Preço do melaço complica planos da Indonésia para implementar E10 e E20
Produtores indonésios de cana consideram o preço do melaço um obstáculo à futura implementação das misturas E10 e E20. O programa terá de conciliar os custos e as margens de agricultores, usinas, produtores de etanol e fornecedores de combustíveis.
Economia da matéria-prima vira restrição central
Os planos da Indonésia para ampliar o uso de etanol na gasolina enfrentam um desafio ligado à economia do melaço, subproduto da fabricação de açúcar que pode ser usado como matéria-prima para etanol combustível. Segundo a KONTAN, produtores de cana-de-açúcar consideram o preço do melaço um obstáculo à implementação da gasolina com 10% de etanol, conhecida como E10, e à futura adoção da mistura E20, com 20%.
A posição dos agricultores coloca o custo da matéria-prima no centro do debate antes da introdução de percentuais maiores. O melaço também possui usos fora do mercado de combustíveis. Os produtores de etanol precisam, portanto, garantir fornecimento em condições aceitáveis para agricultores e usinas sem comprometer a competitividade do combustível final. Um preço atraente para os fornecedores pode elevar os custos do etanol; um valor muito baixo pode reduzir o incentivo para destinar o melaço à produção de combustível.
Desafio alcança as cadeias de açúcar e combustíveis
Para os produtores rurais, o melaço representa parte do valor gerado no processamento da cana. Seu preço afeta a rentabilidade do cultivo, juntamente com a receita obtida com o açúcar. Para as usinas, vender mais melaço ao setor de etanol pode abrir um mercado adicional, desde que os acordos de compra, a capacidade de processamento e a demanda por combustível avancem em conjunto.
O E10 contém 10% de etanol, enquanto o E20 dobra essa participação para 20%. A mudança entre esses níveis aumenta de forma relevante a quantidade de etanol necessária para cada unidade de gasolina misturada. Isso torna mais importante a compra confiável de matéria-prima e amplia a exposição dos custos de produção às variações do preço do melaço.
A questão não se limita à viabilidade técnica de produzir etanol a partir de melaço. As condições comerciais precisam conectar produtores de cana e usinas aos fabricantes de etanol e, por fim, aos fornecedores de combustíveis. Se essas condições não cobrirem os custos da cadeia, as plantas de etanol poderão ficar sem matéria-prima suficiente. Se o etanol ficar caro demais, as empresas de combustíveis poderão ter dificuldade para fornecer E10 ou E20 a preços comercialmente aceitáveis.
Política definirá quem absorve o custo
O alerta dos produtores indica que uma obrigação de mistura, isoladamente, pode não ser suficiente para criar um mercado duradouro. A Indonésia também precisa de regras claras para a compra da matéria-prima, a formação do preço do etanol e a aquisição do produto pelas empresas de combustíveis. A distribuição do risco de preço será importante para agricultores, usinas e companhias que avaliem investimentos em capacidade produtiva.
Contratos de longo prazo podem melhorar a previsibilidade, mas sua eficácia dependerá do método usado para determinar os preços do melaço e do etanol. Compras no mercado à vista oferecem flexibilidade, porém deixam os produtores mais expostos às oscilações. A passagem do E10 ao E20 ampliaria essas questões, pois a mistura maior exigiria fornecimento de etanol mais volumoso e confiável.
Para os participantes do mercado, o sinal imediato é que a execução depende tanto da economia industrial quanto do percentual formal de mistura. Os agricultores precisam de um mercado remunerador para o melaço; os processadores, de margem suficiente para convertê-lo em etanol; e os fornecedores de combustíveis, de volumes e custos previsíveis. Sem alinhar esses interesses, o preço do melaço pode retardar a transformação das metas públicas em produção comercial regular.