Preços baixos dos suínos e restrições chinesas aceleram saída de produtores alemães
Os suinocultores alemães enfrentam preços de apenas € 1,45 por quilograma, impactos sanitários na Espanha e restrições comerciais chinesas. O Handelsblatt retrata uma propriedade familiar com 3.800 suínos cuja futura sucessora precisa de outro emprego porque a fazenda não sustenta suas despesas.
Pressões globais chegam às granjas alemãs
O número de suinocultores está diminuindo na Alemanha, enquanto preços baixos, doenças animais e restrições aos embarques para a China aumentam a pressão sobre os produtores. Segundo o Handelsblatt, os suínos estão cotados a apenas € 1,45 por quilograma. Nesse nível, a volatilidade do mercado mundial de carne suína torna-se uma questão imediata de sobrevivência para propriedades familiares.
A pressão não vem de uma única fonte. Um surto de peste suína africana na Espanha afetou o mercado europeu, enquanto a suspensão dos embarques para a China reduziu o acesso a um importante destino externo. Para as granjas alemãs, esses acontecimentos somam choques externos a um ambiente operacional que já era difícil.
As restrições relacionadas à China atingem mais do que os exportadores que atendem diretamente esse mercado. Quando a carne suína não chega a um grande comprador, mais oferta permanece em outros mercados, aumentando a concorrência entre produtores e processadores. Problemas sanitários em outro grande país produtor europeu também podem alterar o movimento de animais, a demanda de abate e os preços regionais.
Uma propriedade com 3.800 suínos sob pressão
O Handelsblatt ilustra a situação com o caso de Annika Thier, produtora de 28 anos de Rosenberg, no estado de Baden-Württemberg. Ela trabalha há sete anos na propriedade do pai, que mantém 3.800 suínos e opera 120 hectares. Thier deseja assumir o negócio apesar das limitações financeiras.
Durante esses sete anos, ela não pagou salário a si mesma nem tirou férias, segundo o jornal. A renda da granja não é suficiente para financiar seu custo de vida. Por isso, Thier trabalha pela manhã no instituto estadual de criação de suínos na vizinha Boxberg e depois retorna à propriedade para preparar as instalações para a chegada de novos leitões.
Essa carga de trabalho mostra por que a sucessão se torna difícil até mesmo em uma fazenda estabelecida, com milhares de animais e uma área considerável. Uma futura sucessora precisa combinar emprego externo com as tarefas diárias da criação, ao mesmo tempo que permanece exposta a preços parcialmente determinados por acontecimentos em outros países europeus e mercados de exportação distantes.
A sucessão torna-se uma questão de mercado
Com o preço de € 1,45 por quilograma, os produtores dispõem de menos recursos para salários, manutenção e investimentos futuros. As granjas precisam receber leitões, preparar as instalações e cuidar dos animais independentemente da cotação de mercado. Quando a operação não consegue gerar renda para a próxima geração, o incentivo para continuar diminui.
Os efeitos alcançam processadores e outras empresas que atendem à pecuária. Uma queda contínua no número de suinocultores concentraria a produção em menos propriedades e reduziria a base de clientes de criadores, transportadoras e fornecedores rurais. Os frigoríficos também poderiam enfrentar mudanças no volume e na distribuição geográfica dos animais disponíveis.
O plano de Thier de assumir a propriedade familiar mostra que ainda há disposição para continuar na atividade. A principal restrição é a capacidade da suinocultura de proporcionar renda estável. Com preços baixos, choques sanitários e restrições chinesas convergindo, as granjas alemãs precisam absorver riscos originados muito além de suas próprias instalações.