Matcha chinês já é exportado para 54 países e territórios, incluindo o Japão
A indústria chinesa apresenta o país como o maior produtor mundial de matcha e construiu o que descreve como a maior fábrica de matcha do mundo, segundo o President Online. O matcha chinês já chega a 54 países e territórios, incluindo o Japão, enquanto no exterior são vendidos sob o nome de matcha pós que não contêm folha de chá.
A procura por matcha dispara na Europa e na América do Norte, e a China está a posicionar-se para a captar. A indústria chinesa descreve hoje o país como o maior produtor mundial de matcha e ergueu uma unidade que apresenta como a maior fábrica de matcha do mundo, segundo o veículo japonês President Online. O matcha chinês já é exportado para 54 países e territórios, incluindo o próprio Japão, onde avança sobre o mercado interno.
Uma reivindicação de origem contestada
Parte do argumento chinês assenta na história. O hábito de bater chá em pó nasceu na China sob a dinastia Song (960-1279), com o nome de diancha, e chegou ao Japão no período Kamakura (1185-1333) pela mão do monge zen Eisai. Mais tarde, Sen no Rikyu transformou a prática na cerimónia do chá, uma disciplina cultural assente no wabi-sabi.
O President Online assinala que o costume se extinguiu na China durante a dinastia Ming (1368-1644) e que o cultivo sob sombra e o fabrico do tencha — os dois passos que definem o matcha tal como existe hoje — foram aperfeiçoados no Japão. A produção chinesa moderna de matcha só começou depois de o país reaprender com o Japão os métodos de processamento e as cultivares. A tecnologia não foi roubada, sublinha a reportagem: foi ensinada por especialistas japoneses convidados.
O que o processo exige
A fronteira entre o matcha e um pó verde qualquer está na sequência de fabrico, e o President Online insiste que saltar qualquer etapa elimina o aroma e a suavidade associados ao produto:
- cerca de 20 dias de sombreamento do campo antes da colheita, o que reduz a adstringência e acumula a teanina, aminoácido responsável pelo umami, além da cor verde intensa
- vaporização imediata da folha colhida para travar a oxidação
- secagem sem enrolamento, de que resulta o tencha
- moagem do tencha até pó fino, tradicionalmente em mós de pedra
Compradores que só querem a cor
Em Budapeste, Ayako Chatani, que importa e vende chá japonês, percorre os cafés da cidade com matcha comprado a produtores de chá Sashima da província de Ibaraki. A prova funciona: segundo o President Online, os compradores surpreendem-se sistematicamente com o aroma e com a suavidade do sabor, e essa surpresa converte-se diretamente em compra.
Nem todos os estabelecimentos funcionam assim. Alguns operadores de restauração dizem abertamente que serve qualquer coisa verde. Nas redes sociais locais circulam vídeos de um produto chamado mango MATCHA, e um MATCHA cor-de-rosa feito com pó de pétalas de rosa e pó de pitaia é vendido com a indicação impressa de que não utiliza folhas de chá.
O rótulo é o campo de batalha
Para os produtores japoneses, a exposição imediata está no nome. A reportagem do President Online gira em torno da circulação internacional de produto de fabrico chinês sob a designação matcha de Uji, aquela que concentra o maior prémio de preço no Japão. Onde cafés e fabricantes alimentares compram por cor e preço, e não por origem e qualidade na chávena, vence a fonte mais barata e o nome da categoria estica-se até cobrir pós sem qualquer chá. A defesa prática ao alcance dos fornecedores japoneses passa pela certificação e pela rotulagem de origem, e não pela guerra de preços.