México transforma proibição de exportação de gado para os EUA em recorde nas exportações de carne bovina
O México direcionou para a engorda e o abate nacional o gado que deixou de cruzar a fronteira com os Estados Unidos, impulsionando um salto de 46,9% no valor das exportações de carne bovina no primeiro semestre de 2026. A proibição americana à importação de gado vivo mexicano, motivada por um surto da mosca-da-bicheira, durou 14 meses e foi suspensa em 24 de julho de 2026.
Um fechamento de fronteira de 14 meses reconfigura a cadeia de suprimentos
O México transformou uma longa suspensão das exportações de gado vivo para os Estados Unidos em uma expansão histórica de suas exportações de carne bovina, segundo o Grupo Consultor de Mercados Agrícolas (GCMA), que processou dados da Agência Nacional de Alfândegas do México (ANAM). Os Estados Unidos fecharam sua fronteira aos embarques de gado vivo mexicano devido a um surto da mosca-da-bicheira (screwworm), uma praga que afeta o gado, e suspenderam a restrição em 24 de julho de 2026, segundo informou o jornal La Jornada, após um fechamento que durou 14 meses. Durante esse período, os produtores mexicanos direcionaram para a engorda e o abate nacional animais que, de outra forma, teriam cruzado a fronteira, agregando valor ao rebanho no próprio país em vez de exportar os animais vivos. A mudança ocorreu em um momento em que, segundo os dados, os Estados Unidos enfrentam a menor disponibilidade de gado bovino em décadas.
Exportações de carne bovina disparam quase 47% em valor
Entre janeiro e junho de 2026, as exportações mexicanas de proteína animal somaram 258,9 mil toneladas, um avanço de 20,2% frente às 215,5 mil toneladas do mesmo período de 2025, segundo o GCMA. Em valor, os embarques passaram de US$ 1,489 bilhão para US$ 2,046 bilhões, alta de 37,4%.
A carne bovina concentrou a maior parte do crescimento. O volume exportado avançou 24,3%, passando de 132.568 para 164.821 toneladas, enquanto o valor disparou 46,9%, de US$ 1,101 bilhão para US$ 1,618 bilhão. As exportações de carne suína também cresceram, com alta de 12,9% em volume e 10% em valor. As exportações avícolas, embora de menor peso em termos absolutos, mais que dobraram em valor, com aumento de 103,2%.
Importações caem enquanto cresce a demanda dos EUA por carne mexicana
As importações totais de carne do México seguiram na direção oposta. O volume caiu 1,9%, de 1.554.700 para 1.525.500 toneladas, e o valor recuou 9,4%, de US$ 4,228 bilhões para US$ 3,829 bilhões.
- O volume das importações de carne bovina caiu 10,2%, embora o valor tenha subido 5,1%
- O valor das importações de carne suína caiu 16%
- O valor das importações de frango recuou 10,4%
O GCMA estimou que a produção americana de carne bovina caiu cerca de 500 mil toneladas no período, com impacto econômico próximo a US$ 4,5 bilhões, agravando a dependência dos Estados Unidos de importações, particularmente do México.
Uma relação comercial de mão dupla
O México continua sendo um dos maiores compradores globais de proteína animal: é o maior importador mundial de carne suína e o terceiro maior comprador de carne de frango em escala global. Para os Estados Unidos, o México é seu principal mercado de exportação tanto de carne suína quanto de frango, além de figurar entre os três destinos mais importantes para a carne bovina, destacou o GCMA, o que reflete uma relação comercial que opera em ambas as direções.
O GCMA afirmou que "a estratégia de reconversão está funcionando", apontando o crescimento das exportações como evidência de que a indústria de carne mexicana tem capacidade de transformar o gado em carne com valor agregado, em vez de exportar apenas animais vivos. A consultoria acrescentou que o fechamento da fronteira gerou custos para os produtores mexicanos, mas também demonstrou a capacidade da indústria nacional de agregar valor por meio da exportação de carne processada, confirmando, segundo o GCMA, a integração estratégica entre os dois países na cadeia do boi e da carne.