Milho recua enquanto trigo e soja enviam sinais divergentes
Os futuros de milho dos Estados Unidos caíram apesar da piora das lavouras e dos primeiros rendimentos abaixo das médias. O trigo apresentou movimentos divergentes por classe, enquanto a soja fechou perto da estabilidade após uma nova venda norte-americana à China.
Futuros de milho dos Estados Unidos recuam
Os futuros de milho dos Estados Unidos fecharam em baixa na terça-feira, 18 de agosto de 2026, apesar de os dados de campo indicarem piora das lavouras e potencial produtivo abaixo das médias em dois importantes estados produtores. O contrato de setembro caiu 1 3/4 centavo e encerrou a $4,63-1/4 por bushel. Dezembro fechou a $4,88, com perda de 1 1/2 centavo, enquanto março recuou 1 1/4 centavo para $5,04, segundo o ZOL.ru.
O ProFarmer Crop Tour estimou a produtividade média do milho em Dakota do Sul em 149,09 bushels por acre, 14,41% abaixo do ano passado e 8,37% inferior à média de três anos. Em Ohio, a estimativa foi de 180,18 bushels por acre, queda anual de 2,97% e resultado 2,25% abaixo da média trienal. Os números de Indiana e Nebraska ainda não haviam sido divulgados.
A avaliação das lavouras norte-americanas também piorou. A parcela do milho classificada como boa ou excelente caiu para 60%, um ponto percentual abaixo da semana anterior e 11 pontos abaixo do nível do ano passado. Os indicadores mais fracos ainda não sustentaram os contratos próximos, enquanto a oferta externa continua relevante. A ANEC elevou sua estimativa para as exportações brasileiras de milho em agosto para 5,63 milhões de toneladas, 0,46 milhão acima da projeção da semana anterior.
Preços do trigo divergem por classe e vencimento
As classes de trigo dos Estados Unidos tiveram desempenho misto. O trigo soft red winter de Chicago para setembro caiu 10 1/4 centavos para $6,64-1/2 por bushel, e dezembro perdeu 8 centavos para $6,81-1/4. O hard red winter de Kansas City para setembro recuou 15 centavos para $7,43-3/4, enquanto dezembro caiu 13 1/4 centavos para $7,58-1/2. O trigo de primavera de Minneapolis avançou: setembro ganhou 1 1/4 centavo para $6,76-1/4 e dezembro subiu 3/4 de centavo para $7,04-3/4.
Dados do USDA NASS mostraram que 52% do trigo de primavera estava em condição boa ou excelente, um ponto percentual acima da semana anterior. Até 16 de agosto, os seis principais estados haviam colhido 41% da área, ante 33% na mesma data de 2025. A colheita do trigo de inverno estava 96% concluída em 18 estados importantes, contra 91% uma semana antes e 93% no ano anterior.
O comércio europeu apresentou um sinal diferente. Segundo a Comissão Europeia, as exportações de trigo mole da UE entre 1º de julho e 16 de agosto totalizaram 1,48 milhão de toneladas, queda de 49% em relação aos 2,9 milhões de toneladas do mesmo período do ano anterior. Os principais exportadores foram Lituânia, Romênia, Bulgária, Alemanha e Polônia; entre os maiores compradores estavam Nigéria, Argélia, Indonésia, Arábia Saudita e Vietnã. Na MATIF, o trigo para moagem de setembro caiu para €223,25 por tonelada, enquanto dezembro subiu para €235,75.
Soja equilibra demanda chinesa e oferta brasileira
Os futuros de soja perderam força após as máximas intradiárias e fecharam praticamente estáveis. Setembro caiu 1/4 de centavo para $12,00-3/4 por bushel. Novembro avançou 3/4 de centavo para $12,16-3/4, e janeiro ganhou 1/2 centavo para $12,31-1/2. O USDA informou uma venda privada de 136.000 toneladas de soja norte-americana à China para a temporada 2026/27.
Os indicadores das lavouras foram menos favoráveis. A parcela da soja dos Estados Unidos em condição boa ou excelente caiu um ponto percentual para 61%. A ProFarmer contou 945,98 vagens em uma área de 3 por 3 pés em Dakota do Sul, 20,4% abaixo do ano passado e 12,07% inferior à média de três anos. Em Ohio, a contagem foi de 1.197,25 vagens, queda anual de 6,99% e resultado 4,74% abaixo da média trienal. A ANEC estimou as exportações brasileiras de soja em 10,56 milhões de toneladas, 0,32 milhão abaixo da previsão semanal anterior. Os operadores precisam ponderar a piora dos dados norte-americanos frente à concorrência contínua do Brasil.
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