Polônia retoma pressão por acesso dos seus bovinos e ovos ao mercado dos EUA
A Polônia tenta acelerar a autorização dos EUA para carne bovina, ovos e ovoprodutos, em processos iniciados em 2015 e 2016. A cobrança ocorre enquanto a UE reduz ou elimina tarifas sobre produtos americanos selecionados, embora as autoridades polonesas ainda não registrem perturbações no mercado doméstico.
Processo de aprovação se aproxima de uma década
A Polônia voltou a questionar a demora na abertura do mercado dos EUA para sua carne bovina, seus ovos e ovoprodutos, enquanto as preferências tarifárias da União Europeia para determinados produtos agrícolas americanos já estão em vigor. Segundo a publicação agrícola polonesa Wiesci Rolnicze, o país busca acesso para a carne bovina desde 2015 e para ovos e ovoprodutos desde 2016.
O tema foi discutido pela vice-ministra da Agricultura Małgorzata Gromadzka, pelo responsável aduaneiro do Ministério das Finanças Piotr Szewczuk e por representantes das autoridades veterinárias polonesas. Nenhuma previsão de conclusão foi apresentada para qualquer dos processos americanos. Mirosław Dackiewicz, participante da reunião, questionou se ainda é justificável arcar com os custos do procedimento prolongado ou se a Polônia deveria concentrar mais esforços em outros mercados fora da UE.
Paweł Kobylarz, da Inspeção Veterinária-Geral, afirmou que os Estados Unidos estão entre os destinos de exportação mais exigentes. As regras americanas de segurança dos alimentos diferem das normas europeias, exigindo consultas longas, intercâmbio de informações e respostas às perguntas das autoridades dos EUA. Mesmo após a abertura formal do mercado, cada unidade de processamento precisa obter autorização para exportar.
Unidades enfrentam três níveis de inspeção
Uma unidade polonesa interessada em receber habilitação deve ser aprovada nos níveis distrital, provincial e central. Somente resultados positivos nas três etapas podem liberá-la para abastecer o mercado americano. O serviço veterinário da Polônia afirma responder continuamente às solicitações dos EUA, mas o avanço também depende da cooperação da administração americana.
A diferença no ritmo de abertura dos mercados ficou mais visível depois que novas regras da UE reduziram tarifas sobre produtos americanos selecionados, em alguns casos a zero. A União Europeia também abriu cotas tarifárias isentas para produtos como carne suína, carne de bisão-americano, laticínios e queijos. Gromadzka afirmou que as exigências veterinárias e de segurança dos alimentos da UE para produtos dos EUA não mudaram, o que deve limitar o crescimento das importações.
As autoridades polonesas avaliam que ainda é cedo para medir o impacto do acordo nos mercados europeu e nacional. Gromadzka declarou que o comércio com os Estados Unidos não provocou perturbações nos setores agrícolas da Polônia. Ela também destacou que cada carregamento que entra diretamente pela parte polonesa da fronteira externa da UE é inspecionado e pode ser impedido de chegar ao mercado.
Dados comerciais mostram capacidade exportadora
Os números aduaneiros apresentados na reunião abrangem apenas mercadorias desembaraçadas na Polônia. Eles não incluem produtos americanos liberados para circulação em outro Estado-membro e depois enviados ao mercado polonês. Com essa limitação, os embarques diretos dos EUA nas categorias de animais vivos, carnes e miudezas foram mínimos entre 2020 e 2025: registrou-se uma tonelada de aves domésticas vivas e nenhuma outra importação nas categorias analisadas.
As vendas polonesas aos Estados Unidos foram mais expressivas. Entre 2020 e 2025, a Polônia exportou 93.500 toneladas de carne suína e quase 4.000 toneladas de carne de aves e miudezas comestíveis para o mercado americano. Doces, bebidas e alimentos processados poloneses também estão presentes em lojas de grandes cidades da costa leste dos EUA, embora Dackiewicz tenha afirmado que esses produtos geralmente chegam por meio de relações individuais dos importadores.
O comércio total da Polônia com países de fora da UE mostra os volumes que poderiam ser direcionados a novos mercados. O país exportou mais de 67.000 toneladas de carne bovina fresca e refrigerada em 2024 e 57.000 toneladas em 2025. As exportações de carne de aves e miudezas chegaram a quase 666.000 toneladas em 2024 e a 599.000 toneladas no ano seguinte. Os embarques de carne suína fresca, refrigerada e congelada atingiram um pico superior a 148.000 toneladas em 2021 e ultrapassaram 100.000 toneladas em 2025. Segundo Gromadzka, as exportações agroalimentares polonesas para países fora da UE superaram 250 bilhões de zlotys em 2025, enquanto cerca de 30% dos produtos agroalimentares do país são destinados à Alemanha. A autorização americana criaria mais um canal de venda, mas os exportadores ainda teriam de obter habilitações para as unidades, lidar com diferenças regulatórias e conquistar espaço nos canais comerciais.