Produtores de arroz do Peru ameaçam greve nacional a partir de 23 de julho por queda de preços ligada às importações
Os produtores de arroz do Peru avisam que iniciarão uma greve nacional a partir de 23 de julho caso o governo não atenda à crise do setor. Segundo o La República, os agricultores responsabilizam o aumento das importações por saturar o mercado, derrubar os preços e agravar o endividamento de milhares de produtores.
Produtores de arroz do Peru ameaçam greve nacional a partir de 23 de julho
Os produtores de arroz do Peru advertiram que iniciarão uma greve nacional a partir de 23 de julho caso o governo não atenda às demandas do setor, informou o La República. As organizações arrozeiras afirmam que a crise atinge milhares de agricultores em diversas regiões do país. Elas responsabilizam o aumento das importações de arroz por saturar o mercado interno, reduzir a rentabilidade da produção nacional e agravar o endividamento dos produtores.
Guillermo Pérez, dirigente dos produtores de arroz do vale de Tumbes, afirmou que as organizações arrozeiras confirmarão a data da greve caso o Executivo não apresente medidas concretas contra a queda da rentabilidade nacional. Em declarações à rádio Exitosa, reproduzidas pelo La República, ele disse que os produtores não têm atualmente outro meio de ser ouvidos.
Importações apontadas pela saturação do mercado
Pérez identificou o aumento das importações como um dos principais problemas do setor, afirmando que elas inundaram o mercado interno e dificultaram a venda do arroz peruano. "Os grandes importadores encheram nossos mercados. Até os moinhos estão abarrotados", declarou. Ele também acusou os importadores de trazer arroz estrangeiro, misturá-lo ao arroz peruano de melhor qualidade e vender a mistura como se fosse produto nacional, prática que classificou como "uma deslealdade do Estado" para com os produtores. Para compradores e traders, a queixa aponta para uma cadeia de beneficiamento sobreabastecida, na qual o arroz importado e o nacional competem diretamente no atacado.
Endividamento crescente dos produtores
O impasse também tem uma dimensão financeira. Pérez advertiu que centenas de produtores carregam dívidas com bancos públicos e privados após as perdas dos últimos meses. "Nem sabemos o que fazer. A maioria das pessoas está endividada tanto com a banca privada quanto com a estatal", disse ele, segundo o La República. A combinação de preços fracos na porteira e créditos bancários em aberto está no centro do pedido de intervenção do governo.
Pressão sobre o Ministério da Agricultura
Como parte do protesto, os produtores realizaram em 9 de julho um ato em frente ao Ministério de Desenvolvimento Agrário e Irrigação (Midagri), exigindo uma reunião com o ministro e soluções para a crise. Pérez afirmou que o ministro é a principal autoridade encarregada de atender às reivindicações dos agricultores e pediu resposta imediata.
Ele lembrou que os arrozeiros lideraram a última greve agrária e advertiu que as bases regionais voltarão a coordenar ações caso o governo permaneça em silêncio. "Se não houver resposta, iremos a uma paralisação total, porque não temos outro meio de protesto para sermos atendidos", disse. Os produtores reiteraram que 23 de julho é a data prevista para o início da greve nacional caso o Executivo não adote medidas para aliviar a crise do setor arrozeiro.