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Preços da batata na Rússia sobem 35,3% em um ano, a maior alta entre os alimentos

Os preços da batata no varejo russo subiram 35,3% em doze meses, para 59,1 rublos por quilograma, e quase 39% no atacado. A nova safra já derrubou os preços em 13,5% em setembro, mas o Ministério da Agricultura espera cerca de 8 milhões de toneladas, meio milhão de toneladas menos que no ano anterior.

Preços da batata na Rússia sobem 35,3% em um ano, a maior alta entre os alimentos

A batata foi o alimento com maior alta de preços na Rússia no último ano. No varejo, os preços subiram 35,3%, para 59,1 rublos por quilograma, e no atacado quase 39%, informou o Kommersant. Segundo dados do Rosstat citados pelo BFM.ru, o preço médio no varejo chegou a 59 rublos por quilograma no fim de agosto, 35% acima do nível de um ano antes.

A alta superou todos os demais itens da chamada “cesta do borscht”, o conjunto de hortaliças usado na Rússia como referência de inflação de alimentos. Nos mesmos doze meses, o repolho branco subiu 32,1%, a cebola 27,9%, a beterraba 23,3% e a cenoura 17,5%.

Base baixa depois de uma safra quase recorde

Especialistas citados pelo Kommersant atribuem a dimensão do aumento sobretudo à base de comparação baixa deixada pela temporada anterior. O setor organizado colheu então quase 8,5 milhões de toneladas de batata, perto do recorde, e esse volume derrubou os preços.

Irina Koziy, diretora-geral da agência de informação FruitNews e responsável pelo projeto Yagodnaya Akademiya, afirmou que a temporada de 2025 trouxe à Rússia uma superprodução significativa de batata e de hortaliças da cesta do borscht, o que provocou queda acentuada dos preços. Neste ano os volumes de colheita se normalizaram e os preços partiram de patamares mais altos.

Os custos reforçaram a pressão. O Kommersant lista três fatores além do efeito base:

  • problemas no mercado de combustíveis;
  • encarecimento de peças de reposição;
  • falta de mão de obra na horticultura, que levou os produtores a elevar salários para reter e atrair trabalhadores.

A nova safra inverte a tendência

A chegada da nova safra já mudou a direção dos preços: em setembro a batata ficou 13,5% mais barata, segundo os dados do Rosstat citados pelo BFM.ru.

Koziy explicou que os menores preços do ano são tradicionalmente registrados em outubro e início de novembro, quando a colheita termina e a parte do volume que não vai para armazenamento prolongado chega ao mercado de uma só vez na maioria das regiões russas.

O Ministério da Agricultura espera neste ano uma safra de cerca de 8 milhões de toneladas, meio milhão de toneladas menos que na temporada anterior. As redes de varejo não preveem desabastecimento. Mais de 80% da batata nas prateleiras é de produção russa, segundo dados da Associação de Empresas de Comércio Varejista (AKORT) citados pelo Kommersant. A União da Batata apresenta previsão em geral favorável para a qualidade e o volume da colheita nacional.

Saída de armazéns aponta para alta na primavera

A partir do fim do outono, a oferta passa a depender da batata que sai dos armazéns ou vem de outras regiões. Koziy espera que isso produza uma alta lenta de preços, com pico no fim da primavera.

A primavera é também quando a Rússia recorre à importação de variedades de inverno, tendo Egito, Bangladesh e Paquistão como fornecedores tradicionais. No fim da primavera e início do verão entra produto dos vizinhos do sul, principalmente do Azerbaijão. No período de colheita em massa o fluxo se inverte e a Rússia passa a exportar batata, inclusive para o Azerbaijão.

A safra do Azerbaijão é menor este ano do que no anterior, disse Koziy, de modo que o volume importado pela Rússia provavelmente superará o do ano passado. Analistas citados pelo Kuban News esperam uma nova rodada de alta de preços até a primavera.

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