Mel grego busca crescer no Japão apesar de participação de apenas 0,01% em valor
O mel grego responde por apenas 0,01% do mercado japonês de importação em valor e 0,03% em volume. A eliminação da tarifa melhora o acesso, mas preço, sabor e regras rigorosas de rotulagem continuarão determinando o avanço dos exportadores.
Um grande mercado importador com presença grega mínima
O mel grego tem espaço considerável para crescer no Japão, mas parte de uma posição extremamente pequena. Segundo a Agronews, o produto representa apenas 0,01% do mercado japonês de mel importado em valor e 0,03% em volume. Os dados integram um estudo do Escritório de Assuntos Econômicos e Comerciais da Embaixada da Grécia em Tóquio.
O Japão depende fortemente do fornecimento estrangeiro. As importações responderam por cerca de 95% da oferta total de mel durante 2016-2024, enquanto o consumo permaneceu relativamente estável, em aproximadamente 45.000-50.000 toneladas. Em 2025, as compras externas chegaram a 51.644 toneladas, avaliadas em quase 22,5 bilhões de ienes, ou cerca de €119,3 milhões, conforme o estudo citado pela Agronews.
A China fornece aproximadamente 70% do volume total de mel importado pelo Japão. Os exportadores gregos também enfrentam concorrentes consolidados dentro da União Europeia: Hungria, Romênia e Bulgária representam juntas mais de 83% das importações japonesas de mel originário da UE. China, Argentina e Vietnã competem com preços menores, enquanto Austrália, Índia e Tailândia surgem como fornecedores baratos com volumes em rápida expansão.
Fim da tarifa abre a porta, mas não elimina a concorrência
A tarifa sobre o mel foi totalmente eliminada a partir de 2025 pelo Acordo de Parceria Econômica entre Japão e UE. Com isso, produtores e exportadores gregos deixam de arcar com um componente de custo, mas o preço se torna cada vez mais importante no mercado japonês. A Agronews informa que as recentes pressões inflacionárias elevaram a sensibilidade do consumidor e transformaram preço e sabor nos principais critérios para a compra de alimentos.
Segurança alimentar e rastreabilidade continuam especialmente relevantes para produtos importados. O mel produzido no Japão recebe forte apoio dos consumidores, e o país mantém regras detalhadas de rotulagem. Elas estabelecem condições rigorosas para o uso de termos como “puro” e “nacional”, a declaração da composição e outras informações obrigatórias nas embalagens. Assim, fornecedores gregos precisam combinar uma oferta competitiva com rótulos em conformidade e origem claramente identificada.
A certificação orgânica, isoladamente, dificilmente justificará a entrada no mercado ou um prêmio elevado. Uma pesquisa de 2025 do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão mostrou que menos de 20% dos entrevistados apontaram o mel como um produto orgânico que gostariam de comprar com maior frequência. Preço, sabor, origem, qualidade e benefícios percebidos para a saúde pesam mais na decisão do que a própria certificação.
Posicionamento precisa combinar sabor, qualidade e preço
Os dados indicam que os exportadores gregos não podem depender apenas da raridade ou da identidade mediterrânea do produto. Para ampliar a distribuição, precisam oferecer um perfil de sabor adequado ao comprador japonês, comprovar segurança e rastreabilidade, cumprir as normas de rotulagem e manter um preço que varejistas e importadores consigam defender diante de fornecedores dominantes e de menor custo.
O Japão, no entanto, oferece uma ampla base de aplicações finais. O mel é consumido em chá, café e coquetéis, utilizado em produtos farmacêuticos como xarope para tosse e incorporado a bolos, biscoitos e outros produtos de panificação. Também aparece em itens para a pele e outros cosméticos devido às propriedades hidratantes e antibacterianas. Essas aplicações mantêm o produto em circulação por vários canais industriais e de consumo, embora a demanda total permaneça relativamente estável.
Para os fornecedores gregos, a oportunidade deverá ser gradual, e não uma mudança rápida de participação. A eliminação da tarifa melhora o acesso, enquanto a dependência japonesa das importações cria um mercado duradouro. Ainda assim, uma fatia de apenas 0,01% em valor mostra que o crescimento dependerá do relacionamento com importadores, da adequação do produto à demanda local e de preços disciplinados, não apenas das preferências tarifárias.