Oferta restrita sustenta preços do arroz no Brasil apesar da baixa liquidez
A comercialização de arroz em casca e beneficiado permaneceu lenta em setembro, mas a baixa disponibilidade imediata impediu uma queda consistente dos preços. O Indicador Safras no Rio Grande do Sul chegou a R$ 84,26 em 30 de setembro, com altas de 6,18% ante agosto e de 41,65% na comparação anual.
Retenção na origem sustenta o mercado
O mercado brasileiro de arroz encerrou setembro com poucos negócios tanto no produto em casca quanto no beneficiado, mas os preços permaneceram firmes. Segundo a Safras & Mercado, o pequeno volume efetivamente ofertado pelos produtores limitou uma pressão baixista mais forte, enquanto as vendas finais fracas restringiram a demanda de indústrias e distribuidoras.
O equilíbrio resultou menos de um fluxo comercial ativo e mais da baixa disposição de compradores e vendedores para fechar negócios. Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras & Mercado, afirmou que as referências de preços permaneceram predominantemente nominais, refletindo ofertas e indicações em vez de volumes expressivos negociados.
A retenção foi especialmente intensa na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Os volumes negociados continuaram reduzidos e os produtores não demonstraram urgência generalizada para vender. Uruguaiana permaneceu como um importante termômetro da disposição vendedora, e a escassez da oferta marginal sustentou o arroz em casca mesmo sem uma demanda doméstica agressiva.
Vendas lentas comprimem margens industriais
Indústrias e distribuidoras enfrentaram um ambiente difícil. A lentidão das vendas finais, a dificuldade de repassar o aumento do custo da matéria-prima ao varejo e as margens comprimidas estimularam compras seletivas. As empresas priorizaram lotes de oportunidade em vez de recompor estoques de forma ampla, mantendo baixa a liquidez do mercado.
Os preços no varejo começaram a trazer algum alívio durante o mês. A Safras & Mercado informou que o movimento de alta reduzia parcialmente a pressão sobre as margens da indústria, mas ainda não havia sinais suficientes de recuperação integral. A continuidade da alta poderá ampliar a capacidade dos processadores de pagar pelo arroz na origem. Caso o movimento perca força, a sustentação dos preços internos dependerá mais das exportações.
O mercado apresenta, assim, posições distintas. Produtores sem necessidade imediata de caixa podem manter os estoques retidos e defender suas pedidas. As indústrias, por outro lado, têm pouco incentivo para disputar grão mais caro enquanto as vendas de arroz beneficiado seguem lentas e suas margens não se recuperaram totalmente. O resultado são cotações firmes sem o giro que confirmaria um fortalecimento generalizado do mercado.
Exportações continuam como canal importante
Os embarques de arroz mantiveram em setembro um ritmo classificado por Oliveira como razoável. A Safras & Mercado projetou que a balança comercial mensal fecharia praticamente equilibrada. Isso não indica um forte aperto provocado pelas exportações, mas a demanda externa segue relevante por absorver volumes que o mercado doméstico não está disposto a comprar agressivamente.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, considerando 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou 30 de setembro em R$ 84,26. O valor representou alta de 1,47% em uma semana e de 6,18% em relação ao mesmo período de agosto. Na comparação com o período correspondente de 2025, o avanço chegou a 41,65%.
Para processadores e compradores, a questão central é saber se os preços no varejo subirão o suficiente para recuperar sua capacidade de compra antes que os produtores aumentem a disposição de venda. Enquanto nenhuma das partes mudar de posição, a disponibilidade imediata deverá pesar mais sobre os preços do que o volume negociado. O desempenho das exportações também será decisivo: embarques constantes reforçarão a posição dos produtores, enquanto uma demanda externa mais fraca deixará a indústria doméstica como principal destino dos estoques retidos.