Produção mundial de tomate para processamento cairá abaixo de 40 milhões de toneladas; preços na Ucrânia seguem altos
O World Processing Tomato Council prevê que a produção mundial de tomate para processamento caia para 39,8 milhões de toneladas em 2026, abaixo dos 40 milhões, com Espanha, Irã, Grécia e Brasil cortando colheitas. A Ucrânia mantém a produção em 550.000 toneladas, mas os preços do tomate fresco de estufa seguem acima do ano passado.
A produção mundial de tomate para processamento cairá nesta safra abaixo de 40 milhões de toneladas, segundo o World Processing Tomato Council (WPTC), enquanto os preços do tomate de estufa na Ucrânia seguem bem acima do ano passado. A previsão atualizada do WPTC coloca a produção de 2026 em 39,8 milhões de toneladas, abaixo da marca simbólica de 40 milhões, já que o clima extremo reduz as colheitas nos principais países produtores.
Colheita mundial cai abaixo de 40 milhões de toneladas
Calor, seca, granizo e chuvas intensas obrigaram os grandes produtores a revisar para baixo suas previsões de colheita, segundo os dados do WPTC citados pelo obozrevatel.com. A Espanha registra as maiores perdas: a colheita prevista foi reduzida para 2,7 milhões de toneladas por causa do calor e do granizo. A Grécia cortou sua previsão em cerca de 10.000 toneladas após tempestades e granizo, enquanto o Irã reduziu sua estimativa para 1,7 milhão de toneladas por falta de água. O Brasil enfrenta as consequências das chuvas de maio e a disseminação de doenças nas plantas.
A Itália é a exceção. Graças à ampliação das áreas de cultivo, sua previsão foi elevada para 6,1 milhões de toneladas, apesar das restrições ao uso de água dos rios. Como o tomate para processamento abastece o mercado internacional de extrato, ketchup e molhos, os déficits na Espanha, Grécia, Irã e Brasil podem pressionar para cima os preços mundiais da matéria-prima.
Ucrânia mantém produção em 550.000 toneladas
Nesse cenário, a Ucrânia aparece relativamente estável. O WPTC manteve sua previsão de produção de tomate industrial em 550.000 toneladas, em linha com o resultado de 2025, de modo que a produção deve se manter apesar do calor e da seca globais. O relatório descreve as condições climáticas como, em geral, favoráveis: a semeadura terminou em meados de junho e a colheita deve começar na segunda semana de agosto. Por ora, observa o obozrevatel.com, não há motivo para preocupação no mercado interno, embora o mau tempo prolongado em outros lugares possa encarecer os produtos de tomate importados.
Tomate de estufa mais caro do que há um ano
Com o tomate fresco de estufa a história é outra. Apesar do aumento sazonal da oferta, os preços seguem bem acima dos níveis de 2025, informou a Dengi.ua citando a revista Plantator. No início de junho, o tomate de estufa era vendido a 80–120 UAH por quilo, abaixo dos 150–170 UAH anteriores e de lotes pontuais perto de 230 UAH, mas ainda acima dos 60–75 UAH cobrados pelos produtores um ano antes. A AgroTimes, citada pela 24tv.ua, indica a mesma faixa.
A causa principal é a oferta limitada: muitas estufas apostaram nesta safra no pepino e reduziram os volumes de tomate, enquanto a produção de estufas de verão e de campo aberto ainda não move o mercado e as importações são pequenas demais para mudar o quadro. Os mais caros continuam sendo os tomates rosados, italianos e cereja, enquanto as variedades vermelhas clássicas ficam mais baratas aos poucos com a nova colheita.
Perspectiva de preços para os compradores
Nos supermercados, o monitoramento da OBOZ.UA colocou o tomate vermelho comum em torno de 70 a 92 UAH por quilo — de 20 a 40 UAH mais barato do que no fim de junho e quase um terço da média de maio, que superou 230 UAH. Os analistas aconselham não ter pressa. O período mais econômico costuma chegar na segunda quinzena de agosto, quando o tomate ucraniano de campo aberto domina o mercado e os preços caem ao mínimo sazonal. «O tomate barateia mais devagar do que o pepino porque precisa de mais calor. Por enquanto domina o tomate de estufa», explicou Ksenia Guseva, analista da APK-Inform, acrescentando que os preços vão cair assim que as estufas de verão e o campo aberto chegarem em massa ao mercado.