. Para processadores e compradores, uma redução da produção em Sonora pode restringir a oferta interna. A continuidade do avanço das importações aumentaria a dependência mexicana da carne suína estrangeira e manteria a pressão sobre as granjas locais.