Exportações peruanas de frutas e hortaliças processadas chegam a US$ 893 milhões
As exportações peruanas de frutas e hortaliças processadas aumentaram oito vezes, de US$ 105 milhões em 2000 para US$ 893 milhões em 2025. A pauta tornou-se mais diversificada que a antiga concentração em aspargos em conserva, mas a redução dos volumes provocou queda de 5,4% no primeiro semestre de 2026.
Exportações aumentam oito vezes em 25 anos
O Peru exportou US$ 893 milhões em frutas e hortaliças processadas em 2025, oito vezes os US$ 105 milhões registrados em 2000, segundo a AgroPerú, com base em dados da Superintendência Nacional de Administração Aduaneira e Tributária, a Sunat. A categoria inclui conservas, confeitos, snacks e sucos e respondeu por 6,1% das exportações agrícolas peruanas para o mundo.
O crescimento foi acompanhado pela ampliação da pauta. No início do século, os aspargos em conserva dominavam a categoria, com US$ 81,5 milhões e participação de 77,8% nas exportações. Palmitos em conserva e pasta de tomate contribuíam com US$ 3,2 milhões cada, enquanto o suco de maracujá somava US$ 3,1 milhões.
Em 2025, as alcachofras em conserva tornaram-se o principal produto individual, com US$ 126 milhões. Os produtos do gênero Capsicum também ganharam destaque: as vendas de pimenta piquillo chegaram a US$ 90,4 milhões e as de pimentão, a US$ 36,6 milhões. As azeitonas em conserva geraram US$ 70 milhões e a polpa de manga, US$ 18,5 milhões.
Novos produtos e destinos mais diversificados
Itens mais recentes reforçaram o portfólio de processados. As exportações de abacaxi em calda totalizaram US$ 32,6 milhões em 2025 e tiveram origem quase integral em Ica. As vendas de suco de laranja congelado alcançaram US$ 24,6 milhões, com Junín respondendo por 61% do total. Esses produtos ampliam a oferta peruana de maior valor agregado para além das hortaliças em conserva que historicamente sustentaram o setor.
As frutas e hortaliças processadas chegaram a mais de 70 países em 2025. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, concentrando 43,8% dos embarques mundiais. A receita obtida nesse mercado cresceu 20,1% em relação a 2024, para US$ 391 milhões. As hortaliças em conserva geraram US$ 107 milhões, alta de 30,8%, e as alcachofras em conserva somaram US$ 64,3 milhões, avanço de 0,4%.
A Espanha foi o principal destino europeu, com compras de US$ 182 milhões em 2025 e crescimento anual de 26,9%. As conservas de pimenta piquillo, alcachofra e aspargo representaram 87,3% dos embarques ao mercado espanhol. As exportações para os Países Baixos e a França alcançaram US$ 58,3 milhões e US$ 35,3 milhões, respectivamente.
O Brasil liderou a demanda na América do Sul. Os embarques mais que dobraram, de US$ 23,8 milhões em 2024 para US$ 49,8 milhões em 2025, com as azeitonas em conserva representando 95,3% do valor. O Chile comprou US$ 23,4 milhões, alta de 22,8%, enquanto as vendas para a Colômbia avançaram 6,7%, para US$ 12,1 milhões.
Queda dos volumes interrompe a expansão
O setor perdeu força no primeiro semestre de 2026. As exportações recuaram 5,4%, de US$ 362 milhões no mesmo período de 2025 para US$ 342 milhões, principalmente devido à diminuição dos volumes embarcados. As vendas de alcachofras em conserva caíram 8,8%; as de aspargos, 28,9%; e as de pimenta piquillo, 10%.
A reversão mostra que o setor continua exposto a riscos produtivos e comerciais, apesar da expansão de longo prazo. A AgroPerú apontou que mudanças tarifárias elevam custos e reduzem a competitividade nos mercados de destino, enquanto eventos climáticos podem limitar a disponibilidade de matéria-prima e aumentar seu preço. Para produtores e processadores, a continuidade do crescimento dependerá de uma oferta agrícola confiável, custos industriais competitivos e acesso constante a uma carteira de mercados ainda concentrada nos Estados Unidos e na Espanha.
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