Analista diz que a proibição polaca à colza ucraniana desloca o comércio para o óleo
A Polónia não importa colza da Ucrânia, mas a matéria-prima ucraniana continua a chegar ao mercado polaco na forma de óleo de colza acabado, disse ao farmer.pl o analista da InfoGrain Miroslaw Marciniak. As importações de óleo subiram 130 mil toneladas face à campanha anterior num mercado que quase não comprava óleo no exterior, sendo o biodiesel o principal comprador. Para o analista, isso pressiona as margens de esmagamento e a procura por colza polaca em vez de elevar os preços ao produtor.
A proibição das sementes não fecha a fronteira à oferta ucraniana
A Polónia não importa colza da Ucrânia, mas a matéria-prima ucraniana pode continuar a chegar ao mercado polaco em forma processada, como óleo de colza. Esse é o argumento central apresentado por Miroslaw Marciniak, analista de mercados agrícolas da InfoGrain, durante o último Stol Farmera, segundo o farmer.pl. Na sua avaliação, o mecanismo tem consequências directas para o esmagamento interno e para a procura por colza polaca.
A restrição à importação de semente, disse Marciniak, não corta de todo o mercado polaco da matéria-prima ucraniana. «A colza vai para lá. O que acontece? Não podemos comprar colza da Ucrânia, mas podemos trazer óleo de colza da Ucrânia», afirmou, acrescentando que o mesmo funciona no sentido inverso.
Bloquear directamente as importações de óleo ucraniano também não resolveria a questão, porque o produto pode chegar à Polónia através de países terceiros. Se vizinhos como a Alemanha tiverem colza ucraniana mais barata, vão esmagá-la e enviar óleo de colza para a Polónia, afirmou o analista. Entre as origens possíveis citou ainda os Países Baixos.
O biodiesel é o comprador que dá o tom
Marciniak identificou o biodiesel como o maior consumidor de óleo de colza na Polónia. Quem organiza um concurso para comprar óleo de colza destinado a fins carburantes não se vai limitar, procurará amplamente e encontrará ofertas de importação mais baratas. Isso coloca as fábricas polacas em concorrência directa de preço com o óleo estrangeiro.
A consequência, segundo o analista, é pressão sobre a rentabilidade do processamento interno. «Se as nossas fábricas não forem competitivas, o esmagamento desta colza vai cair», disse. «E menos esmagamento significa menos procura por colza polaca.» As unidades querem acesso à matéria-prima porque querem produzir óleo; se a Polónia importar mais óleo acabado, esse volume de esmagamento desaparece.
Porque é improvável que a proibição eleve os preços ao produtor
Questionado directamente sobre se a situação poderia empurrar o preço da colza para cima no mercado polaco, Marciniak respondeu que o preço não se aguenta, porque no fim do dia o que importa é o óleo. Enumerou três componentes que determinam o preço da colza na Polónia:
- as cotações do Matif, globais e fora da influência polaca;
- o prémio, a única variável verdadeiramente local;
- a taxa de câmbio, igualmente fora de controlo interno.
Na campanha passada a Polónia foi um dos mercados de colza mais caros da Europa, afirmou, com prémios elevados ligados à escassa disponibilidade de matéria-prima nacional. O país teve de importar mais colza, e a importação é sempre mais cara, o que deixou a Polónia acima da Alemanha. Marciniak apontou ainda a inversão no comércio com o mercado alemão: há alguns anos a Polónia exportava colza para a Alemanha e hoje importa de lá mais do que envia.
Recordou os preços muito elevados de 2022, quando a colza chegou a 5 mil zlotys durante um ou dois dias. Esse nível foi possível porque os transformadores obtinham preços muito altos pelo óleo de colza e podiam pagar mais ao agricultor mantendo margem na venda. Hoje, disse, o esmagador não conseguirá gerar essa margem processando colza polaca.
O sinal das 130 mil toneladas
Marciniak considera a escala das importações de óleo como o indicador decisivo. As compras externas de óleo de colza foram, na campanha passada, 130 mil toneladas superiores às da anterior. «Até agora praticamente não importávamos óleo», afirmou, sustentando que isso mostra que a Polónia se tornou um mercado de escoamento atractivo para a oferta estrangeira.
O analista não exclui preços altos da colza se as cotações em bolsa e o valor do óleo ajudarem. Se o Matif ajudar e os preços do óleo de colza forem muito mais altos, o agricultor poderá receber até 3 mil zlotys pela colza, disse. Mas sublinhou que o preço é formado na Europa e o mercado polaco não pode desligar-se por completo desses níveis; se não for competitivo, a importação crescerá ainda mais.
A conclusão prática para os produtores, tal como o farmer.pl a resume, é que não basta vigiar se entra semente pela fronteira. Para o mercado interno conta também quanto óleo acabado chega do estrangeiro. Se as importações de óleo continuarem a crescer, as fábricas nacionais terão menos espaço para aumentar o esmagamento, e menos esmagamento reduz a procura por matéria-prima nacional.
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